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Propostas econômicas dos candidatos à Presidência em 2026: comparativo por tema

Com a corrida para o primeiro turno das eleições de 2026 se aproximando, os cinco principais candidatos à Presidência apresentam suas linhas de ação para a economia brasileira. Em documentos oficiais e entrevistas, Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema detalham o que pretendem fazer em relação às contas públicas, juros, endividamento das famílias, crescimento e produtividade.

Contas públicas e déficit fiscal

O equilíbrio das contas públicas volta a ser ponto central nos debates, já que o déficit primário registrado em agosto ultrapassou R$ 10 bilhões e o acumulado no ano chegou a R$ 88,9 bilhões. Os candidatos reconhecem que o aumento da dívida, que já representa 82,9% do PIB, exige medidas de contenção de gastos e aumento de arrecadação.

As propostas variam quanto à estratégia: Lula defende a ampliação de programas sociais vinculados a metas de desempenho, enquanto Flávio Bolsonaro propõe a revisão de benefícios fiscais e a criação de um fundo de estabilização fiscal. Ronaldo Caiado enfatiza a necessidade de privatizações seletivas e a revisão de contratos de concessões. Augusto Cury aposta em um programa de educação fiscal para reduzir a evasão, e Romeu Zema sugere a adoção de um teto de despesas obrigatórias.

  • Lula (PT): ampliar a arrecadação com tributação progressiva e fortalecer o programa de transferência de renda atrelado a metas de redução da pobreza.
  • Flávio Bolsonaro (PL): cortar benefícios fiscais considerados ineficazes e criar um fundo de reserva fiscal para amortizar choques econômicos.
  • Ronaldo Caiado (PSD): avançar nas privatizações de empresas estatais e renegociar concessões para melhorar a eficiência.
  • Augusto Cury (Avante): implementar campanhas de educação fiscal nas escolas e simplificar o processo de declaração de impostos.
  • Romeu Zema (Novo): instituir um teto de gastos fixo por cinco anos, com revisão anual baseada em indicadores de inflação e crescimento.

Analistas apontam que a credibilidade fiscal será decisiva para a queda da taxa Selic, já que juros altos são reflexo da percepção de risco pelos investidores.

Política de juros e crédito

O custo do crédito ainda pesa sobre empresas e consumidores, especialmente em um cenário de juros de longo prazo acima de 13% ao ano. Cada candidato apresenta um plano distinto para a política monetária, embora reconheçam a dependência do Banco Central.

Lula propõe um pacto com o BC para reduzir gradualmente a Selic, condicionando a queda ao cumprimento de metas fiscais. Flávio Bolsonaro, por sua vez, defende a manutenção de juros mais altos até que a inflação esteja firmemente controlada, argumentando que a estabilidade de preços protege o poder de compra.

Ronaldo Caiado sugere a criação de linhas de crédito de longo prazo com juros subsidiados para setores estratégicos, como agronegócio e energia renovável. Augusto Cury propõe a ampliação de microcrédito com juros reduzidos para pequenos empreendedores. Romeu Zema quer incentivar a competição entre bancos ao abrir o mercado de crédito para fintechs, reduzindo assim as taxas médias.

  • Lula (PT): pactuar redução da Selic em 0,5 ponto percentual ao ano, desde que o déficit primário fique abaixo de 1% do PIB.
  • Flávio Bolsonaro (PL): manter a taxa Selic em patamar conservador até que a inflação esteja abaixo de 3% ao ano.
  • Ronaldo Caiado (PSD): criar crédito barato para agronegócio e energia limpa, com juros até 2 pontos abaixo do mercado.
  • Augusto Cury (Avante): ampliar microcrédito com juros de até 6% ao ano para empreendedores de baixa renda.
  • Romeu Zema (Novo): abrir o mercado de crédito a fintechs, incentivando a queda das taxas médias.

Especialistas alertam que a combinação de política fiscal responsável e estratégia de juros coordenada pode gerar um ambiente mais favorável ao investimento privado.

Endividamento das famílias e apostas online

O crescimento do endividamento familiar tem sido associado ao aumento das apostas online, que se tornaram legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023. Em 2025, o governo arrecadou quase R$ 9 bilhões em tributos sobre o setor, mas a popularização das plataformas também gerou preocupações de saúde pública.

Lula anunciou medida provisória para proibir apostas de quota fixa, jogos online e cassinos virtuais, argumentando que a medida faria parte de um pacote de combate ao endividamento. Flávio Bolsonaro defende a regulamentação mais rígida, com limites de depósito e campanhas de conscientização.

Caiado propõe a criação de um fundo de proteção ao consumidor que ofereça suporte psicológico a jogadores compulsivos. Cury sugere a inclusão de aulas de educação financeira nas escolas, abordando especificamente o risco das apostas. Zema propõe a taxação adicional de 5% sobre o faturamento das casas de apostas, destinando o recurso a programas de reabilitação.

  • Lula (PT): MP para banir apostas de quota fixa e cassinos virtuais até que o Congresso aprove a lei.
  • Flávio Bolsonaro (PL): limites de depósito diário de R$ 1.000 e obrigatoriedade de aviso de risco antes de cada aposta.
  • Ronaldo Caiado (PSD): fundo de proteção ao consumidor financiado por 2% da receita das apostas.
  • Augusto Cury (Avante): inserir educação financeira nas escolas, com foco em jogos de azar.
  • Romeu Zema (Novo): taxar 5% do faturamento das casas de apostas para programas de reabilitação.

Os críticos apontam que a proibição total pode empurrar jogadores para o mercado negro, dificultando a fiscalização e a proteção ao consumidor.

Crescimento econômico e produtividade

Para impulsionar o crescimento, os candidatos apresentam agendas que vão desde investimentos em infraestrutura até incentivos à inovação tecnológica. O Produto Interno Bruto tem apresentado recuperação tímida, mas ainda depende de reformas estruturais.

Lula quer ampliar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com foco em transporte ferroviário e energia limpa. Flávio Bolsonaro propõe a desburocratização de licenças ambientais para acelerar projetos de energia renovável.

Caiado destaca a importância de modernizar a cadeia produtiva do agronegócio, com tecnologia de precisão e acesso a crédito rural. Cury aposta em programas de capacitação profissional voltados para a economia digital. Zema defende a criação de zonas econômicas especiais com tributação reduzida para atrair investimento estrangeiro.

  • Lula (PT): ampliar o PAC, priorizando obras de transporte ferroviário e energia solar.
  • Flávio Bolsonaro (PL): simplificar licenças ambientais para projetos de energia renovável.
  • Ronaldo Caiado (PSD): investir em tecnologia de precisão no agronegócio e ampliar crédito rural.
  • Augusto Cury (Avante): criar programas de capacitação digital para jovens e trabalhadores informais.
  • Romeu Zema (Novo): estabelecer zonas econômicas especiais com impostos reduzidos para atrair FDI.

Especialistas concluem que a combinação de investimento público, ambiente regulatório favorável e desenvolvimento de capital humano será crucial para elevar a produtividade e gerar empregos sustentáveis nos próximos anos.

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