Na manhã desta terça‑feira, 3 de outubro, o ex‑prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou oficialmente sua adesão à campanha que pede a realização de um segundo turno nas eleições estaduais. A declaração foi feita nas redes sociais, especificamente no Instagram, e destaca a necessidade de respeitar a vontade dos eleitores que escolheram a opção de segundo turno.
Contexto da disputa e a estratégia de Paes
Paes chegou ao segundo lugar nas urnas, ficando 564.215 votos atrás de Douglas Ruas, candidato do PL, que venceu com 50,88% dos votos válidos. O ex‑prefeito aponta que a diferença poderia ter sido evitada se os 274.411 votos válidos de Anthony Garotinho, terceiro colocado, não fossem tratados como nulos. Essa alegação serve como base para o pedido de novo turno.
Para fortalecer a mobilização, o entorno de Paes criou o “Exército do Dudu”, um canal de WhatsApp inspirado no “Exército do Lula”. O objetivo é organizar apoiadores, divulgar informações e pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a reconsiderar a decisão que declarou Ruas governador eleito.
Os argumentos jurídicos apresentados
O pedido de segundo turno se apoia na tese de que os votos de Garotinho foram indevidamente equiparados a nulos, o que impediu que nenhum candidato alcançasse a maioria absoluta. Paes afirma que a lei eleitoral ainda permite essa “manobra” e que, sem a contagem correta desses votos, a maioria simples foi alcançada de forma artificial.
O relator da ação no STF, ministro Cristiano Zanin, solicitou manifestações de três órgãos: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Advocacia‑Geral da União (AGU) e a Procuradoria‑Geral da República (PGR). Essa etapa ainda não tem data definida para conclusão, mas mantém viva a esperança de um novo pleito.
- Votos de Garotinho: 274.411
- Resultado oficial: Douglas Ruas – 50,88%
- Diferença para maioria absoluta: 0,61%
Reação de Douglas Ruas e do cenário político
Douglas Ruas, ao assumir o cargo, anunciou os primeiros nomes de seu secretariado e classificou a campanha de Paes como “afronta à Justiça Eleitoral”. Em seu discurso, Ruas enfatizou que as eleições estavam encerradas em todo o país e que não haveria espaço para contestações.
Entretanto, Paes reforçou que continuará a respeitar qualquer decisão do STF, ao mesmo tempo em que acredita que o “bom Direito” está ao seu lado. Ele também ressaltou que aguardou o desfecho da disputa presidencial para não interferir no clima de estabilidade nacional.
A estratégia de Paes inclui a expectativa de que a reeleição do presidente da República favoreça um ambiente mais favorável no STF. Ele acredita que a pressão das ruas, combinada com argumentos jurídicos sólidos, pode gerar um consenso favorável à realização de uma eleição suplementar em 6 de dezembro.
Impactos e perspectivas para o futuro
Se o STF decidir pela realização de um segundo turno, o calendário eleitoral será alterado, exigindo nova campanha, novos debates e, possivelmente, alianças diferentes. O cenário político do Rio de Janeiro poderia mudar drasticamente, com a volta de Paes ao centro das atenções.
Por outro lado, a manutenção da decisão atual consolidaria a vitória de Ruas e poderia enfraquecer a base de apoio de Paes, que já sente o efeito da virada nas pesquisas. A mobilização do “Exército do Dudu” será crucial para medir o grau de engajamento da população.
Enquanto isso, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio já realizou a retotalização dos votos em 10 de outubro, confirmando a vitória de Ruas. Essa ação reforça a necessidade de uma resposta clara do STF para evitar insegurança jurídica e garantir a legitimidade do processo eleitoral.
Em resumo, a disputa ainda está em aberto. Eduardo Paes aposta na combinação de pressão popular, argumentos jurídicos e apoio institucional para reverter o resultado que o afastou do governo estadual. O desfecho dependerá da interpretação do STF sobre a validade dos votos de Garotinho e da disposição dos demais órgãos em se manifestar.








