Em 1º de outubro de 2022, a pesquisa Datafolha divulgou os números que apontavam Luiz Inácio Lula da Silva com 50% dos votos válidos e Jair Bolsonaro com 36%, na véspera do primeiro turno da eleição presidencial. A sondagem foi realizada em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais, e se tornou referência para analistas políticos naquele momento.
Contexto da pesquisa de outubro de 2022
A entrevista foi feita com 12.800 eleitores, distribuídos entre as regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, garantindo representatividade proporcional à população. A margem de erro de ±2 pontos foi considerada confiável pelos especialistas, permitindo que partidos e candidatos ajustassem suas estratégias de campanha.
Além de Lula e Bolsonaro, a pesquisa trouxe resultados para os demais candidatos: Simone Tebet (MDB) com 6%, Ciro Gomes (PDT) com 5%, Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe d’Ávila (Novo) com 1% cada. Nos votos totais, que incluem brancos, nulos e indecisos, Lula registrou 48%, Bolsonaro 34%, Tebet 6% e Ciro 5%.
- Lula – 50% dos votos válidos
- Bolsonaro – 36% dos votos válidos
- Simone Tebet – 6%
- Ciro Gomes – 5%
- Outros candidatos – 1% a 2% cada
Os entrevistados foram questionados também sobre a certeza de sua escolha: 87% afirmaram estar decididos, 13% permaneciam indecisos e apenas 17% disseram que ainda poderiam mudar de candidato.
Desempenho real nas urnas
No dia 2 de outubro, quando a votação foi realizada, os resultados oficiais mostraram Lula com 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro alcançou 43,20%. A diferença entre os dois candidatos ficou em 5,23 pontos percentuais, muito abaixo da vantagem de 14 pontos apontada pela pesquisa.
O candidato do PT ficou 1,57 ponto percentual abaixo da projeção da pesquisa, já que a sondagem previa 50% de votos válidos. Por outro lado, Bolsonaro superou a expectativa em 7,2 pontos, chegando a 43,20% contra os 36% previstos.
Nenhum dos dois candidatos ultrapassou a metade dos votos válidos, o que exigiu a realização de um segundo turno. Essa situação reforçou a importância de analisar a margem de erro e a volatilidade do eleitorado nas semanas que antecedem a eleição.
Comparação entre pesquisa e resultado
A discrepância entre a pesquisa e o resultado final evidencia a limitação dos levantamentos de opinião quando são divulgados muito próximo ao dia da votação. A proximidade temporal pode gerar um efeito de “última hora”, em que eleitores indecisos ainda não se manifestaram ou mudam de opinião nos últimos dias.
Além disso, o cenário político de 2022 foi marcado por intensas campanhas nas redes sociais, debates televisivos e eventos de mobilização de base, fatores que podem ter influenciado a decisão dos eleitores após a publicação da pesquisa.
Ao comparar os números dos votos totais, a diferença também se mostrou significativa: enquanto a pesquisa mostrava Lula com 48% e Bolsonaro com 34%, na prática a diferença foi menor, mas ainda relevante para a dinâmica do segundo turno.
- Vantagem prevista para Lula: 14 pontos
- Vantagem real nas urnas: 5,23 pontos
- Desempenho de Bolsonaro acima da previsão: +7,2 pontos
Esses dados são úteis para futuros analistas, que podem ajustar metodologias de amostragem e considerar o impacto de eventos de última hora nas pesquisas eleitorais.
O que esperar da próxima sondagem de 2026
Quatro anos depois, o Datafolha manterá a estratégia de divulgar uma rodada nacional na véspera do primeiro turno. A nova pesquisa está marcada para 3 de outubro de 2026, um dia antes da votação, e contará com 4.006 entrevistas presenciais.
O levantamento será registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01708/2026, garantindo transparência e rastreabilidade dos dados. A margem de erro permanecerá em dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Especialistas esperam que a pesquisa de 2026 traga insights valiosos sobre a evolução do cenário político brasileiro, especialmente após os últimos ciclos eleitorais marcados por volatilidade e polarização.
Enquanto isso, partidos e candidatos já iniciam suas estratégias de comunicação, utilizando as informações preliminares para calibrar mensagens, segmentar públicos e planejar ações de mobilização de base.
Em resumo, a experiência de 2022 demonstra que, embora as pesquisas ofereçam uma fotografia importante do momento, elas não substituem a análise aprofundada das dinâmicas eleitorais que se desenvolvem nos dias que antecedem a votação.








