Em reunião realizada nesta quarta‑feira, o senador Rogério Marinho (PL‑RN) advertiu a bancada do Partido Liberal (PL) de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União‑AP), não honrou os compromissos firmados com a direita para as eleições de 2024. O alerta foi feito no Senado, em Brasília, e tem como objetivo impedir que membros do PL mudem de posição e favoreçam a manutenção de Alcolumbre na presidência da Casa.
Contexto da reunião e principais críticas de Marinho
Marinho iniciou a conversa lembrando que a aliança entre o PL e a bancada bolsonarista esperava avanços concretos em pautas estratégicas, como a anistia total aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Em vez de conceder o perdão total, Alcolumbre propôs apenas a redução de penas, medida considerada insuficiente pelos aliados de Marinho.
Além da questão da anistia, o senador destacou a resistência do presidente do Senado em abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa postura, segundo Marinho, contraria a estratégia de pressão que a direita pretendia exercer sobre o Judiciário nos próximos meses.
Para reforçar a ideia de “falta de palavra”, Marinho enfatizou que a falta de comprometimento de Alcolumbre poderia abrir espaço para negociações individuais, enfraquecendo a coesão do bloco e facilitando a votação secreta que pode favorecer a recondução do atual presidente.
Possíveis dissidências e estratégias de contenção
Nos bastidores, o senador Eduardo Gomes (PL‑TO) foi apontado como um possível ponto de fissura dentro da bancada. Gomes, vice‑presidente do Senado e aliado próximo de Alcolumbre, recebeu a tarefa de relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, posição que lhe confere influência sobre as regras de elaboração do Orçamento.
A estratégia de Marinho para neutralizar essa ameaça inclui duas frentes: primeiro, pressionar Gomes a mudar de legenda caso decida apoiar Alcolumbre; segundo, negar publicamente qualquer possibilidade de abandono do PL ou de dissidência por parte do senador.
Para reduzir ainda mais o risco de deserções, Marinho propôs que todos os parlamentares de direita tornem públicas, de forma transparente, suas intenções para a eleição de 1º de fevereiro. Essa medida visa criar um consenso visível e dificultar manobras de último minuto.
Desafios eleitorais e a necessidade de alianças
Mesmo com a maior bancada na Câmara dos Deputados, o PL ainda precisará conquistar votos de outras siglas para alcançar os 41 votos necessários à vitória na eleição do presidente do Senado. O cenário atual mostra que a aliança com a direita não é suficiente por si só; a capacidade de articular acordos com partidos centristas e até mesmo com alguns setores da oposição será decisiva.
Marinho ressaltou que a falta de cumprimento dos acordos por parte de Alcolumbre pode gerar um efeito dominó, levando outros membros a reconsiderarem seu apoio. Por isso, a chamada à disciplina partidária e à divulgação pública das intenções individuais são vistas como ferramentas essenciais para manter a coesão do bloco.
- Exigir compromisso firme com a anistia total;
- Pressionar por abertura de processos de impeachment contra ministros do STF;
- Garantir transparência nas intenções eleitorais dos parlamentares;
- Buscar alianças estratégicas com outras siglas para alcançar a maioria necessária.
Em síntese, o discurso de Rogério Marinho representa um esforço coordenado para consolidar o poder do PL na liderança do Senado, ao mesmo tempo em que tenta impedir que a falta de palavra de Alcolumbre cause fragmentação dentro da bancada. O futuro da presidência do Senado dependerá, em grande medida, da capacidade do PL de manter sua disciplina interna e de construir pontes com outros partidos.








