Uma nova pesquisa da Real Time Big Data, divulgada na terça‑feira, 20 de outubro, revelou os índices de rejeição a dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial, a cinco dias da votação. O levantamento abrange todo o território nacional e foi realizado entre 15 e 19 de outubro, com 2 mil eleitores entrevistados por telefone. Os resultados mostram que 35 % dos entrevistados rejeitam o atual presidente e 33 % rejeitam o senador Flávio Bolsonaro.
Rejeição individual dos candidatos
Os números de rejeição individual foram quase equivalentes, com diferença de apenas dois pontos percentuais. Enquanto 35 % dos eleitores afirmam que não votariam no presidente, 33 % expressam a mesma recusa em relação ao senador. Essa proximidade indica que ambos os candidatos enfrentam resistência semelhante entre o eleitorado.
A margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, reforça a ideia de que os índices são estatisticamente indistinguíveis. Dentro desse intervalo, a rejeição ao presidente poderia variar entre 33 % e 37 %, e a do senador entre 31 % e 35 %. Portanto, a diferença de dois pontos não pode ser considerada decisiva.
Do ponto de vista estratégico, a rejeição individual tem implicações diferentes para cada campanha. O presidente, ao liderar levemente o índice de rejeição, ainda precisa trabalhar a imagem para reduzir o número de eleitores que descartam sua candidatura. Por outro lado, o senador deve buscar ampliar sua base, já que a rejeição está próxima ao patamar do adversário.
Rejeição simultânea e seu peso
Um aspecto que chama atenção é a rejeição simultânea a ambos os candidatos, que atinge 28 % dos entrevistados. Esse percentual representa quase um terço do eleitorado que não vê alternativa viável entre os dois nomes em disputa. O restante, 4 %, declarou não rejeitar nenhum dos candidatos, indicando um pequeno grupo de eleitores ainda aberto a ambas as opções.
- 28 % rejeitam tanto o presidente quanto o senador;
- 4 % não rejeitam nenhum dos dois;
- 68 % rejeitam ao menos um dos candidatos.
A pesquisa não cruzou a rejeição dupla com a intenção de voto, o que impede afirmar como esses eleitores se posicionarão nas urnas. Eles podem optar por voto branco, nulo, indecisão ou ainda mudar de opinião nos próximos dias.
Entretanto, a presença de um bloco tão expressivo de eleitores indecisos ou descontentes pode influenciar a dinâmica das campanhas, que tendem a intensificar mensagens de reconciliação ou a atacar pontos vulneráveis dos adversários.
Intenção de voto e cenário eleitoral
Quando as perguntas de intenção de voto foram analisadas separadamente, Flávio Bolsonaro obteve 48 % de apoio, enquanto Lula registrou 45 %. Os eleitores que declararam voto em branco ou nulo somaram 5 %, e 2 % não souberam ou não responderam.
Nos votos válidos, a vantagem de Flávio sobe para 52 % contra 48 % de Lula, indicando que, ao excluir os brancos e nulos, o senador lidera a disputa. Essa diferença ainda está dentro da margem de erro, mas aponta para um cenário competitivo.
A pesquisa também revelou que 93 % dos entrevistados afirmam ter a decisão de voto já tomada, deixando apenas 7 % que ainda consideram mudar de escolha. Esse alto nível de definição sugere que as campanhas têm pouco espaço para influenciar eleitores que ainda estão indecisos.
Perfil dos eleitores e conclusões
Entre os eleitores que apoiam Flávio, 94 % dizem que não mudariam de ideia, 4 % consideram que dificilmente mudariam e 2 % admitiram a possibilidade de migrar para Lula. Já entre os apoiadores de Lula, 90 % mantêm firme a decisão, 7 % dizem que dificilmente mudariam e 3 % poderiam considerar votar no senador.
Esses números revelam uma leve diferença de fidelidade entre as bases, com o candidato à presidência apresentando um contingente um pouco mais volátil. A pequena parcela de eleitores que consideram mudar de lado pode ser decisiva em um pleito tão apertado.
A pesquisa foi conduzida por telefone, com entrevistadores humanos, garantindo contato direto com os respondentes. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02952/2026, o que assegura a transparência dos dados.
Em síntese, a Real Time Big Data aponta um cenário de alta rejeição a ambos os candidatos, com 28 % dos eleitores rejeitando simultaneamente. Enquanto a intenção de voto favorece ligeiramente Flávio, a diferença está dentro da margem de erro, e a maioria dos eleitores já afirma ter decidido seu voto. Os próximos dias serão decisivos para que as campanhas ajustem suas estratégias e tentem conquistar os eleitores ainda indecisos ou insatisfeitos.








