Uma pesquisa divulgada nesta quarta‑feira, 23 de setembro, mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados nas intenções de voto dos eleitores mineiros. O levantamento, realizado pela Quaest, analisou tanto o cenário de primeiro quanto o de segundo turno, evidenciando a importância estratégica do estado para a corrida presidencial. Minas Gerais, historicamente decisivo, tem sido um termômetro para as eleições desde a década de 1950.
Empate técnico entre Lula e Flávio no segundo turno
No cenário de segundo turno, ambos os candidatos registraram 40% de intenção de voto, dentro da margem de erro de três pontos para mais ou para menos. Flávio Bolsonaro manteve o percentual da última pesquisa realizada em 8 de setembro, enquanto Lula subiu três pontos, passando de 31% para 35% no primeiro turno, mas sem ultrapassar o limite da margem de erro. Essa estabilidade sugere que o eleitorado ainda está em fase de consolidação de preferências.
Os analistas apontam que a igualdade numérica pode intensificar as campanhas nas próximas semanas, especialmente nas cidades de maior densidade populacional, como Belo Horizonte, Uberlândia e Juiz de Fora. A disputa por esses municípios pode definir o resultado final, já que eles concentram grande parte dos eleitores indecisos. Além disso, a presença de líderes regionais pode influenciar a mobilização dos eleitores nas áreas rurais.
Evolução das intenções de voto nos dois turnos
Ao comparar os números do primeiro e do segundo turno, observa‑se que Lula aumentou sua fatia de votos de 31% para 35% no primeiro turno, enquanto Flávio avançou de 27% para 30%. Essa variação, embora dentro da margem de erro, indica uma leve tendência de crescimento para ambos os candidatos. O aumento de Lula pode estar relacionado à retomada de políticas sociais que ainda ressoam entre os eleitores de baixa renda.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem se beneficiado da associação com o nome da família Bolsonaro, que ainda mantém uma base fiel em algumas regiões do interior do estado. Essa base, embora menor, é altamente mobilizável e costuma participar ativamente das campanhas de campo. As estratégias de ambos os candidatos incluem visitas a municípios estratégicos, debates televisivos e presença reforçada nas redes sociais.
Impacto de Romeu Zema e a margem de erro
O ex‑governador Romeu Zema, que até a última pesquisa figurava com 6% de intenção de voto, viu sua preferência cair para 2% no novo levantamento. Essa queda pode ser atribuída à concentração de apoio em candidatos presidenciais, desviando o eleitorado que antes considerava Zema como alternativa. A diminuição de Zema também reflete a polarização crescente entre os dois principais candidatos.
A margem de erro de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, significa que as variações observadas podem ser fruto de amostragem estatística e não de mudanças reais no comportamento do eleitorado. Assim, embora os números indiquem um empate, ainda há espaço para que campanhas intensivas alterem o panorama antes da votação.
Metodologia da pesquisa e implicações políticas
A Quaest entrevistou 1.506 eleitores mineiros entre os dias 19 e 22 de setembro, utilizando amostragem aleatória estratificada por região, idade, gênero e nível de instrução. O protocolo de registro na Justiça Eleitoral é BR‑07664/2026, garantindo a transparência e a conformidade com as normas eleitorais vigentes. Os resultados foram divulgados em formato de tabela, destacando as porcentagens de cada candidato nos dois turnos.
- Segundo turno: Lula 40%, Flávio 40% (margem de erro ±3 pontos)
- Primeiro turno: Lula 35%, Flávio 30%
- Ex‑governador Romeu Zema: 2%
Especialistas em ciência política ressaltam que Minas Gerais continua sendo o estado‑pivô nas eleições presidenciais, já que todos os presidentes eleitos desde a década de 1950 venceram a votação mineira. Portanto, o empate técnico pode sinalizar uma corrida acirrada nas capitais e nos municípios de médio porte, onde a mobilização de eleitores pode ser decisiva.
Além disso, a pesquisa indica que os eleitores ainda estão avaliando propostas econômicas, como o programa de crédito rural, e questões de segurança pública, que são pontos centrais nas plataformas de ambos os candidatos. A forma como esses temas serão abordados nas próximas semanas pode gerar variações significativas nas intenções de voto.
Em síntese, o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em Minas Gerais destaca a importância de estratégias de campanha bem direcionadas, a necessidade de atenção à margem de erro e a relevância de fatores regionais que podem mudar o rumo da disputa. O cenário permanece aberto, e os próximos dias prometem intensas mobilizações políticas.








