Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada nesta segunda‑feira, 21 de setembro, aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para a Presidência da República. O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 20 de setembro, após a polêmica sessão do Supremo Tribunal Federal que debatia o caso Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Contexto da pesquisa e metodologia
A Quaest entrevistou 2.004 eleitores em todo o país, utilizando amostragem probabilística e garantindo um nível de confiança de 95 %. A margem de erro declarada é de dois pontos percentuais, podendo oscilar para mais ou para menos. Essa margem é crucial para entender por que os números de Lula e Flávio são considerados tecnicamente empatados.
O questionário incluiu perguntas sobre intenção de voto no primeiro turno, simulação de segundo turno contra os principais concorrentes e avaliação de rejeição dos candidatos. Também foram coletados dados sobre eleitores indecisos, votos em branco e nulos, permitindo um panorama completo do cenário eleitoral.
Resultados do primeiro turno
No cenário do primeiro turno, o presidente Lula aparece com 37 % das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33 %. A diferença de quatro pontos está dentro da margem de erro, o que caracteriza o empate técnico entre os dois.
Além dos dois principais, a pesquisa traz números de outros candidatos que ainda mantêm viabilidade, ainda que em níveis menores. Os percentuais são apresentados a seguir:
- Augusto Cury (Avante): 6 %
- Ronaldo Caiado (PSD): 4 %
- Renan Santos (Missão): 3 %
- Romeu Zema (Novo): 1 %
- Samara Martins (UP): 1 %
Eleitores que pretendem votar em branco, nulo ou nenhum candidato somam 7 %, enquanto 8 % dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder – queda em relação ao levantamento anterior, que registrava 10 %.
Cenário do segundo turno
Quando a simulação se volta para um possível segundo turno, a diferença entre Lula e Flávio diminui ainda mais. Flávio Bolsonaro lidera com 42 % das intenções, enquanto Lula registra 41 %. Essa margem de um ponto percentual também está dentro da margem de erro, reforçando a ideia de empate técnico.
O estudo ainda avaliou duelos contra outros candidatos de destaque. Os resultados são:
- Lula vs. Ronaldo Caiado: 41 % a 39 %
- Lula vs. Renan Santos: 41 % a 38 %
- Lula vs. Augusto Cury: 39 % a 35 %
- Lula vs. Romeu Zema: 46 % a 32 % (vantagem fora da margem de erro)
Esses números indicam que, independentemente do adversário, Lula permanece muito próximo de Flávio em termos de apoio, o que pode gerar uma corrida eleitoral ainda mais acirrada nos próximos meses.
Rejeição dos candidatos e implicações políticas
A pesquisa também mensurou a taxa de rejeição dos principais candidatos. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro apresentam índices quase iguais: 55 % dos entrevistados afirmam conhecer Lula, mas não votariam nele de forma alguma, enquanto 56 % declaram o mesmo sobre Flávio. Essa alta rejeição pode influenciar estratégias de campanha, alianças e negociações entre partidos.
Entre os demais candidatos, o terceiro mais rejeitado é Romeu Zema, com 43 % de rejeição, seguido por Ronaldo Caiado (40 %) e Renan Santos (35 %). Esses dados sugerem que, embora ainda tenham espaço na disputa, enfrentarão desafios adicionais para ampliar sua base de apoio.
O contexto da sessão do STF, que tratou dos supostos vínculos entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, pode ter impactado a percepção dos eleitores sobre a estabilidade institucional e a confiança nas figuras políticas. Flávio Dino, ao pedir vistas, gerou um clima de incerteza que ainda está se refletindo nas intenções de voto.
Em resumo, a pesquisa da Quaest evidencia um cenário de empates técnicos que demandam atenção dos candidatos, analistas e do público em geral. As próximas semanas serão decisivas para definir estratégias de campanha, alianças regionais e, sobretudo, a capacidade de mobilizar eleitores indecisos ou descontentes.








