A pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira, 9 de setembro de 2026, apontou que Flávio Bolsonaro lidera Lula no cenário de segundo turno. O levantamento, realizado em todo o território nacional, mostra a inversão de posições entre os dois candidatos. Esse resultado surge na reta final da campanha presidencial.
Cenário da segunda volta
Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro registrou 46% das intenções de voto, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva ficou com 45%. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro, o que caracteriza um empate técnico, mas representa a primeira vez que o candidato do PL aparece à frente nas simulações do instituto.
O CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, destacou que o movimento ainda é incipiente para ser considerado uma tendência consolidada. Ele ressaltou que a proximidade dos números indica que a disputa está extremamente apertada e que pequenas variações podem mudar o placar de uma pesquisa para outra.
Para compreender o que pode estar impulsionando essa virada, Tokarski analisou o histórico das últimas doze pesquisas. Em todas elas, Lula mantinha a liderança ou ficava dentro do empate técnico, mas nunca ficava atrás. Essa mudança, portanto, funciona como um alerta para a campanha do presidente.
- Flávio Bolsonaro: 46% no segundo turno;
- Lula: 45% no segundo turno;
- Margem de erro: ±1 ponto percentual;
- Empate técnico: possibilidade real de mudança;
- Primeira vez que Flávio lidera nas simulações.
Dinâmica do primeiro turno
No primeiro turno, Lula continua na liderança com 39% das intenções de voto, número idêntico ao registrado na pesquisa anterior. Flávio Bolsonaro avançou de 33% para 35%, reduzindo a diferença de quatro pontos para duas entre os dois candidatos.
Tokarski explicou que, embora a vantagem de Lula ainda seja relevante, ela já não é tão robusta como nas primeiras semanas de campanha. O presidente ainda tem a vantagem de estar à frente, mas o espaço para o adversário crescer está se ampliando.
A avaliação da administração federal também mostra sinais de desgaste. A aprovação do governo caiu de 46% para 45%, enquanto a desaprovação diminuiu levemente de 51% para 50%. O saldo negativo de cinco pontos percentuais permanece, indicando um ambiente de insatisfação moderada.
Esses indicadores, combinados com a recuperação de Flávio, sugerem que a campanha de Lula precisará adaptar sua estratégia para conter o ímpeto do adversário nos próximos dias.
Eleitores indecisos e estratégias de campanha
Um dos grupos mais estratégicos, segundo Tokarski, são os eleitores não polarizados, que correspondem a cerca de 20% do eleitorado. Esse segmento não se identifica nem com o lulismo nem com o bolsonarismo e costuma mudar de opinião ao longo da campanha.
Esses eleitores acompanham intensamente o noticiário e reagem a eventos políticos, debates e escândalos. Por isso, movimentos de campanha, anúncios de políticas públicas ou crises inesperadas podem gerar oscilações significativas nos números.
Tokarski apontou que, pela primeira vez, Flávio aparece à frente de Lula no segundo turno especificamente entre esses eleitores indecisos. Essa informação reforça a importância de uma comunicação direcionada e de ações que possam captar a atenção desse público.
A campanha de Lula, portanto, tende a mudar de tom na reta final. O objetivo será interromper o momento favorável ao adversário e gerar fatos positivos que reforcem a narrativa do presidente.
Entretanto, o CEO da Nexus ressalta que ainda há tempo para reverter o cenário. Entre o primeiro e o segundo turno, caso haja segunda votação, haverá semanas de campanha adicionais, permitindo novas estratégias, alianças e eventos que podem alterar o panorama atual.
Em resumo, a pesquisa BTG/Nexus não indica uma virada definitiva, mas sim um alerta sobre a competitividade da disputa. Pequenas variações nos índices de intenção de voto podem determinar o resultado final, e a campanha de Lula precisará responder rapidamente a esses sinais.
Os analistas políticos acompanham de perto os próximos dias, pois qualquer mudança de postura dos eleitores indecisos pode ampliar ainda mais a diferença entre os candidatos. A atenção está voltada para debates, entrevistas e possíveis escândalos que possam influenciar a opinião pública.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro tem aproveitado a oportunidade para reforçar sua mensagem de renovação e combate à corrupção, temas que ainda ressoam com parte do eleitorado. Sua equipe tem investido em visitas a cidades estratégicas e em presença digital intensificada.
Lula, por sua vez, tem buscado consolidar sua imagem de estabilidade econômica e experiência de governo, destacando programas sociais que ainda beneficiam grandes parcelas da população. A estratégia inclui também a mobilização de lideranças regionais para reforçar o apoio nas áreas onde a margem de erro é mais estreita.
Em última análise, a reta final da campanha será marcada por margens estreitas e por uma batalha constante por cada ponto percentual. O cenário mais provável, segundo Tokarski, não é um colapso do presidente nem um avanço explosivo do adversário, mas uma disputa decidida por pequenas oscilações que podem acontecer a qualquer momento.








