Na noite de sexta-feira, 16 de outubro de 2024, a cantora baiana Pitty lançou seu sexto álbum solo de estúdio, intitulado simplesmente “Pitty”. O disco chega em formato digital e em vinil LP, distribuído pela gravadora Deck, e já desperta curiosidade entre fãs e críticos.
Um novo capítulo na discografia da roqueira
Depois de sete anos desde “Matriz”, lançado em 2019, Pit Pit volta ao cenário musical com um trabalho que parece fechar um ciclo e abrir novos caminhos. A produção ficou a cargo de Rafael Ramos, que trabalhou lado a lado com a própria artista, garantindo que cada faixa carregasse a identidade sonora que a cantora deseja transmitir.
O álbum conta com 12 músicas, todas escritas e compostas por Pitty, sem parcerias de coautoria. Essa escolha reforça a proposta de um registro intimista, onde a voz da artista fala diretamente ao ouvinte, sem intermediários.
Explorando gêneros: do punk ao pop contemporâneo
Ao longo da obra, o “chip” do punk rock é reativado em faixas como “Não à Deriva”, que traz também influências de stoner rock. Já “Desobediente” mergulha em sonoridades mais pesadas, aproximando-se do metal e inserindo toques de música oriental na produção.
Em contraste, a canção “Pileque de Poeta” abre espaço para o pop contemporâneo, com arranjos eletrônicos que lembram o universo do tecnobrega. A presença de Felipe Vassão na coprodução, programação e teclados garante que essa faixa se destaque do restante do álbum.
Outra demonstração de versatilidade aparece em “Sobriedade Seletiva”, onde elementos de punk‑disco e house se mesclam, criando um clima mais dançante sem perder a energia roqueira.
Temas pessoais e letras intensas
O conteúdo lírico do disco reflete a maturidade de uma artista de 49 anos que já enfrentou desafios de saúde, maternidade e separação. Em “Álbum de Casamento”, Pitty transforma a dor da ruptura em um blues‑rock carregado de emoção.
O rock‑balada “Cuidada” funciona como um acerto póstumo de contas com a mãe, Laurita, já falecida. A letra revela um diálogo íntimo, onde a filha agora adulta reflete sobre o legado materno e a própria experiência como mãe.
Em “Caminhada”, a cantora celebra a sororidade feminina, reforçando a ideia de que a união entre mulheres é um caminho de resistência e apoio mútuo. O refrão ecoa a determinação de não se deixar silenciar.
O encerramento com a faixa “Nó” traz a mensagem de que o pior é não tentar, reforçando a postura resiliente da artista. A canção, com riffs de guitarra intensos, simboliza o recomeço e a coragem de seguir adiante.
Produção e colaboradores que dão vida ao álbum
Além da produção de Rafael Ramos, o álbum conta com a participação de músicos experientes. A guitarra de Martin Mendonça, o baixo de Paulo Kishimoto, a bateria de Nico e os teclados de Rodrigo Tavares compõem a espinha dorsal sonora.
Os arranjos são cuidadosamente equilibrados, permitindo que as guitarras agressivas coexistam com momentos mais melódicos e atmosféricos. Essa dualidade cria uma experiência auditiva dinâmica, que mantém o ouvinte atento a cada mudança de textura.
As faixas “Madame” e “Armadura” destacam a fúria incandescente das guitarras, enquanto “Sobriedade Seletiva” oferece um contraste mais suave, porém ainda carregado de energia. Essa alternância entre agressividade e delicadeza é um dos pontos fortes do disco.
Com a combinação de elementos do punk, metal, pop e até tecnobrega, Pitty demonstra que a evolução musical não significa abandono das raízes, mas sim a capacidade de integrá‑las a novos contextos. O álbum “Pitty” confirma que a artista continua em movimento, pronta para desafiar expectativas e conquistar novos públicos.








