Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra viu sua popularidade entre as mulheres despencar nas pesquisas divulgadas nesta quarta‑feira, 23 de março, após a divulgação de um vídeo que gerou forte repercussão nas redes sociais. O levantamento da Quaest mostrou que, no primeiro turno, a candidata perdeu dois pontos, enquanto seu principal rival, João Campos, avançou a mesma margem.
Queda nas intenções de voto entre as eleitoras
Quando analisamos apenas o universo feminino, a diferença entre os dois candidatos aumenta para quase dez pontos percentuais. As mulheres de Pernambuco apontam João Campos com 43% das intenções de voto, contra 34% de Raquel Lyra. No levantamento anterior, a disputa era quase equilibrada, com 39% a favor de Campos e 38% a favor da governadora.
Essa variação ocorreu dentro da margem de erro de três pontos, mas o recuo de Lyra entre as eleitoras é significativo porque se trata da única fatia do eleitorado que registrou queda nos últimos dias. Nos homens, os números permaneceram estáveis, indicando que a reação está concentrada no público feminino.
O vídeo que gerou a polêmica
O ponto de inflexão da campanha foi a publicação de um vídeo no final de semana passado, coincidente com o início da coleta de dados da pesquisa. No material, Raquel Lyra sugere que uma mulher pobre, mãe de sete filhos e gestante do oitavo, fosse submetida a uma laqueadura sem o consentimento da paciente. A prática, além de ser antiética, configura crime segundo a legislação brasileira.
O conteúdo provocou indignação nas redes sociais, sobretudo entre grupos de defesa dos direitos das mulheres e de saúde reprodutiva. Vários usuários denunciaram o caso nas plataformas digitais, e a hashtag #LaqueaduraSemConsentimento ganhou grande tração.
- Reação nas redes: milhares de comentários e compartilhamentos.
- Denúncias formais: organizações de direitos humanos abriram procedimentos investigativos.
- Impacto na campanha: a governadora passou a ser alvo de críticas em debates e entrevistas.
Além da repercussão online, o vídeo chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que registrou a pesquisa sob o código PE-05671/2026. Ainda não há decisões judiciais sobre possíveis sanções, mas o caso está sendo monitorado por órgãos de fiscalização eleitoral.
Análise dos especialistas e projeções para o segundo turno
Felipe Nunes, cientista político e diretor da Quaest, afirmou que a queda de quase dez pontos entre as mulheres tem relação direta com a dinâmica provocada pelo vídeo. “As mulheres estão reagindo de forma contundente. No comparativo com os homens, não há variação; a estabilidade permanece”, destacou.
Para o segundo turno, a pesquisa indica um leve recuo da governadora, que sobe para 43% das intenções de voto, enquanto João Campos registra 41%. Embora o empate técnico persista, a tendência aponta para um cenário mais desfavorável a Lyra, especialmente se a controvérsia continuar a repercutir.
Analistas de comunicação sugerem que a campanha de Raquel Lyra precisará de uma estratégia de reconstrução de imagem, focada em diálogo com o público feminino e em ações de transparência. Entre as recomendações estão:
- Realizar um pedido público de desculpas e esclarecer os fatos.
- Promover encontros com lideranças femininas para ouvir demandas.
- Reforçar políticas públicas voltadas à saúde materna e à autonomia reprodutiva.
Enquanto isso, João Campos tem capitalizado a situação, reforçando seu posicionamento em defesa dos direitos das mulheres e prometendo medidas que evitem abusos semelhantes. Seu discurso tem encontrado eco em eleitores que buscam maior responsabilidade ética na classe política.
O cenário eleitoral em Pernambuco permanece incerto, mas a pesquisa da Quaest deixa claro que o episódio do vídeo pode ser decisivo na definição do resultado final. A governadora terá que enfrentar não apenas o desafio de reconquistar o apoio feminino, mas também de manter a confiança dos demais eleitores em meio a um clima de desconfiança crescente.








