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Streamer é chamado para depor sobre suposta homofobia a ator no Rock in Rio

Na noite de sexta‑feira, 4 de setembro, o ator João Victor Gonçalves foi alvo de comentários ofensivos de um grupo de jovens próximo ao Palco Mundo, durante o festival Rock in Rio, no Rio de Janeiro. A Polícia Civil do Estado solicitou depoimentos do artista e do streamer conhecido como GH Rell RJ, que teria proferido as ofensas. O caso agora está sob investigação na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

Contexto do incidente e identificação dos envolvidos

O episódio ocorreu nas imediações do Parque dos Atletas, área que serve de corredor de acesso ao público que deixa o evento. O streamer, identificado como Jean Almeida Hilário, de 19 anos, natural de Duque de Caxias, transmitia ao vivo pela plataforma Kick, acompanhada de dois amigos.

Durante a transmissão, o grupo se aproximou de João Victor, que vestia uma calça vermelha marcante, e iniciou uma série de provocações verbais. Um dos jovens exclamou: “C… que é isso! Cara horroroso. Cara meteu um tomate”, referindo‑se à roupa do ator. O ataque verbal durou poucos segundos, mas foi suficiente para gerar repercussão nas redes.

Reação do ator e das autoridades

João Victor, de 24 anos, registrou seu desconforto nas redes sociais, classificando a abordagem como homofóbica e relatando medo de um possível assalto. Em seu post, o ator afirmou: “Somos mais fortes que qualquer coisa… Impunes não vão ficar, homofobia é crime.”

O Ministério Público acompanhou o caso e recebeu representação da deputada federal Erika Hilton (PSOL‑SP), que denunciou a falta de segurança na saída do público e cobrou mudanças nos protocolos de organização do festival.

Em nota, a deputada ressaltou: “Não podemos aceitar jamais a homofobia e qualquer forma de LGBTfobia recreativa. Quando nossas existências viram conteúdo ou piada, a desumanização já está em curso.”

Procedimentos legais e acusações cruzadas

A Polícia Civil informou que investigará se as manifestações do streamer configuram crime de homofobia, conforme a Lei nº 7.716/89, que tipifica atos de discriminação por orientação sexual. O depoimento de João Victor será colhido na mesma delegacia, permitindo que as autoridades confrontem as versões.

Em paralelo, GH Rell RJ publicou um pedido de desculpas, mas posteriormente negou ter praticado homofobia e chegou a acusar o ator de racismo, alegando que o medo de ser roubado teria relação com sua cor de pele. O streamer questionou: “Por que você estava com medo de ser roubado? Por causa da minha cor? É porque eu sou preto?”

Em resposta, os advogados de João Victor, Gustavo Polido e Andressa Knapp, emitiram uma nota que desqualifica a acusação de racismo, explicando que o medo do ator referia‑se à ausência de segurança no local e não à cor da pele do agressor.

Impacto no debate sobre intolerância e segurança em eventos massivos

O caso reacendeu o debate sobre a necessidade de políticas mais rígidas de combate à LGBTfobia em grandes eventos culturais. Organizações de direitos humanos têm exigido que promotores de festivais adotem medidas preventivas, como treinamento de seguranças para identificar e intervir em situações de discurso de ódio.

Além disso, a repercussão nas redes sociais demonstra como incidentes pontuais podem escalar para discussões nacionais sobre igualdade, segurança e responsabilidade digital. A presença de streamers em locais públicos cria novas dinâmicas de exposição, exigindo que plataformas como a Kick adotem códigos de conduta mais claros.

  • Investigação policial em curso na Decradi;
  • Depoimentos de João Victor e GH Rell RJ agendados;
  • Representação da deputada Erika Hilton ao Ministério Público;
  • Demandas por revisão dos protocolos de segurança do Rock in Rio.

Enquanto os procedimentos legais avançam, o caso serve como alerta para artistas, influenciadores e organizadores de eventos. A necessidade de um ambiente respeitoso e seguro se torna ainda mais evidente quando a visibilidade das vítimas se amplia por meio das mídias digitais.

Em síntese, a investigação sobre a suposta homofobia praticada contra João Victor Gonçalves no Rock in Rio reúne elementos de direito penal, direitos humanos e responsabilidade das plataformas de streaming. O desfecho do caso poderá estabelecer precedentes importantes para a forma como a sociedade lida com discursos de ódio em espaços públicos e virtuais.

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