As remessas globais de smartphones despencaram 20% no terceiro trimestre de 2026, segundo a Counterpoint Research. O declínio, registrado em todo o mundo, representa o menor volume para um trimestre desse tipo desde 2012. A queda reflete a combinação de escassez de chips de memória e aumento de preços.
Queda histórica nas remessas globais
A pesquisa da Counterpoint mediu os dispositivos enviados pelas fabricantes para lojas e distribuidores, não as compras efetivas dos consumidores. Essa métrica permite avaliar a saúde da cadeia de abastecimento, que neste trimestre mostrou sinais de forte retração.
Comparado ao mesmo período de 2025, o volume caiu 20%, o que supera a redução de 11% observada entre abril e junho. Esse recuo coloca o terceiro trimestre de 2026 como o pior desde 2012, quando o mercado ainda enfrentava crises de produção.
Os principais fatores apontados são:
- Elevação dos preços das memórias RAM e de armazenamento, que encareceram a fabricação.
- Redução da oferta de componentes críticos devido a gargalos nas fábricas de semicondutores.
- Passagem dos custos adicionais para os consumidores, que adiaram a compra de novos aparelhos.
O preço médio dos smartphones no varejo global subiu cerca de 20% em 2026, segundo a mesma consultoria. Esse aumento pressionou ainda mais a decisão de troca dos usuários, que passaram a considerar opções recondicionadas ou a prolongar o uso dos aparelhos atuais.
Impactos no mercado brasileiro
No Brasil, a Counterpoint registrou queda de 11% nas remessas de smartphones no primeiro semestre de 2026 em relação ao ano anterior. O relatório nacional, divulgado em setembro, cobre o período de janeiro a junho, diferente do levantamento global mais recente.
Os analistas relacionam a retração brasileira ao encarecimento das memórias, à diminuição da produção local e ao comportamento mais cauteloso dos consumidores. Samsung e Motorola, responsáveis por 73% das remessas no semestre, sentiram o impacto de forma mais aguda.
Um exemplo concreto foi o aumento de preço do Galaxy A07 4G de 256 GB, que dobrou de valor na loja oficial da Samsung, sem contar promoções. Esse caso ilustra como o custo dos componentes se transfere diretamente ao preço final ao consumidor.
Além disso, a perspectiva para o ano completo indica a possibilidade de uma redução de dois dígitos no mercado brasileiro, caso a tendência de alta nos custos persista.
Perspectivas e desafios para 2026
No cenário global, a Samsung manteve a liderança com 23% das remessas, embora seu volume tenha caído 3% em relação ao ano anterior. A Apple, por sua vez, avançou para 22% de participação, marcando a maior fatia já registrada em um terceiro trimestre.
Mesmo com a posição de destaque, ambas as marcas enfrentam o desafio de equilibrar rentabilidade e competitividade de preços. A estratégia de ajustar catálogos, focando em modelos de maior margem, tem sido adotada para mitigar a pressão dos custos.
A Counterpoint alerta que a recuperação dos volumes é improvável antes de uma melhora significativa nos custos dos componentes. Até lá, os consumidores deverão continuar postergando a troca de aparelhos e buscando alternativas mais econômicas.
Para os varejistas, a recomendação é reforçar campanhas de venda de dispositivos recondicionados e oferecer opções de financiamento mais atrativas, de modo a manter o fluxo de vendas diante da desaceleração.
Em síntese, o mercado de smartphones atravessa um período de ajuste profundo, impulsionado por fatores externos à demanda final. A evolução dos preços das memórias e a capacidade de produção dos fornecedores serão determinantes para reverter o cenário de queda.








