Um barco lotado de migrantes afundou na madrugada de quinta‑feira, 8 de outubro, nas águas costeiras de Djibuti, resultando em 139 óbitos confirmados. O desastre foi divulgado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) no domingo, 11, e ocorreu próximo ao estreito de Bab el‑Mandeb, ponto estratégico entre a África e a Península Arábica.
Causas e circunstâncias do acidente
A embarcação partiu de Djibuti na noite de 8 de outubro com cerca de 305 pessoas a bordo, todas de nacionalidade etíope, que buscavam alcançar o Iêmen. A superlotação extrema, combinada com condições climáticas adversas, foi apontada como fator determinante para o naufrágio.
- Capacidade da embarcação muito inferior ao número de passageiros;
- Falta de equipamentos de segurança, como coletes salva‑vidas;
- Marés fortes e ondas altas no estreito de Bab el‑Mandeb.
Segundo a OIM, o barco começou a afundar poucos minutos após deixar o porto, deixando os passageiros sem tempo hábil para reagir. Testemunhas relataram que o casco cedeu sob o peso excessivo, provocando um rápido alagamento da cabine principal.
Desdobramentos: vítimas, sobreviventes e respostas das autoridades
Entre os mortos estão 15 crianças, incluindo nove meninas e seis meninos, cujos corpos foram identificados pelos socorristas. Mais de 80 sobreviventes foram resgatados e encaminhados ao centro da OIM em Obock, onde recebem atendimento médico e apoio psicológico.
Os sobreviventes, todos etíopes, apresentam sinais de choque e trauma severo. Alguns já foram informados sobre a perda de familiares, enquanto outros receberam telefones para comunicar parentes que ainda aguardam notícias.
Autoridades locais ficaram sobrecarregadas com a quantidade de corpos trazidos simultaneamente à praia. Os falecidos foram enterrados em vala comum, sem identificação formal, o que gerou críticas de organizações de direitos humanos.
Até o momento, 84 pessoas permanecem desaparecidas, e a OIM alerta que o número de mortos pode aumentar à medida que novos corpos sejam recuperados e identificados.
A rota migratória do Chifre da África ao Golfo: riscos e perspectivas
O estreito de Bab el‑Mandeb é uma das rotas migratórias mais perigosas do planeta. Anualmente, milhares de etíopes atravessam Djibuti e o estreito em busca de trabalho nos países do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar.
Em 2023, o Projeto Migrantes Desaparecidos, da OIM, registrou mais de 900 mortes ou desaparecimentos ao longo desse trajeto, enquanto o número de migrantes que tentaram a travessia cresceu 18% em relação ao ano anterior.
A escalada dos conflitos no Iêmen, onde grupos governamentais e rebeldes houthis se enfrentam, intensifica a pressão migratória. Milhares de iemenitas fogem para Djibuti em direção oposta, buscando refúgio, enquanto os migrantes africanos continuam a arriscar a vida para alcançar oportunidades econômicas.
Para Amy Pope, diretora‑geral da OIM, a tragédia evidencia a urgência de criar caminhos seguros e legais para a migração. “Não podemos continuar tratando essas mortes como algo normal”, declarou, pedindo maior cooperação internacional para reduzir o número de tragédias no mar.
Organizações não‑governamentais têm cobrado a implementação de programas de repatriação, acordos bilaterais de trabalho e o fortalecimento de centros de acolhimento nas áreas de origem. Enquanto isso, as famílias das vítimas permanecem em luto, aguardando respostas que ainda não chegam.








