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Profissionais fingem estar ocupados para driblar tarefas, revela pesquisa nacional

Uma pesquisa nacional realizada pela Heach Recursos Humanos mostrou que quase metade dos profissionais já fingiu estar ocupada para evitar novas demandas de trabalho. O levantamento, que contou com 2.487 entrevistados, foi divulgado em junho de 2024 e abrangeu diferentes setores da economia brasileira.

Contexto e metodologia da pesquisa

O estudo, intitulado “A Vida Secreta do Trabalhador Brasileiro”, investigou comportamentos relacionados à produtividade, à busca por novas oportunidades e à gestão do tempo durante o expediente. Foram analisados oito tipos de conduta que, normalmente, permanecem invisíveis aos gestores.

Os participantes responderam a um questionário online, garantindo anonimato e diversidade de perfis: desde recém‑formados até executivos com mais de 20 anos de carreira. A amostra incluiu trabalhadores do setor público, privado, comércio, serviços e indústria.

Principais comportamentos revelados

Os resultados apontam que 86,5% dos profissionais admitiram praticar ao menos um dos comportamentos investigados. Entre eles, os mais frequentes foram:

  • Busca por novo emprego sem comunicar a empresa atual: 69,4% (1.726 pessoas).
  • Realização de assuntos pessoais durante o horário de trabalho: 66,8%.
  • Participação em entrevistas para outras vagas no expediente: 54,7%.
  • Fingir estar trabalhando enquanto realizam atividade pessoal: 51,2%.
  • Fingir estar ocupados para evitar novas tarefas: 48,6% (1.209 pessoas).

Esses números revelam uma “zona invisível” na relação entre empregado e empregador, onde práticas cotidianas escapam ao monitoramento tradicional.

Implicações para a gestão de pessoas

Elcio Teixeira, CEO da Heach, destaca que os dados não devem ser interpretados como indicadores de “má conduta”, mas como sinal de que as empresas ainda desconhecem grande parte da dinâmica diária dos funcionários. Segundo ele, “as organizações sabem muito sobre aspectos cadastrais e de desempenho, mas pouco sobre a relação cotidiana entre indivíduo e trabalho”.

Essa lacuna pode gerar desconexão entre expectativas de produtividade e a realidade vivida nos escritórios. Quando quase metade dos entrevistados admite esconder a ocupação real, surge a necessidade de repensar métricas baseadas apenas em presença física ou tempo conectado.

Especialistas em cultura organizacional, como Louis Burlamaqui, apontam que a falta de confiança pode ser a raiz desse comportamento. “Quando o colaborador sente que seu esforço não é reconhecido ou que a vigilância é excessiva, ele tende a criar estratégias para proteger seu tempo e energia”, afirma.

Outros comportamentos críticos identificados

Além da manipulação do tempo de trabalho, a pesquisa trouxe dados sobre faltas e informações em processos seletivos:

  1. 39,7% já inventaram ou exageraram justificativas para atrasos ou ausências.
  2. 33,6% usaram atestado médico mesmo estando aptos a trabalhar.
  3. 29,4% omitem, exageram ou fornecem informações incorretas em currículos.

Essas práticas revelam que a transparência nas relações de trabalho ainda é um desafio no Brasil. Elas também apontam para a necessidade de políticas mais flexíveis e de comunicação aberta entre líderes e equipes.

Para Teixeira, buscar novas oportunidades sem comunicar a empresa atual faz parte da autonomia do trabalhador e, por si só, não configura irregularidade. Ele sugere que as empresas invistam em diálogos regulares sobre carreira e desenvolvimento, reduzindo a necessidade de “caçar” oportunidades às escondidas.

Como as empresas podem responder a esses insights

Uma abordagem recomendada é adotar ferramentas de gestão que considerem resultados e não apenas horas presenciais. Avaliações baseadas em metas, entregas e qualidade de entrega tendem a reduzir a pressão por “estar sempre ocupado”.

Outra estratégia é promover ambientes de confiança, onde o colaborador sinta segurança para discutir dificuldades pessoais ou profissionais. Programas de bem‑estar, políticas de home office e horários flexíveis podem diminuir a tentação de fingir ocupação.

Além disso, a transparência nos processos de recrutamento interno pode evitar que funcionários sintam necessidade de ocultar buscas por novas vagas. Quando há clareza sobre caminhos de carreira dentro da própria organização, a motivação tende a aumentar.

Por fim, investir em treinamento de gestores para reconhecer sinais de sobrecarga velada e oferecer suporte adequado pode transformar a “zona invisível” em um espaço de diálogo produtivo.

Conclusão: reflexões para o futuro do trabalho

Os números da Heach revelam que a relação entre empregado e empregador no Brasil ainda carrega muitas camadas ocultas. Embora 48,6% dos profissionais admitam fingir estar ocupados, isso não indica necessariamente insatisfação, mas sim uma distância entre o que vivenciam e o que podem expressar.

Para reduzir essa distância, as organizações precisam repensar métricas de produtividade, fortalecer a cultura de confiança e oferecer caminhos claros de desenvolvimento. Só assim será possível transformar comportamentos ocultos em oportunidades de melhoria mútua.

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