Um vídeo que mostrava o senador Flávio Bolsonaro supostamente chorando circulou amplamente nas redes sociais logo após a divulgação dos resultados do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo, 25 de outubro de 2026, em todo o Brasil. A publicação gerou forte comoção e foi compartilhada como prova de derrota emocional do candidato do PL. Investigações de checagem de fatos demonstraram que o material é totalmente fabricado.
Como a desinformação se espalhou nas redes
Logo após o anúncio oficial do Tribunal Superior Eleitoral às 21h08, usuários de plataformas como Twitter, WhatsApp e Instagram começaram a repostar o clipe, acompanhados de legendas sensacionalistas. Muitos perfis com grande número de seguidores impulsionaram o conteúdo, fazendo com que ele alcançasse milhões de visualizações em poucas horas. A velocidade de compartilhamento dificultou a verificação imediata, permitindo que a narrativa enganosa se consolidasse antes da resposta oficial.
O ponto de partida da circulação foi um post no Instagram de Jess Peixoto, estrategista da campanha de Flávio Bolsonaro, publicado no domingo, 22 de outubro de 2026. A legenda do post indicava a data de gravação do vídeo, mas não especificava o contexto político. Essa ambiguidade foi explorada por usuários que removeram a descrição original e acrescentaram comentários sugerindo que o senador chorava pela derrota.
Análise técnica que comprovou a falsidade
Para determinar a autenticidade do material, a equipe de verificação do Fato ou Fake utilizou a ferramenta InVID, que permite fragmentar vídeos em frames estáticos. Cada frame foi então submetido a buscas reversas no Google Lens, possibilitando a localização da origem das imagens. O processo revelou que o frame que mostrava Flávio com a expressão de suposto choro já existia em um vídeo gravado meses antes, durante um evento interno da campanha.
- Extração de frames individuais com InVID;
- Busca reversa de cada imagem no Google Lens;
- Identificação da postagem original no Instagram de 22/10/2026;
- Comparação de vestimenta e cenário entre a gravação original e o vídeo viral.
A comparação visual destacou uma diferença crucial: no vídeo original, Flávio vestia uma camisa polo cinza, enquanto no clipe compartilhado ele aparecia com uma camisa social branca, roupa que ele utilizou apenas durante a apuração dos resultados no dia 26 de outubro. Essa incongruência de vestuário foi um dos primeiros indícios de manipulação.
Além da discrepância de roupa, a análise de áudio mostrou que a trilha sonora do vídeo viral continha sons de fundo que não estavam presentes na gravação original. Técnicas de edição de áudio foram usadas para inserir um choro artificial, reforçando a impressão de sofrimento emocional.
Contexto da eleição e reações oficiais
No segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu aproximadamente 59 milhões. O TSE oficializou o resultado às 21h08 do domingo, 25 de outubro de 2026, encerrando um ciclo eleitoral marcado por polarização e intensas campanhas de desinformação.
Após a divulgação dos resultados, Flávio Bolsonaro compareceu ao Palácio do Planalto para registrar sua derrota, pronunciando um discurso de agradecimento aos eleitores e destacando a necessidade de união nacional. Em nenhum momento ele demonstrou lágrimas ou sinais de colapso emocional.
O gabinete de Flávio respondeu rapidamente às alegações, emitindo um comunicado que classificou o vídeo como “montagem digital” e pediu que a população verificasse as informações antes de compartilhar. A equipe também solicitou a remoção do conteúdo das plataformas, citando violação das políticas de combate à desinformação.
Especialistas em comunicação apontam que a rapidez com que o vídeo foi desmentido demonstra a importância de mecanismos de checagem em tempo real. Contudo, ressaltam que a primeira impressão costuma ser mais duradoura que a correção, o que reforça a necessidade de educação midiática entre os usuários.
Organizações não governamentais dedicadas à alfabetização digital lançaram campanhas nas redes sociais para ensinar o público a identificar sinais de manipulação, como diferenças de vestuário, áudio editado e ausência de fontes confiáveis. Essas iniciativas visam reduzir o impacto futuro de conteúdos falsos em períodos críticos, como eleições.
Em resumo, o caso do vídeo de Flávio Bolsonaro chorando ilustra como imagens fora de contexto podem ser transformadas em armas de desinformação, especialmente em momentos de alta carga emocional. A colaboração entre plataformas, verificadores independentes e o público atento é essencial para preservar a integridade da informação.








