A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta quinta‑feira, 22 de julho, Leonardo Torres Gomes, conhecido como Léo Piloto, na Zona Oeste da cidade. O suspeito é apontado como um dos principais puxadores de guerra da milícia liderada por Paulo Roberto de Carvalho Martins, apelidado de “Jorjão”. A captura ocorreu após investigação que identificou o uso indevido de uniformes e fuzis da Draco para simular uma operação policial.
Operação simulada com uniformes da Draco
Em julho, membros da organização criminosa vestiram uniformes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e portaram fuzis de aparência militar. O objetivo declarado pelos investigadores foi dar aparência de autoridade a uma movimentação violenta ligada à disputa por territórios.
Segundo nota oficial da Polícia Civil, a simulação visava intimidar rivalidades locais e facilitar invasões armadas sem levantar suspeitas imediatas. As imagens capturadas por câmeras de segurança mostraram o grupo avançando em veículos pretos, enquanto exibiam distintivos falsificados da Draco.
Quem é Leonardo Torres Gomes, o Léo Piloto
Leonardo Torres Gomes, de 34 anos, ganhou o apelido de Léo Piloto por sua suposta habilidade em conduzir operações táticas dentro da milícia. Ele teria sido recrutado por Jorjão em 2019 e rapidamente ascendido a cargo de coordenador de ações armadas.
Investigações apontam que Léo Piloto participou de múltiplas invasões de favelas, confrontos com o Comando Vermelho e extorsões de comerciantes locais. Sua atuação inclui o planejamento logístico de rotas de fuga e a organização de esquemas de lavagem de dinheiro.
Detalhes da prisão e apreensões
Durante a operação de captura, a equipe policial encontrou, ao lado de Léo Piloto, uma pistola de uso restrito, um revólver calibre .38 e um veículo de luxo roubado, um sedan preto com placas adulteradas. O carro apresentava sinais de corte de chassi e número de série falsificado.
- Pistola de uso restrito calibre 9mm
- Revólver calibre .38
- Veículo de luxo sedan preto com placas adulteradas
- Uniformes falsos da Draco
- Fuzis de aparência militar
Os agentes ainda não divulgaram a procedência exata das armas, mas afirmam que elas foram apreendidas em um depósito clandestino usado pela milícia para armazenar armamento pesado. A investigação sobre a origem do veículo segue em curso.
Impactos na disputa de territórios e investigação
A prisão de Léo Piloto representa um golpe significativo para a estrutura de comando da milícia de Jorjão, que tem intensificado a disputa por áreas de influência na Zona Oeste. A remoção de um dos principais estrategistas pode reduzir a frequência de confrontos armados entre milicianos e grupos rivais, como o Comando Vermelho.
Entretanto, a polícia alerta que a organização ainda conta com outros líderes que podem assumir rapidamente as funções deixadas por Gomes. Por isso, as diligências continuam focadas em identificar outros participantes da operação simulada e desmantelar a rede de apoio logístico.
As investigações também buscam esclarecer se a fraude de uniformes da Draco foi um caso isolado ou parte de um esquema mais amplo de infiltração de agentes corrompidos dentro de órgãos de segurança. Até o momento, não há indícios de envolvimento direto de policiais oficiais, mas a polícia mantém a porta aberta para possíveis colaborações ilícitas.
Além disso, a polícia civil está analisando gravações de áudio e mensagens de texto trocadas entre membros da milícia para mapear rotas de fuga, pontos de encontro e possíveis esconderijos de armas. O objetivo é impedir que novos episódios de violência se repitam na região.
Reação da comunidade e perspectivas futuras
Moradores da Zona Oeste manifestaram alívio ao saber da captura de Léo Piloto, mas permanecem cautelosos quanto à segurança nas áreas dominadas pela milícia. Muitos relataram que a presença de uniformes falsos da Draco gerava confusão e medo, dificultando a distinção entre autoridades legítimas e criminosas.
ONGs locais pedem maior transparência nas ações de segurança pública e reforço de políticas de prevenção ao crime organizado. Elas argumentam que a simples prisão de um indivíduo não resolve o problema estrutural da milícia, que se alimenta de vulnerabilidades sociais e econômicas.
Especialistas em segurança urbana destacam que a estratégia de usar uniformes falsos pode se tornar mais comum, pois cria uma camada de disfarce que dificulta a ação das forças de segurança. Eles recomendam treinamento específico para identificar detalhes de autenticidade em vestimentas e documentos policiais.
Para o futuro, a Polícia Civil pretende intensificar o monitoramento de comunicações digitais e ampliar a cooperação com a Polícia Federal e o Ministério Público. O objetivo é desarticular toda a cadeia de comando da milícia, desde os financiadores até os executores de campo.
Enquanto isso, a população espera que a justiça seja feita e que a presença de grupos armados seja reduzida, permitindo a retomada de atividades comerciais e a melhoria da qualidade de vida nas comunidades afetadas.








