A Polícia Civil realizou, nesta quarta-feira (4), uma série de buscas em sete endereços da Zona Sul do Rio de Janeiro para aprofundar a investigação sobre o furto de aproximadamente 500 metros de cabos de cobre em uma instalação da concessionária Light, localizada na Rua da Passagem, em Botafogo. O crime, avaliado em R$ 80 mil, provocou interrupção no fornecimento de energia na região durante a madrugada de 11 de abril. Dois homens foram conduzidos à delegacia, e um deles foi preso em flagrante por receptação.
Detalhes da Operação Blackout e das buscas
A ação, batizada de Operação Blackout, foi coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos e contou com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, além de dois veículos blindados. As equipes vasculharam sete locais, incluindo um ferro‑velho no Parque Boa Esperança, no Caju, área conhecida por ser dominada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP).
Imagens de câmeras de segurança mostraram os suspeitos dirigindo-se ao ferro‑velho logo após a extração dos cabos. Entre 12 de abril e 19 de maio, 16 veículos vinculados à Light passaram pelo depósito em 37 ocasiões distintas, sem que fossem emitidas ordens de serviço para aquele local.
As investigações revelaram que, apesar da presença de veículos da concessionária, não há registros de manutenção ou transporte autorizado de material elétrico para o ferro‑velho. Esse padrão de movimentação suspeita reforçou a hipótese de que os cabos furtados foram levados diretamente para o depósito, onde foram provavelmente vendidos ou desmontados.
- Data da operação: 4 de junho de 2024.
- Endereços revistados: sete, incluindo o ferro‑velho no Caju.
- Veículos envolvidos: 16 da Light, 37 passagens.
- Suspeitos presos: dois, com um em flagrante por receptação.
Repercussões para a Light e para a comunidade
A concessionária Light reagiu rapidamente ao identificar a irregularidade em abril, demitindo dois técnicos e enviando informações detalhadas às autoridades policiais. Em nota oficial, a empresa ressaltou seu compromisso com a ética, a integridade e a colaboração com investigações.
Para a população de Botafogo, o furto significou mais que um transtorno temporário no fornecimento de energia; evidenciou vulnerabilidades na segurança de infraestruturas críticas. Moradores relataram quedas de energia que afetaram eletrodomésticos, sistemas de segurança residencial e o comércio local.
Além do prejuízo econômico direto – a avaliação dos cabos em R$ 80 mil – a interrupção gerou perdas indiretas, como a necessidade de acionamento de geradores e o impacto na produtividade de estabelecimentos comerciais. O caso também despertou preocupação sobre a possibilidade de novos furtos em outras áreas da cidade.
Em resposta, a Light anunciou a revisão de seus protocolos de controle interno, reforço de monitoramento por câmeras e a implementação de um sistema de rastreamento de materiais de alto valor. A empresa também prometeu treinamento adicional para funcionários, visando prevenir futuras conivências.
Próximos passos das investigações e possíveis desdobramentos
A Polícia Civil continuará analisando o material apreendido durante a Operação Blackout, incluindo documentos, registros de GPS dos veículos e eventuais provas de venda dos cabos no mercado negro. As autoridades indicam que novas fases da operação podem ser deflagradas nos próximos dias.
Os investigadores pretendem identificar outros possíveis envolvidos, tanto dentro da Light quanto em organizações criminosas externas. A ligação com a facção TCP sugere que o roubo pode fazer parte de uma rede maior de comércio ilícito de cobre, que já movimenta toneladas de material em todo o país.
Até o momento, 25 funcionários da concessionária estão sob investigação. O desdobramento de casos semelhantes, que somam mais de dois quilômetros de cabos de cobre furtados em diferentes regiões, está sendo considerado como parte de um esquema coordenado.
Especialistas em segurança de infraestruturas elétricas recomendam a adoção de tecnologias de rastreamento por RFID, aumento de vigilância em pontos críticos e auditorias regulares de inventário. Tais medidas podem reduzir a vulnerabilidade a furtos e melhorar a resposta rápida em situações de emergência.
Enquanto isso, a comunidade de Botafogo aguarda a normalização completa do fornecimento de energia e a conclusão das investigações, que prometem esclarecer a extensão do crime e garantir justiça para os responsáveis.








