A Polícia Civil realizou, na manhã desta quarta‑feira, 14 de outubro, a prisão de um homem acusado de coordenar um esquema de extorsão a turistas no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, conhecido como Galeão. O suspeito, identificado como William dos Santos Xavier, também chamado de “Júnior Baiano”, era apontado como o “jóquei” que direcionava viajantes recém‑chegados a táxis que cobravam valores abusivos.
Como funcionava o esquema de fraude
Segundo as investigações, o criminoso atuava no setor de desembarque internacional, onde recebia os turistas logo após a coleta de bagagens. Ele apresentava-se como um agente de apoio ao viajante e oferecia um serviço de transporte que, na prática, era um serviço fraudulento.
Os táxis envolvidos continham um pequeno dispositivo eletrônico instalado no porta‑mala. Esse equipamento manipulava o sensor do taxímetro, aumentando a tarifa em cerca de 20 % de forma automática, sem que o passageiro percebesse a alteração.
Além da manipulação tecnológica, o “jóquei” também escolhia rotas mais longas ou levava os clientes a destinos diferentes dos solicitados, como aconteceu com a família chilena que foi desviada do centro da cidade para o Shopping Nova América, na Zona Norte.
- Abordagem no desembarque internacional
- Apresentação como facilitador de transporte
- Uso de dispositivos eletrônicos nos táxis
- Desvio de rotas e cobrança de tarifas inflacionadas
Impacto nas vítimas e na imagem do turismo
As vítimas relataram sentimentos de medo e vulnerabilidade ao perceberem que estavam sendo enganadas. O prejuízo financeiro médio das fraudes chegou a R$ 450, valor que muitas vezes corresponde a quase metade do salário mínimo.
Além do dano patrimonial, a prática afeta a percepção de segurança dos turistas, podendo gerar traumas e prejudicar a reputação da cidade como destino turístico. A nota oficial da Polícia Civil destacou que “essas práticas comprometem a integridade psicológica das vítimas e transformam a chegada ao destino em uma experiência de insegurança”.
O turismo representa uma das principais fontes de receita para o Rio de Janeiro, e a ocorrência de fraudes no principal ponto de entrada do país pode desencorajar visitantes estrangeiros e nacionais.
Operação Desembarque Seguro
A prisão faz parte da Operação Desembarque Seguro, coordenada pelo Departamento‑Geral de Polícia Especializada (DGPE). A operação começou a ser executada em 8 de outubro, quando 35 taxistas e “jóqueis” foram ouvidos e 17 veículos foram apreendidos.
Durante a primeira fase, peritos identificaram a placa eletrônica que acelerava o pulso do taxímetro. A ação contou com a participação de várias delegacias, incluindo a Delegacia do Aeroporto Internacional, a Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial e a Delegacia Especial de Apoio ao Turismo.
Os agentes continuam monitorando o aeroporto e realizando fiscalizações periódicas para impedir a reincidência do crime. A Polícia Civil reforçou que a Operação Desembarque Seguro permanecerá ativa até que todas as práticas fraudulentas sejam erradicadas.
Próximos passos e recomendações aos viajantes
Com a prisão preventiva de William dos Santos Xavier, as autoridades pretendem aprofundar a investigação para identificar possíveis cúmplices e redes de apoio que alimentam o esquema. A expectativa é que a ação desencoraje outros “jóqueis” de atuarem no mesmo modelo.
Para evitar cair em golpes semelhantes, os viajantes são orientados a:
- Utilizar apenas táxis credenciados, identificados por placas e sinalização oficial.
- Confirmar o preço da corrida antes de iniciar o trajeto, solicitando a estimativa ao motorista.
- Desconfiar de abordagens agressivas ou de ofertas “exclusivas” logo após o desembarque.
- Preferir aplicativos de transporte reconhecidos, que oferecem rastreamento em tempo real.
As recomendações visam garantir uma experiência segura e tranquila para quem chega ao Rio de Janeiro, contribuindo para que a cidade continue sendo um destino atraente e confiável.








