O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou nesta terça-feira a análise de uma decisão do ministro André Mendonça, que havia determinado a remoção de publicações que acusavam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) de propor a chamada “escala 7×0”. A nova fase do julgamento ocorre na noite de 20 de outubro, a partir das 19h, em sessão presencial após um impasse no plenário virtual.
Contexto da decisão judicial
Em junho, ainda na fase pré‑campanha, o ministro Mendonça atendeu a um pedido do Partido Liberal e tirou do ar conteúdos publicados por parlamentares de esquerda que criticavam a PEC das horas trabalhadas, proposta por Flávio Bolsonaro. Segundo o ministro, as postagens ultrapassaram os limites da crítica política legítima ao atribuir ao candidato uma posição objetiva que não constava no texto da proposta.
Ele explicou que, enquanto é aceitável dizer que a proposta pode “fragilizar direitos trabalhistas” ou “abrir margem a jornadas abusivas”, afirmar que Flávio “impõe escala 7×0” ou “acaba com o descanso semanal” cria uma acusação factual que não se extrai do documento legislativo. Essa distinção foi crucial para a primeira decisão de remoção.
Desdobramentos no plenário do TSE
No plenário virtual de junho, a maioria dos ministros ainda não havia se posicionado, mas a ministra Estela Aranha abriu divergência ao considerar as publicações válidas. O presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, solicitou vista, o que suspendeu o andamento do caso e encaminhou a discussão para a sessão presencial.
Em setembro, o julgamento voltou a ser analisado e uma maioria favorável à posição de Aranha foi formada. O próprio ministro Dias Toffoli, junto a Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques, acompanhou a ministra, consolidando o apoio à manutenção das postagens.
Com o placar definido, Nunes Marques pediu destaque, interrompendo novamente a votação e levando o processo para deliberação presencial. Essa manobra é rara, pois os ministros normalmente mantêm os votos proferidos no plenário virtual.
Implicações políticas para Flávio Bolsonaro
A reavaliação do TSE ganha relevância após Flávio Bolsonaro mudar de postura na última semana, passando a apoiar o fim da escala 6×1, proposta central da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar da mudança, o senador continua defendendo a PEC das horas trabalhadas, que ainda gera controvérsia entre trabalhadores e empresários.
O debate sobre a escala 7×0 tem potencial de influenciar a percepção pública sobre a postura de Flávio em relação aos direitos trabalhistas. Caso o TSE decida liberar as postagens, a narrativa de que o candidato promove jornadas extenuantes poderá se fortalecer, afetando sua imagem nas próximas eleições.
Por outro lado, a manutenção da remoção das publicações poderia ser interpretada como um reforço à proteção da liberdade de expressão política, limitando acusações que não estejam diretamente fundamentadas em documentos oficiais.
- Posicionamento de Mendonça: remoção por suposta imputação factual.
- Defesa de Aranha: liberdade de crítica política.
- Voto de Toffoli e demais ministros: apoio à manutenção das postagens.
- Pedido de destaque de Nunes Marques: interrupção da votação.
O caso ainda está aberto e pode sofrer novas reviravoltas, já que os ministros têm a prerrogativa de mudar seus votos, ainda que isso seja incomum. O desfecho será observado de perto pelos partidos, pelos movimentos trabalhistas e pelos analistas de comunicação política.
Além do impacto imediato na campanha de Flávio Bolsonaro, a decisão do TSE pode criar precedentes para futuros julgamentos envolvendo críticas a candidatos nas redes sociais. A linha que o tribunal traçar poderá definir até que ponto a opinião política pode ser considerada factível ou difamatória em ambientes digitais.
Em síntese, a sessão plenária de 20 de outubro promete ser decisiva não apenas para o futuro de um candidato, mas também para a jurisprudência eleitoral brasileira sobre liberdade de expressão e responsabilidade nas redes sociais.








