O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta terça‑feira, 13 de outubro de 2024, que um vídeo divulgado por Nikolas Ferreira e compartilhado por Flávio Bolsonaro deve ser retirado da internet em até 24 horas. A medida foi tomada após pedido do Partido dos Trabalhadores, que apontou desinformação e uso indevido da imagem de menores. A determinação foi emitida no plenário do TSE, mas ainda aguarda confirmação em sessão plenária.
Contexto da divulgação e reação das autoridades
O vídeo em questão foi postado nas redes sociais do deputado federal Nikolas Ferreira (PL‑MG) no dia 12 de outubro, data comemorativa do Dia das Crianças no Brasil. No mesmo dia, o conteúdo foi reenviado por meio do canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, mantido por Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), que também concorre à Presidência nas próximas eleições.
Nas primeiras horas, o material circulou amplamente no Instagram do deputado, no X (antigo Twitter) e no Facebook, alcançando milhares de visualizações. A reação do Ministério Público Eleitoral e do próprio TSE foi rápida, resultando na remoção do vídeo das plataformas Instagram e WhatsApp, embora ainda permanecesse visível nas contas de X e Facebook no momento da publicação da decisão.
Fundamentação jurídica da liminar
O ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira, relator da ação, concedeu a liminar atendendo ao pedido formal do PT, que alegou que o conteúdo violava normas de propaganda eleitoral ao manipular informações verdadeiras de forma fragmentada e fora de contexto. Segundo o relator, a prática configurava “propaganda negativa indevida” que visava influenciar eleitores por meio da exploração da inocência infantil.
A decisão destacou que o vídeo ultrapassa a “barreira do razoável” ao usar crianças para gerar impacto emocional, potencializando a mensagem de forma a comprometer a dignidade dos menores. O ministro ressaltou ainda que a associação artificial de Lula e de seu filho Lulinha a crimes e a problemas sociais constitui tentativa de induzir o eleitor a conclusões enganosas.
- Violação do princípio da igualdade de oportunidades na disputa eleitoral;
- Uso indevido da imagem de menores para fins de propaganda;
- Desinformação ao apresentar fatos reais de maneira descontextualizada;
- Potencial dano à honra e à dignidade de pessoas citadas, inclusive crianças.
A liminar foi concedida em caráter de urgência, mas o caso continuará a ser analisado pelo plenário do TSE, que decidirá se a medida será confirmada ou modificada.
Repercussão política e social
A medida do TSE gerou reações intensas nos bastidores políticos. O deputado Nikolas Ferreira, conhecido por seu discurso agressivo nas redes, afirmou que a remoção representa censura e tentou mobilizar seus apoiadores para contestar a decisão. Por outro lado, representantes do PT celebraram a ação como vitória na luta contra a desinformação e o uso de menores como instrumentos de campanha.
Organizações de defesa dos direitos da criança também se manifestaram, apontando que a exploração da infância para fins eleitorais viola normas internacionais de proteção à criança. A UNICEF Brasil, em comunicado, reforçou a necessidade de que candidatos e partidos respeitem a dignidade dos menores, evitando qualquer forma de instrumentalização.
Especialistas em comunicação política analisam que a estratégia de usar crianças em campanhas pode gerar um efeito de empatia artificial, mas também corre o risco de gerar backlash quando a manipulação é percebida. Segundo a professora de comunicação da Universidade de São Paulo, Ana Lúcia Ramos, “a utilização de menores em mensagens eleitorais cria um apelo emocional que pode ser eficaz a curto prazo, porém, quando exposto à crítica, pode minar a credibilidade do agente político”.
Além do aspecto jurídico, o caso reacendeu o debate sobre a regulação de conteúdo nas redes sociais. Plataformas como Instagram, WhatsApp e X têm sido pressionadas a adotar mecanismos mais ágeis para remoção de material que viole normas eleitorais, sobretudo em períodos sensíveis como o pré‑eleitoral.
Impacto nas campanhas e no cenário eleitoral
Com as eleições presidenciais marcadas para outubro de 2026, o clima de disputa já se mostra acirrado. O uso de conteúdos polêmicos, como o vídeo de Nikolas Ferreira, indica uma estratégia de ataque que busca desestabilizar o adversário ao mesmo tempo em que mobiliza a base. No entanto, a intervenção do TSE demonstra que há limites para tais práticas.
Para o candidato Lula, a situação representa mais um desafio de gerenciamento de crise. A equipe de comunicação do presidente tem reforçado a mensagem de que as críticas infundadas não alteram os projetos de governo, e tem investido em campanhas de informação clara e baseada em dados.
Já para Flávio Bolsonaro, a associação ao vídeo pode gerar desgaste, especialmente entre eleitores mais sensíveis à questão da proteção infantil. Analistas apontam que o uso de canais de comunicação como o WhatsApp, embora eficaz para mobilização, também aumenta o risco de disseminação de conteúdo ilícito.
O TSE, por sua vez, sinaliza que continuará vigilante quanto ao cumprimento das normas eleitorais, sobretudo no que tange à propaganda negativa e ao uso de menores. A decisão liminar serve como alerta para partidos e candidatos, que deverão rever suas estratégias de campanha para evitar sanções futuras.
Em síntese, a remoção do vídeo evidencia a tensão entre liberdade de expressão, estratégias de campanha e a necessidade de proteger grupos vulneráveis, como crianças, de serem instrumentalizados em disputas políticas. O desdobramento do caso no plenário do TSE será observado de perto por toda a classe política e pela sociedade civil.








