Dados oficiais da Presidência da República revelaram que o banqueiro Daniel Vorcaro participou de, pelo menos, duas reuniões no Palácio do Planalto, acompanhadas pelo operador de esquema Júlio Cezar. Os encontros ocorreram em março e abril de 2024, dentro do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula. As informações foram corroboradas por registros de controle de acesso e mensagens de celular obtidas pela Polícia Federal.
Primeiro encontro registrado
No dia 1º de março de 2024, às 14h33, o sistema de segurança do Planalto registrou a entrada simultânea de Vorcaro e Júlio Cezar. O encontro foi descrito pelo próprio Vorcaro em uma proposta de delação que, embora rejeitada pela PF e pela PGR, traz detalhes sobre a conversa.
Segundo o banqueiro, a reunião contou também com a presença do ministro Alexandre Padilha, do assessor Olavo Noleto, de Fernando e do primo de Olavo. Vorcaro relatou que Padilha ouviu mais do que falou, mas deixou claro que qualquer negociação com Olavo seria tratada como se fosse feita diretamente com ele.
Após esse primeiro contato, Vorcaro afirmou que recebeu Júlio, Olavo e o primo deste último em sua residência para uma conversa reservada. Nessa reunião, os participantes teriam discutido um esquema para acessar os fundos de pensão Previ, Petros e Postalis mediante o pagamento de propina equivalente a 10 % de tudo o que o Banco Master captasse.
Detalhes das negociações e valores
O plano descrito por Vorcaro previa a captação de até 10 bilhões de reais nos cofres de fundos de pensão de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Em troca, o grupo ligado ao ministro Padilha receberia 1 bilhão de reais, correspondente a 10 % do total captado pelo Banco Master.
Na proposta de delação, Vorcaro mencionou que Júlio Cezar recebeu um sinal de propina de 500 mil reais, pago por meio de um contrato de fachada com outra empresa. O banqueiro chegou a apresentar supostos recibos de propina aos investigadores, mas a PF e a PGR descartaram o caso por falta de provas suficientes.
- Valor total estimado para captação: até R$ 10 bilhões
- Propina prevista para o grupo de Padilha: R$ 1 bilhão
- Sinal de propina pago a Júlio Cezar: R$ 500 mil
Esses números revelam a magnitude do suposto esquema e a suposta aliança entre o setor financeiro privado e agentes ligados ao governo federal para desviar recursos de fundos de pensão.
Segundo encontro e a sequência de mensagens
O controle de acesso indica que Vorcaro e Júlio Cezar retornaram ao Palácio do Planalto no dia 3 de abril de 2024, às 17h29. Essa segunda visita ocorreu após intensas trocas de mensagens entre o banqueiro e o lobista, que organizavam a agenda e confirmavam a presença da “turma”.
Em mensagens datadas de 28 de março, Júlio questionou Vorcaro sobre a necessidade de deslocamento a Brasília, ao que o banqueiro respondeu que a viagem seria exclusivamente para aquela reunião. Poucos dias depois, Vorcaro cobrou resultados e pediu que a agenda fosse remarcada para quarta‑feira, recebendo a confirmação imediata de que tudo seria ajustado.
A coordenação das reuniões demonstra um esforço coordenado para garantir a presença de todos os envolvidos no mesmo dia, facilitando a negociação dos termos do suposto esquema. O padrão de comunicação evidencia a importância que o operador atribuiu ao encontro, tratando‑o como um ponto crucial para avançar nas negociações.
Embora as investigações ainda não tenham produzido provas conclusivas que levem a processos criminais, os registros de acesso ao Palácio do Planalto e as mensagens de celular constituem evidências materiais que reforçam as alegações feitas por Vorcaro em sua proposta de delação. O caso continua sob observação de autoridades e da imprensa, que acompanham de perto possíveis desdobramentos.








