Em um comício realizado nesta terça‑feira, 27 de setembro, na cidade de Corpus Christi, Texas, o ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir que a Venezuela poderia ser incorporada como o 51º estado da União. A declaração foi feita diante de apoiadores e gerou ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa internacional.
Proposta de integração política
Durante o discurso, Trump destacou que a relação bilateral está “muito boa” e insinuou que, em vez de eleger um presidente, os venezuelanos poderiam escolher um governador, como ocorre nos demais estados americanos. Ele afirmou que a ideia seria viável e que os Estados Unidos poderiam “fazer isso acontecer”.
O ex‑mandatário ressaltou ainda que a Venezuela poderia se tornar “próspera” ao adotar o modelo federativo dos EUA, sugerindo que a mudança traria benefícios econômicos e sociais para a população local. Segundo ele, a proposta ainda está em fase de estudo, mas conta com apoio de setores empresariais dos Estados Unidos.
Cooperação petrolífera como alicerce
Ao apontar para um petroleiro ancorado próximo à costa, Trump anunciou que o carregamento de petróleo seria processado em refinarias texanas, inclusive em Corpus Christi, sem custo adicional para os contribuintes americanos. Ele enfatizou que grandes companhias do setor, principalmente do Texas, já investem bilhões de dólares na Venezuela.
O presidente também declarou que o acordo petrolífero, firmado em agosto, já resultou no controle de mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano, o que representa cerca de um quinto das reservas do país. Ele descreveu o acordo como “excelente” e garantiu que a parceria continuará a gerar lucros para ambas as nações.
- Investimento de bilhões de dólares por empresas texanas;
- Processamento do petróleo em refinarias dos EUA;
- Controle de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano.
Contexto político e histórico
Desde a captura de Nicolás Maduro por forças norte‑americanas em janeiro, Washington tem mantido uma relação estreita com o governo interino liderado por Delcy Rodríguez. Essa proximidade política tem sido reforçada por acordos econômicos, sobretudo no setor energético.
Em maio passado, Trump compartilhou nas redes sociais um mapa da Venezuela colorido com as cores da bandeira dos Estados Unidos, sugerindo que a ideia de anexação já circulava em seu círculo interno. Na mesma época, ele declarou em entrevista à Fox News que considerava “seriamente” a possibilidade de incorporar o país ao território americano.
Anteriormente, em abril, o ex‑presidente fez comentários ainda mais ousados, insinuando que poderia concorrer à presidência venezuelana após um suposto conflito com o Irã, prometendo aprender espanhol rapidamente para se candidatar.
Essas declarações refletem uma estratégia de comunicação que busca mobilizar a base conservadora nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que pressiona o governo venezuelano a aceitar reformas políticas e econômicas alinhadas aos interesses norte‑americanos.
Especialistas apontam que a proposta de transformar a Venezuela em um estado dos EUA enfrenta obstáculos jurídicos e diplomáticos significativos, incluindo a necessidade de aprovação do Congresso americano e a resistência da comunidade internacional.
Apesar das críticas, Trump manteve seu tom otimista, assegurando que a parceria energética continuará a se expandir e que o futuro da Venezuela está ligado ao modelo federativo dos Estados Unidos.








