No segundo trimestre de 2024, o agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial, representando uma queda de 20,7% em relação ao mesmo período de 2023. O recuo marca a primeira diminuição para um segundo trimestre desde 2022, segundo a Serasa Experian. Os números refletem um cenário ainda desafiador, mas sinalizam uma leve melhora no endividamento dos produtores rurais.
Cenário geral do agronegócio
O indicador reúne solicitações feitas por produtores rurais pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva. No primeiro trimestre de 2024, foram contabilizados 474 pedidos, o que significa uma redução de 5,5% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Comparado ao trimestre anterior, o número de pedidos caiu 5,3%, reforçando a tendência de desaceleração.
Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, alertou que a queda deve ser analisada com cautela. Ele ressaltou que o ambiente continua pressionado por custos elevados, como insumos e energia, e por um crédito mais seletivo por parte das instituições financeiras. “É fundamental monitorar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres”, afirmou o especialista.
Distribuição regional e por atividade
O Mato Grosso manteve a liderança nacional em número de pedidos, com 107 registros, seguido por Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42). Esses cinco estados concentram mais da metade dos casos, refletindo a importância das regiões produtoras de grãos e da pecuária.
- Mato Grosso – 107 pedidos
- Goiás – 84 pedidos
- São Paulo – 72 pedidos
- Minas Gerais – 54 pedidos
- Paraná – 42 pedidos
Quanto à atividade econômica, o cultivo de soja liderou com 70 solicitações, seguido pela criação de bovinos, que somou 28 pedidos. Outras culturas, como milho e algodão, apresentaram números muito menores, indicando que a pressão de inadimplência está mais concentrada nas cadeias de produção de maior valor agregado.
- Soja – 70 pedidos
- Bovinos – 28 pedidos
- Outras culturas – menos de 10 pedidos cada
Análise por perfil de produtor e perspectivas futuras
Os produtores rurais pessoa física registraram 197 pedidos, queda de 10,5% em relação ao segundo trimestre de 2023. Já os produtores pessoa jurídica apresentaram redução ainda mais acentuada, com 160 solicitações, equivalente a 34,2% a menos que no mesmo período do ano passado.
Ao segmentar por porte, a categoria “sem propriedades” – que inclui arrendatários e pequenos operadores sem terra própria – concentrou 70 pedidos. Os grandes proprietários responderam com 51 solicitações, enquanto os pequenos e médios produtores contabilizaram 39 e 37 pedidos, respectivamente.
- Sem propriedades – 70 pedidos
- Grandes proprietários – 51 pedidos
- Pequenos produtores – 39 pedidos
- Médios produtores – 37 pedidos
Esses dados sugerem que a crise de crédito afeta de forma diferente os diversos perfis de produtores. Enquanto os grandes proprietários ainda contam com maior acesso a linhas de financiamento, os pequenos e arrendatários sentem mais o aperto das condições de crédito restritivas. A tendência pode levar a uma consolidação de propriedades, com pequenos produtores buscando parcerias ou venda de ativos.
Especialistas recomendam que os agentes financeiros adotem políticas de renegociação mais flexíveis, especialmente para os segmentos mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, políticas públicas que reduzam custos de produção – como subsídios a insumos e incentivos à energia renovável – podem ajudar a estabilizar o fluxo de caixa dos produtores e evitar novos pedidos de recuperação.
O acompanhamento contínuo desses indicadores será crucial para entender se a queda observada é apenas um efeito temporário ou sinal de uma recuperação mais profunda do setor. A Serasa Experian continuará divulgando análises trimestrais, permitindo que investidores, gestores e autoridades públicas ajustem suas estratégias de acordo com a evolução do cenário.








