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PF prende ex-chefe de gabinete e assessores de Mario Frias em operação sobre financiamento do filme “Dark Horse”

Na quinta-feira, 10 de julho, a Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga o desvio de recursos de emendas parlamentares vinculadas ao filme “Dark Horse”, biografia cinematográfica do ex‑presidente Jair Bolsonaro. A ação, denominada “Make Up”, atingiu o deputado federal Mario Frias (PL‑RJ) e membros atuais e antigos de seu gabinete na Câmara dos Deputados.

Contexto da operação e principais alvos

A investigação surgiu após indícios de que emendas destinadas a organizações ligadas à produtora do filme teriam sido desviadas para empresas subcontratadas, sem comprovação de prestação de serviços. A PF identificou uma rede que inclui agentes públicos e privados, todos suspeitos de canalizar recursos públicos para fins particulares.

Entre os 29 investigados estão:

  1. Mario Frias (PL‑RJ) – deputado federal.
  2. Raphael Augusto Azevedo – ex‑chefe de gabinete de Frias.
  3. André Velloso Belleza Cortes – secretário parlamentar no gabinete de Frias.
  4. Luiz Claudio Faria Velloso – secretário parlamentar da equipe de Frias.
  5. Karina Gama – produtora do filme “Dark Horse”.
  6. Representantes do Instituto Conhecer Brasil (ICB) – empresa responsável pelo contrato de Wi‑Fi com a Prefeitura de São Paulo.
  7. Outros 22 nomes – incluindo fornecedores terceirizados, assessores e funcionários ligados a projetos de comunicação e tecnologia.

Todos os alvos foram também submetidos a medidas cautelares do Supremo Tribunal Federal, que proibiram contato entre eles e impediram que deixassem o país.

Relações internas e suspeitas de rachadinha

O caso ganhou destaque em maio, quando o g1 revelou que uma ex‑funcionária do gabinete de Mario Frias teria pago despesas pessoais da família do parlamentar e efetuado transferências via Pix para Raphael Augusto Azevedo, então chefe de gabinete. Essas movimentações alimentaram a hipótese de rachadinha, prática de desvio de parte dos salários de assessores para benefício próprio.

Embora Raphael Azevedo não conste mais na equipe de Frias na Câmara, a investigação mantém seu nome entre os suspeitos, já que documentos bancários apontam para um fluxo de recursos suspeitos entre os dois.

Além disso, dois assessores que permanecem no gabinete – André Velloso Belleza Cortes e Luiz Claudio Faria Velloso – também foram alvos da operação. Ambos ocupam cargos de secretariado parlamentar e têm acesso direto a recursos financeiros e logísticos, o que os coloca sob suspeita de participação nas irregularidades.

Ligação com o contrato de Wi‑Fi e outros fornecedores

Um dos mandados de busca recaiu sobre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), empresa que firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de Wi‑Fi em áreas periféricas da capital. A PF suspeita que parte dos recursos destinados a esse projeto tenha sido desviada para empresas ligadas ao grupo investigado.

Fornecedores terceirizados do contrato de Wi‑Fi, bem como empresas associadas ao prefeito Ricardo Nunes (MDB), foram incluídos na lista de alvos. A investigação ainda não divulgou detalhes sobre o montante desviado, mas indica que o esquema poderia envolver múltiplas camadas de subcontratação.

Até o momento, a TV Globo tentou contato com Mario Frias e com a defesa de Karina Ferreira da Gama, produtora do filme, mas não obteve respostas.

Reação dos investigados e desdobramentos judiciais

Em maio, Mario Frias enviou ao STF uma manifestação negando que as emendas destinadas a ONGs ligadas à produtora do filme tivessem sido usadas para financiar “qualquer produção cinematográfica”. O deputado argumentou que os recursos foram aplicados estritamente conforme a lei, embora a PF continue a questionar a transparência das contas.

A decisão que autorizou a operação não detalha a participação individual de cada investigado, deixando em aberto a extensão das responsabilidades. O STF, por sua vez, mantém as restrições de viagem e contato, reforçando a gravidade das acusações.

Os próximos passos incluem a análise dos materiais apreendidos, a oitiva dos investigados e a possível apresentação de denúncias formais pelo Ministério Público Federal. Caso as investigações confirmem o desvio de recursos, os envolvidos poderão responder por crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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