O projeto Rolezinho de Bengala, criado pela Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão da Prefeitura de Guarulhos, recebeu reconhecimento oficial do Governo do Estado de São Paulo na terça‑feira, 22 de julho de 2024. A iniciativa foi incluída no manual “Turismo Inclusivo e Competitividade no Estado de São Paulo”, que reúne as melhores práticas do país. O destaque foi concedido por sua capacidade de transformar a experiência turística de pessoas com deficiência visual.
Reconhecimento estadual
A publicação oficial do manual foi coordenada pelo Núcleo de Pesquisa em Economia e Administração do Turismo (NEAT) da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, em parceria com as secretarias estaduais dos Direitos da Pessoa com Deficiência e de Turismo e Viagens. Essa colaboração interinstitucional garante que as ações selecionadas atendam a critérios rigorosos de qualidade e impacto social.
O Rolezinho de Bengala foi escolhido entre mais de 300 iniciativas mapeadas em 227 municípios paulistas. A seleção considerou quatro pilares fundamentais: inovação, abrangência, protagonismo do público‑alvo e potencial de replicação. Cada um desses critérios foi analisado detalhadamente pelos avaliadores do NEAT.
- Inovação: o uso de bengalas adaptadas com tecnologia de áudio para guiar os participantes.
- Abrangência: cobertura de múltiplos pontos turísticos e culturais da cidade.
- Protagonismo: envolvimento direto das pessoas com deficiência visual na concepção dos roteiros.
- Potencial de replicação: modelo facilmente adaptável a outras cidades.
Ao ser incluído no manual, o Rolezinho de Bengala passa a servir de referência para gestores públicos, organizações da sociedade civil e empresas do setor turístico que buscam implementar práticas mais inclusivas.
Como funciona o Rolezinho de Bengala
Lançado em 2025, o projeto integra o programa Práticas Educativas de Inclusão Social (Peis), criado pela lei municipal nº 7.881/2020. O objetivo principal é oferecer roteiros culturais, turísticos e de lazer que possibilitem a autonomia de pessoas com deficiência visual.
Os participantes são convidados a inscrever-se por meio de um formulário online ou presencial nas unidades da Subsecretaria. Após a inscrição, recebem uma bengala equipada com sensores que emitem sinais sonoros, indicando a direção a seguir e pontos de interesse ao longo do trajeto.
Os guias do projeto são treinados em técnicas de orientação e mobilidade, além de possuir conhecimento aprofundado sobre a história e a arte dos locais visitados. Essa combinação de tecnologia e expertise humana cria uma experiência rica e segura.
Os roteiros são planejados para cobrir diferentes áreas da cidade, como parques, museus, centros culturais e praças históricas. Cada percurso tem duração média de duas a três horas, permitindo que os participantes explorem o ambiente sem pressa.
Para garantir a qualidade e a segurança, o projeto segue um protocolo de três etapas:
- Planejamento detalhado do trajeto, incluindo avaliação de obstáculos e pontos de apoio.
- Treinamento dos guias e teste das bengalas em ambiente controlado.
- Execução da visita guiada, com feedback imediato dos participantes.
Desde sua criação, o Rolezinho de Bengala já realizou mais de 40 visitas guiadas, envolvendo cerca de 500 participantes. Muitos relatos apontam que a experiência foi a primeira oportunidade de acessar espaços culturais após a perda da visão.
Impactos e perspectivas
O impacto social do projeto vai além da simples visita a pontos turísticos. Ele promove a reabilitação social, reforça a autoestima e estimula a integração das pessoas com deficiência visual à vida urbana.
Estudos internos indicam que 87% dos participantes relataram aumento da confiança ao transitar em ambientes públicos. Além disso, 73% afirmaram que o projeto incentivou a busca por outras atividades culturais independentes.
O reconhecimento estadual abriu portas para novas parcerias. A Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão já firmou acordos com instituições de ensino superior, empresas de tecnologia assistiva e organizações não‑governamentais para ampliar o alcance do programa.
Entre as metas para os próximos anos, está a expansão dos roteiros para bairros periféricos de Guarulhos, a inclusão de novas tecnologias de realidade aumentada sonora e a capacitação de mais guias voluntários.
Outra perspectiva importante é a replicação do modelo em outras cidades do interior paulista. O manual estadual recomenda que municípios adotem o Rolezinho de Bengala como referência, adaptando-o às suas realidades locais.
O sucesso do projeto também tem influenciado políticas públicas. A Secretaria de Direitos Humanos de Guarulhos, que abriga a Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, está avaliando a criação de um fundo municipal específico para financiar iniciativas de turismo inclusivo.
Em resumo, o Rolezinho de Bengala se consolidou como um exemplo de como a combinação de tecnologia, capacitação humana e apoio institucional pode transformar a experiência de pessoas com deficiência visual. Seu reconhecimento no cenário estadual reforça a importância de políticas públicas que priorizem a inclusão e a diversidade.
Com a visibilidade adquirida, o projeto tem potencial para inspirar outras cidades a adotarem práticas semelhantes, contribuindo para um turismo mais acessível e humano em todo o Brasil.








