Na terça‑feira, 27 de outubro, a senadora Simone Tebet revelou em entrevista ao Estúdio i que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a força da mobilização popular nas ruas e pretende adotar uma postura mais inclusiva com partidos fora do PT durante seu quarto mandato.
Impacto da mobilização popular nas decisões de Lula
Tebet contou que acompanhou o presidente nos últimos dias da campanha e que ele ficou profundamente impressionado com o número de eleitores nas urnas. “Ele chegou ao local de votação e disse: ‘As ruas falaram’,” relatou a senadora, destacando a surpresa do mandatário diante da energia demonstrada pelos eleitores.
Segundo a entrevista, essa percepção pode transformar a maneira como o executivo busca apoio no Legislativo, passando de acordos meramente partitários para um diálogo mais aberto com lideranças individuais. A ideia é que a pressão da população nas ruas funcione como um termômetro para as escolhas de governo.
Desafios da governabilidade e relação com o Congresso
Um dos pontos críticos apontados por Tebet é a necessidade de repensar a estratégia de distribuição de ministérios. Ela afirma que o modelo tradicional, que troca cargos por votos, já não garante apoio suficiente nas votações. “Fechar com partido não significa levar também o apoio individual dos parlamentares desse mesmo partido”, explicou.
O enfraquecimento do Centrão nas últimas eleições abre espaço para novas alianças. A senadora acredita que partidos de centro e de direita democrática precisarão de concessões do governo para recuperar relevância política, ao mesmo tempo em que Lula precisará de apoio para avançar sua agenda.
Para ilustrar os principais obstáculos, Tebet enumerou:
- Resistência de bancadas conservadoras no Senado;
- Necessidade de articulação entre ministros e lideranças parlamentares;
- Pressão por reformas estruturais, como a política e a judicial.
Ela alertou que a composição mais conservadora do Congresso exigirá maior habilidade diplomática para evitar retrocessos em direitos sociais.
Perspectivas de reformas e críticas ao uso de recursos públicos
Tebet defendeu a revisão das despesas públicas, mas deixou claro que o ajuste fiscal não pode sacrificar direitos sociais. “Eu sempre digo que o Brasil cabe no orçamento brasileiro”, disse, reforçando a importância de combater desperdícios e privilégios.
Um dos alvos de sua crítica foi o volume de recursos destinados às emendas parlamentares, que chegam a cerca de R$ 60 bilhões. Ela descreveu esse montante como um sintoma de um sistema que favorece interesses particulares em detrimento das necessidades reais da população.
Além disso, a senadora apontou que o Senado Federal será um dos principais desafios para a governabilidade, especialmente diante do crescimento da oposição. Ela ressaltou que o Legislativo terá a responsabilidade de conduzir reformas estruturais, incluindo mudanças no próprio Congresso e no Judiciário, como a proposta de estabelecer mandatos limitados para ministros do STF.
Ao comentar a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais, Tebet atribuiu o revés à postura arrogante da campanha e ao discurso que, segundo ela, revelava traços fascistas. Ela citou declarações discriminatórias do candidato, que, na visão da senadora, afastaram eleitores e contribuíram para o resultado final.
Por fim, Tebet destacou a importância da mobilização de jovens e idosos no segundo turno, apontando que esses grupos foram decisivos para a vitória do atual presidente. Ela concluiu que a energia das ruas deve continuar guiando as decisões do governo, servindo como lembrança constante de que o poder emana do povo.








