Até o dia 22 de setembro de 2024, os seis principais candidatos à Presidência da República já registraram mais de R$ 10 milhões em doações de pessoas físicas, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações foram divulgadas publicamente no portal da Justiça Eleitoral, permitindo analisar a origem dos recursos e os perfis dos doadores. O levantamento detalha as contribuições recebidas por Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury, Renan Santos e Romeu Zema.
Perfil dos doadores de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro tem sua base de apoio concentrada em empresários e produtores rurais do sul do país. A família Verdi, controladora do Grupo Rodobens, enviou R$ 300 mil, o que representa uma das maiores doações individuais ao candidato.
Além da Verdi, executivos da indústria têxtil também contribuíram de forma significativa. O CEO da Vicunha Têxtil, Marco Antônio Branquinho Junior, e o diretor de Novos Negócios, Marcel Yoshimi Imaizumi, repassaram R$ 225 mil em conjunto.
- Erasmo Carlos Battistella – CEO da Be8 – doou R$ 500 mil, a maior quantia individual registrada para Flávio Bolsonaro.
- Família Verdi – R$ 300 mil.
- Executivos da Vicunha Têxtil – R$ 225 mil.
Esses aportes revelam um padrão de financiamento que privilegia setores de agroindústria e manufatura, refletindo a estratégia de campanha voltada para eleitores do interior e do meio rural.
Doações recebidas por Lula e seu caráter de financiamento
Lula apresenta um perfil de doadores mais diversificado, combinando contribuições de pessoas próximas ao governo, prestadores de serviços e acadêmicos. O candidato recebeu a mesma doação de R$ 500 mil feita por Erasmo Carlos Battistella, que também apoiou Flávio Bolsonaro.
Entre as prestações de serviço, destaca‑se o cantor gospel Kleber Lucas, que cobrou R$ 30 mil pela produção de jingle e clipe para a campanha. Essa forma de doação, em que o valor corresponde a um serviço, é comum em campanhas de grande alcance mediático.
Doadores institucionais incluem figuras do governo, como o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e coordenadores internos, como Marco Aurélio de Carvalho.
- Prestação de serviço – Kleber Lucas (jingle e clipe) – R$ 30 mil.
- Luiz Marinho – apoio institucional.
- Marco Aurélio de Carvalho – coordenador de campanha.
Além disso, acadêmicos também contribuíram. O professor Rabih Nasser, da Fundação Getúlio Vargas, e a doutoranda Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães, da USP, doaram entre R$ 15 mil e R$ 50 mil cada, demonstrando apoio intelectual e de pesquisa ao programa de governo.
Grandes aportes a Ronaldo Caiado e Augusto Cury
Ronaldo Caiado registrou a maior doação individual de pessoa física a um presidenciável: o jurista e empresário Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso doou impressionantes R$ 2,3 milhões. Essa quantia supera todas as demais somadas e evidencia a força de apoio de setores ligados ao mercado imobiliário e jurídico.
Além do aporte recorde, Caiado recebeu contribuições de membros da própria equipe de campanha, como o coordenador Aldo Rebelo, e do ex‑deputado federal Roberto Brant, que participou da elaboração do plano de governo.
- Carlos Eduardo Ferraz de Mattos Barroso – R$ 2,3 milhões.
- Aldo Rebelo – apoio interno.
- Roberto Brant – consultoria de plano de governo.
Augusto Cury, por sua vez, financiou a própria campanha com mais de R$ 100 mil, consolidando a prática de candidatos que investem recursos pessoais. Os segundos maiores contribuidores foram o empresário Jangiê Diniz e Wilson de Matos Silva, reitor de universidade na qual Cury foi sócio.
Um serviço de coordenação financeira foi declarado por Sergio Adriano Soares Vita, avaliado em R$ 35 mil, indicando a presença de profissionais especializados no gerenciamento de recursos de campanha.
- Jangiê Diniz – apoio empresarial.
- Wilson de Matos Silva – apoio acadêmico.
- Sergio Adriano Soares Vita – serviço de coordenação financeira – R$ 35 mil.
Financiamento coletivo e outras fontes: Renan Santos e Romeu Zema
Renan Santos construiu a maior parte de sua arrecadação por meio de financiamento coletivo, atingindo R$ 2 milhões em vaquinhas eleitorais. Essa estratégia digital mobilizou pequenos doadores em todo o país, reforçando a imagem de candidato “povo”.
Além das vaquinhas, Santos recebeu doações de R$ 50 mil dos filhos do ex‑presidente do Banco Safra, José Olympio Pereira, e de Danilo Julio Gatto, presidente da Cooperativa Agrícola de Unaí, em Minas Gerais.
- Financiamento coletivo – R$ 2 milhões.
- Filhos de José Olympio Pereira – R$ 50 mil.
- Danilo Julio Gatto – R$ 50 mil.
Romeu Zema, governador de Minas Gerais, contou com o apoio dos irmãos Hélio e Salo Davi Seibel, antigos donos do Grupo Ligna, que hoje opera como HS Investimentos. Juntos, os irmãos doaram R$ 100 mil.
Além desse aporte, Zema recebeu R$ 200 mil de Renato Ribeiro Machado, conselheiro de administração e acionista da U&M Mineração e Construção, reforçando a ligação do candidato com o setor de mineração.
- Hélio e Salo Davi Seibel – R$ 100 mil.
- Renato Ribeiro Machado – R$ 200 mil.
O panorama geral demonstra que, embora todos os candidatos tenham ultrapassado a marca de R$ 10 milhões em doações, os perfis dos financiadores variam consideravelmente. Enquanto alguns dependem de grandes empresários e doações pontuais, outros apostam em campanhas de massa e financiamento coletivo. Essa diversidade de fontes reflete não apenas a estratégia de campanha, mas também a relação entre política e setores econômicos no Brasil contemporâneo.








