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Pesquisa Quaest revela polarização política no Brasil: 39% se declaram de direita e 25% de esquerda

A pesquisa de opinião pública Quaest, divulgada nesta quarta‑feira (21), apontou que 39% dos eleitores brasileiros se consideram de direita, enquanto 25% se identificam como de esquerda. O levantamento, realizado entre 17 e 20 de outubro de 2026, foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo e abrangeu 2.154 pessoas com idade a partir de 16 anos. Os resultados revelam a atual configuração ideológica do eleitorado nas semanas que antecedem as eleições gerais.

Perfil ideológico dos eleitores

Quando os participantes foram convidados a posicionar‑se em uma escala que vai de esquerda a direita, a maioria optou por se situar nas extremidades. O número de eleitores que se declararam de direita chegou a 39%, superando significativamente o percentual de eleitores de esquerda, que ficou em 25%.

Um grupo considerável, 23% dos entrevistados, escolheu a categoria de centro, indicando uma postura mais moderada ou indecisa diante dos debates polarizados. Além disso, 7% dos respondentes afirmaram não se identificar com nenhuma ideologia política, revelando um ceticismo crescente em relação aos rótulos tradicionais.

Ao analisar a distribuição geográfica, observa‑se que os estados do Sul e Sudeste concentram a maior parte dos eleitores de direita, enquanto o Norte e o Nordeste apresentam proporções mais elevadas de eleitores de esquerda ou centro. Essa diferença regional reflete padrões históricos de desenvolvimento econômico e de organização sindical.

Diferenças de idade também são marcantes. Entre os eleitores com menos de 30 anos, a tendência para o centro e a falta de identificação ideológica são mais pronunciadas, enquanto a faixa etária acima de 50 anos tende a se posicionar mais claramente à direita ou à esquerda, conforme a vivência política de décadas.

Como os eleitores avaliam os candidatos presidenciais

A pesquisa Quaest incluiu, além da autodeclaração ideológica, uma pergunta sobre a percepção dos principais presidenciáveis. Os entrevistados foram convidados a classificar cada candidato em uma escala de simpatia, que vai de “não conhece” a “apóia fortemente”.

Os resultados mostraram que Flávio Bolsonaro (PL) recebeu a maior parte das avaliações positivas dentro do espectro da direita, embora ainda enfrente resistência entre eleitores centristas. Outros nomes, como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PDT), concentraram apoio entre eleitores de esquerda e centro‑esquerda.

  • Flávio Bolsonaro (PL): 28% de apoio entre eleitores de direita.
  • Lula (PT): 34% de apoio entre eleitores de esquerda.
  • Ciro Gomes (PDT): 19% de apoio entre eleitores de centro.
  • Outros candidatos menores: 9% de apoio distribuído.

É importante notar que 12% dos entrevistados declararam desconhecer completamente os candidatos, indicando que a campanha ainda tem espaço para ampliar sua mensagem e alcançar eleitores indecisos.

Impactos na corrida presidencial e perspectivas para o segundo turno

Os números divulgados pela Quaest sugerem que a disputa presidencial será intensamente competitiva, com o centro desempenhando um papel decisivo na definição do vencedor. Como 23% dos eleitores se declaram centristas, os candidatos precisarão construir pontes entre as bases de direita e esquerda para garantir a maioria necessária no segundo turno.

Além disso, a presença de 7% de eleitores que não se identificam com nenhuma ideologia abre margem para campanhas de mobilização baseada em questões específicas, como segurança pública, economia ou meio ambiente, ao invés de alinhamento partidário tradicional.

Os analistas políticos apontam que alianças estratégicas entre partidos de centro e de direita podem consolidar uma bancada de apoio suficiente para impedir que o candidato de esquerda alcance a maioria absoluta no primeiro turno. Por outro lado, uma coalizão entre esquerda e centro‑esquerda pode ser capaz de superar a fragmentação do voto de direita.

Em termos de estratégia de campanha, os candidatos devem adaptar suas mensagens ao perfil demográfico revelado pela pesquisa: foco em jovens urbanos para ampliar o apoio centrista, reforço de políticas de desenvolvimento regional para atrair eleitores do Norte e Nordeste, e ênfase em valores conservadores para consolidar a base de direita no Sul e Sudeste.

Por fim, a margem de erro de dois pontos percentuais, combinada com um nível de confiança de 95%, garante que os dados sejam suficientemente robustos para orientar decisões de campanha, mas também deixa espaço para variações nas últimas semanas de disputa, quando debates, entrevistas e eventos de campanha podem mudar a percepção do eleitorado.

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