A Polícia Civil do Rio de Janeiro deteve, nesta quinta‑feira, 22 de outubro, um dos integrantes de uma quadrilha que tentou um latrocínio contra a arqueóloga Tania Andrade Lima, de 81 anos, no Leblon. A captura ocorreu em Benfica, na Zona Norte, após intensas investigações que mapearam a atuação da organização criminosa.
Detalhes da prisão
O suspeito, identificado como Fábio Cassiano da Silva, era conhecido como “olheiro” da quadrilha. Ele monitorava movimentações em agências bancárias, registrava possíveis alvos e enviava as informações aos comparsas que realizavam os assaltos.
Segundo a Polícia Civil, Fábio vestia um boné verde‑oliva e uma camisa creme nos crimes. Em março, ele foi flagrado dentro de um banco, fotografando a vítima antes de repassar a imagem para o grupo.
Na madrugada de 21 para 22 de outubro, agentes da delegacia de polícia especializada em crimes violentos abordaram o suspeito em sua residência em Benfica. A prisão foi realizada sem resistência, e o indivíduo foi encaminhado ao Instituto de Criminalística para os procedimentos de identificação.
Perfil da vítima e seu legado
Tania Andrade Lima, doutora em Arqueologia pela USP e pós‑doutora em História Social, é professora aposentada do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ. Ela continua a lecionar como voluntária no Programa de Pós‑Graduação em Arqueologia.
Ao longo da carreira, a arqueóloga recebeu a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006. Seu trabalho inclui a coordenação das escavações que revelaram o Cais do Valongo, ponto histórico de desembarque de africanos escravizados, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2017.
Além das atividades acadêmicas, Tania integra conselhos editoriais de revistas científicas na América do Sul e na Europa, contribuindo para a difusão do conhecimento arqueológico em escala internacional.
Operação da quadrilha e desdobramentos
As investigações apontam que a quadrilha já esteve envolvida em ao menos cinco roubos com o mesmo modus operandi: um olheiro identifica a vítima, registra imagens e transmite ao grupo, que então executa o assalto.
- Agosto: quatro assaltos em Copacabana, Flamengo e Barra da Tijuca.
- Março: observação e registro de vítima em agência bancária.
- Semana passada: tentativa de latrocínio contra a arqueóloga no Leblon.
Na tentativa de roubo, a vítima foi abordada por Luiz Fernando Rodrigues dos Santos, que disparou três vezes contra ela, atingindo o pescoço, o ombro e a mão. Apesar dos ferimentos, a idosa recebeu atendimento médico e evitou consequências graves.
Em um desdobramento fatal, Luiz Fernando foi morto em perseguição policial na Rua São Clemente, em Botafogo, na manhã de 21 de outubro. O tiroteio ocorreu nos arredores do Morro Santa Marta, encerrando a participação do suspeito nos crimes atribuídos ao grupo.
A Polícia Civil continua a investigar para identificar e prender os demais membros da quadrilha. As autoridades reforçam a importância de denunciar comportamentos suspeitos e de apoiar as investigações que visam garantir a segurança da população.








