Na terça‑feira, 3 de novembro de 2026, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, tentou intervir diretamente nas eleições de meio de mandato, tanto na Califórnia quanto no Alasca. A medida representa uma ruptura histórica com a prática de evitar a percepção de uso político da justiça federal.
Intervenções do DOJ na Califórnia
O órgão federal apresentou uma ação judicial para anular cerca de 20 mil votos por correio, alegando que os eleitores não seriam cidadãos norte‑americanos. A acusação baseia‑se em registros de imigração que, segundo o DOJ, indicariam a presença de eleitores ilegais.
A Califórnia respondeu que já adotou procedimentos rigorosos para impedir a votação de não‑cidadãos e que o Departamento de Justiça não possui autoridade para bloquear ou invalidar votos já recebidos. O estado destacou que a legislação eleitoral estadual delega aos condados a responsabilidade de validar a elegibilidade dos eleitores.
Além da tentativa de anulação, o DOJ exigiu acesso a documentos internos de investigação criminal relacionados ao suposto voto irregular. A autoridade estadual recusou o pedido, argumentando que tal acesso violaria a confidencialidade das investigações em andamento.
- Solicitação de anulação de 20 mil votos
- Pedido de acesso a registros criminais
- Defesa da Califórnia baseada em leis estaduais
Os tribunais federais rejeitaram a ação, afirmando que o DOJ excedeu sua competência ao interferir em processos eleitorais estaduais. A decisão reforçou o princípio constitucional de que a administração das eleições cabe aos estados.
A disputa judicial no Alasca
No Alasca, o DOJ intensificou uma investigação criminal envolvendo um candidato ao Senado que compartilha o nome do atual senador republicano Dan Sullivan. O objetivo declarado era averiguar se a semelhança de nomes poderia confundir eleitores e alterar o resultado da eleição.
O departamento também tentou impedir a certificação dos resultados caso a margem de vitória fosse estreita, argumentando que uma investigação poderia ser necessária para garantir a integridade do voto. A juíza federal Sharon Gleason negou o pedido, indicando que a medida comprometeria o sigilo do voto.
Apesar da rejeição, o DOJ recorreu da decisão, mantendo viva a possibilidade de nova intervenção antes da certificação final. Especialistas jurídicos alertaram que tal postura poderia ser vista como favorecimento ao candidato em exercício.
- Investigação de possível confusão de nomes
- Tentativa de suspender a certificação dos resultados
- Recurso da decisão judicial
O caso do Alasca tornou‑se um ponto focal para debates sobre a extensão da autoridade federal em disputas eleitorais locais, especialmente quando há alegações de manipulação ou fraude.
Implicações políticas e críticas ao DOJ
Analistas políticos apontam que a intervenção do DOJ pode acelerar estratégias de Trump para questionar a legitimidade das eleições de meio de mandato, que determinarão o controle do Congresso. Se o partido republicano perder a maioria, a agenda legislativa de Trump poderá enfrentar resistência ainda maior.
O advogado‑geral dos EUA, Todd Blanche, defende que as ações são legais e visam proteger a integridade do voto. No entanto, críticos argumentam que a motivação política supera qualquer preocupação genuína com fraude eleitoral.
Estudos independentes e auditorias estaduais continuam a confirmar que a fraude eleitoral nos Estados Unidos é extremamente rara. A retórica de Trump sobre fraude generalizada nas eleições de 2020 permanece desacreditada entre especialistas.
Durante seu primeiro mandato, o DOJ se recusou a ser usado como ferramenta política nas inúmeras ações judiciais movidas por grupos alinhados a Trump após a derrota de 2020. Essa postura mudou significativamente sob a atual administração.
Historicamente, as intervenções do DOJ em eleições concentravam‑se na aplicação de leis federais para garantir que minorias e populações vulneráveis tivessem acesso ao voto. A mudança de foco para supostas irregularidades envolvendo não‑cidadãos marca uma nova era de politização da justiça federal.
O caso da Califórnia ilustra como o governo federal pode tentar influenciar estados que tradicionalmente são considerados bastiões democratas. Já o Alasca demonstra que mesmo estados com pouca população podem se tornar campos de batalha jurídicos intensos.
Observadores internacionais acompanham de perto esses desenvolvimentos, temendo que a erosão da separação entre poderes possa enfraquecer a confiança nas instituições democráticas americanas.
Para os eleitores, a mensagem é clara: a disputa não se limita aos candidatos, mas se estende às próprias estruturas que garantem a lisura do processo eleitoral. Cada ação judicial pode criar precedentes que moldarão futuras eleições.
Em resumo, o Departamento de Justiça de Trump está adotando uma postura inédita ao tentar intervir diretamente nas eleições de meio de mandato, desafiando décadas de prática institucional. As decisões judiciais até agora têm limitado essa ambição, mas o recurso contínuo indica que a batalha legal está longe de terminar.








