Na manhã de 6 de outubro de 2024, o Ministério da Saúde do Quênia confirmou o primeiro caso de Ebola em território nacional. O paciente, cidadão queniano que havia passado sete anos na República Democrática do Congo (RDC), faleceu logo após ser internado em Nairóbi. O anúncio foi feito em coletiva de imprensa, onde o ministro Aden Duale pediu que a população mantivesse a calma.
Como o caso foi identificado
O homem chegou ao Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, em Nairóbi, no sábado, 3 de outubro, após uma viagem que incluiu passagem por Kampala, capital de Uganda. Na chegada, ele passou pela triagem sanitária e, apesar de apresentar febre, os sintomas foram inicialmente atribuídos a outra condição.
Família e um amigo conduziram o paciente diretamente ao Nairobi Hospital, onde os médicos notaram sinais de sangramento sob a pele e calafrios intensos. Após a realização de exames laboratoriais, o diagnóstico de Ebola foi confirmado.
O diretor‑geral da Saúde, Patrick Amoth, sugeriu que o uso de medicamentos pré‑existentes pode ter mascarado os sinais típicos da doença durante a triagem no aeroporto, dificultando a detecção precoce.
Rastreamento de contatos e medidas de contenção
Imediatamente após a confirmação, as autoridades mapearam 28 pessoas que tiveram contato direto com o paciente, incluindo familiares, acompanhantes e profissionais de saúde que o atenderam no hospital.
Além desses, foram identificados 23 passageiros e quatro tripulantes que estavam a bordo do voo Uganda‑Nairóbi no mesmo período. Todos esses indivíduos foram colocados em monitoramento ativo por 21 dias, conforme protocolos internacionais.
- 28 contatos diretos: monitoramento diário de temperatura e avaliação clínica.
- 27 passageiros e tripulantes: isolamento preventivo e testes de PCR para Ebola.
- Equipe hospitalar: uso obrigatório de equipamentos de proteção individual (EPI) reforçado.
O Ministério da Saúde destacou que o país mantém um nível elevado de preparação desde o início do surto regional, com laboratórios equipados para diagnóstico rápido e unidades de isolamento prontas para receber novos casos.
Contexto regional do surto
O caso queniano está diretamente ligado ao surto que se espalha no leste da RDC, onde a variante Bundibugyo, uma forma rara do vírus Ebola, tem causado mais de 8 mil infecções e cerca de 4 mil óbitos desde o seu surgimento.
Uganda, que também enfrentou casos ao longo do ano, foi declarada livre da doença em agosto de 2024, após intensas campanhas de vacinação e rastreamento de contatos.
O fluxo constante de pessoas entre a RDC, Uganda e o Quênia aumenta o risco de importação de casos, razão pela qual as fronteiras foram reforçadas com equipes de vigilância sanitária e pontos de controle adicionais.
Especialistas apontam que a mobilidade humana, combinada com a presença de mercados de animais silvestres, cria um ambiente propício para a transmissão de zoonoses como o Ebola.
Orientações do governo e recomendações à população
Em entrevista coletiva, o ministro Aden Duale enfatizou que as estruturas necessárias para conter a doença já estão operacionais e que a população deve seguir as recomendações das autoridades de saúde.
Ele reiterou a mensagem: “Não entrem em pânico”, e orientou que qualquer pessoa com febre, sangramento inexplicável ou sintomas gripais persistentes procure imediatamente um centro de saúde.
As recomendações específicas incluem:
- Evitar contato direto com sangue ou fluidos corporais de pessoas doentes.
- Lavar as mãos com água e sabão por, no mínimo, 20 segundos.
- Usar máscara facial em ambientes fechados ou com aglomeração.
- Manter distância de pelo menos um metro de indivíduos que apresentem sintomas.
As autoridades também reforçaram a importância de não divulgar informações não verificadas nas redes sociais, para evitar a propagação de boatos que possam gerar medo desnecessário.
O governo está ampliando a campanha de comunicação, com anúncios em rádio, televisão e plataformas digitais, destacando os canais oficiais para esclarecimentos.
Além disso, o Ministério da Saúde está trabalhando em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros internacionais para garantir o abastecimento de kits de diagnóstico, vacinas experimentais e suprimentos de EPI.
Até o momento, não há indícios de transmissão comunitária no Quênia, e as medidas de contenção parecem estar funcionando de forma eficaz.
Os profissionais de saúde continuam em alerta máximo, realizando treinamentos regulares sobre protocolos de biossegurança e manejo de casos suspeitos.
Em resumo, o primeiro caso de Ebola no Quênia serviu como um alerta precoce, mas também como prova da capacidade do país de responder rapidamente a emergências de saúde pública.
Com a vigilância reforçada nas fronteiras, o monitoramento rigoroso de contatos e a comunicação transparente com a população, as autoridades esperam conter a propagação do vírus e proteger a saúde dos cidadãos quenianos.








