Na tarde de domingo, 25 de outubro de 2024, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, afirmou que a quantidade de ônibus disponibilizada na capital durante o segundo turno das eleições presidenciais foi superior à demanda dos passageiros. A declaração foi feita em Brasília, diante da casa onde o senador Flávio Bolsonaro acompanhava a apuração dos votos. O pronunciamento ocorre em meio a relatos de filas extensas, terminais lotados e veículos parados em várias regiões da cidade.
Contexto da decisão judicial e mobilização da prefeitura
A Justiça Eleitoral determinou, no sábado, 24 de outubro, que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans deveriam colocar 100% da frota regular de ônibus em circulação a partir das 13h10. O prazo curto exigiu que a SPTrans notificasse as empresas concessionárias às 13h32, o que, segundo o prefeito, dificultou a reorganização das escalas de trabalho e a mobilização de motoristas.
Ricardo Nunes explicou que a administração municipal recebeu a ordem judicial e que, em menos de 30 minutos, foram enviadas instruções para todas as concessionárias. Ele ressaltou que foram coletados mais de 200 registros – fotos, vídeos e gravações – em diferentes zonas da cidade para comprovar que a oferta de transporte era suficiente.
O prefeito ainda destacou que o Terminal Parque Dom Pedro II, considerado o mais movimentado da capital, aparecia vazio nas imagens feitas pela TV Globo durante a tarde. Segundo ele, nenhum ponto da cidade ficou sem ônibus, e todo o material seria disponibilizado à imprensa para verificação.
Relatos de usuários e problemas nas diferentes regiões
Apesar da avaliação oficial, os passageiros relataram dificuldades significativas. No Terminal Varginha, no extremo sul, moradores esperaram até três horas por um ônibus, enquanto em Santana, na zona norte, filas longas foram registradas. Na Vila Zilda, também na zona norte, alguns motoristas se recusaram a levar os passageiros até os locais de votação.
Em áreas como Jardim Ângela, na zona sul, e no entorno do Terminal Santana, veículos parados foram vistos por motoristas de carro que, em gesto solidário, ofereceram caronas a quem precisava. Um casal, por exemplo, parou o carro para transportar passageiros que aguardavam há mais de 40 minutos.
Um usuário que preferiu não se identificar contou ao g1 que saiu de casa para ajudar outros passageiros depois de ler notícias sobre a suposta redução da frota e da forte chuva que caiu naquele dia. Ele descreveu a cena: “Chegamos ao Terminal Santana por volta das 14h30, vimos filas de ônibus parados, sem prestar serviço, e decidimos oferecer ajuda”.
- Zona Sul: espera de até 3 horas no Terminal Varginha.
- Zona Norte: filas em Santana e recusa de motoristas na Vila Zilda.
- Região Central: passageiros aguardando mais de 40 minutos.
- Jardim Ângela: relatos de ônibus lotados e atrasos.
- Terminal Parque Dom Pedro II: imagens mostraram pouca movimentação.
Esses relatos apontam para uma discrepância entre a percepção oficial e a experiência cotidiana dos usuários, que enfrentaram atrasos, superlotação e, em alguns casos, a ausência total de serviço.
Reações das autoridades e consequências legais
O Partido dos Trabalhadores (PT) denunciou à Justiça Eleitoral que a cidade estaria operando com apenas 60% da frota, contrariando a determinação judicial. Em resposta, a SPTrans afirmou que a notificação chegou às 13h10 de sábado e que o curto prazo dificultou a reorganização das escalas, podendo gerar multas para os responsáveis.
A decisão judicial prevê multa pessoal de R$ 100 mil para o prefeito Ricardo Nunes e para o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, caso a ordem não seja cumprida integralmente. Até o encerramento oficial da votação, às 17h, o ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou o horário de votação até as 19h em todo o país.
Enquanto isso, a prefeitura mantém a postura de que a oferta de ônibus foi suficiente, citando os registros visuais e a ausência de relatos de falta de veículos em nenhum ponto monitorado. No entanto, a pressão de partidos políticos, organizações de usuários e da imprensa continua, exigindo transparência e possíveis ajustes operacionais para futuras situações de alta demanda.
O debate sobre a eficiência do transporte público em momentos críticos como eleições reforça a necessidade de planejamento de contingência mais robusto, comunicação clara entre autoridades e população, e investimentos em infraestrutura que garantam mobilidade adequada mesmo em cenários adversos, como chuva intensa e grande fluxo de eleitores.








