Uma pesquisa realizada pela Quaest entre os dias 19 e 22 de setembro de 2026 revelou que a maioria dos eleitores pernambucanos tem mais medo da volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto uma parcela significativa teme a continuidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Os dados, divulgados nesta quarta‑feira (23), foram coletados em todo o estado e já apontam uma polarização intensa. A pesquisa, registrada no TSE sob o número BR‑07818/2026, contou com 1.302 entrevistados a partir de 16 anos.
Medo da volta dos Bolsonaro
De acordo com o levantamento, 59% dos pernambucanos afirmam que o que mais lhes causa preocupação hoje é o possível retorno da família Bolsonaro ao poder. Esse número supera em quase duas vezes a porcentagem que teme a permanência de Lula, que ficou em 27%.
O medo se manifesta de forma mais acentuada entre eleitores que se autodeclaram como “lulistas” ou “esquerda não lulista”. Entre esses grupos, 94% e 93%, respectivamente, apontam a volta dos Bolsonaro como a maior ameaça. O sentimento reflete o histórico de confrontos políticos e a percepção de que um retorno poderia reverter avanços sociais recentes.
- 59% temem a volta dos Bolsonaro
- 94% dos lulistas temem a volta dos Bolsonaro
- 93% da esquerda não lulista temem a volta dos Bolsonaro
Para os eleitores independentes, o cenário é mais dividido: 45% ainda consideram a volta dos Bolsonaro como a principal fonte de medo, enquanto 24% apontam para um novo mandato de Lula. Essa divisão demonstra que, fora dos grandes blocos partidários, a população ainda busca respostas sobre o futuro político do país.
Temor ao novo mandato de Lula
Por outro lado, 27% dos entrevistados disseram que o que mais os assusta é a possibilidade de Lula assumir um novo mandato. Esse medo concentra‑se sobretudo entre os eleitores que se identificam como bolsonaristas, dos quais 92% apontam o próximo governo de Lula como a maior preocupação.
Mesmo entre os que se consideram de direita, mas não bolsonaristas, o índice de temor ao retorno de Lula chega a 77%. Essa reação pode estar ligada à percepção de que políticas econômicas e sociais adotadas nos últimos anos podem ser revertidas, gerando insegurança nos setores que se beneficiaram das mudanças.
- 27% temem um novo mandato de Lula
- 92% dos bolsonaristas temem Lula
- 77% da direita não bolsonarista temem Lula
Vale destacar que 4% dos entrevistados relataram medo tanto dos Bolsonaro quanto de Lula, enquanto outros 4% afirmaram não ter medo de nenhum dos dois. Esse pequeno grupo pode representar eleitores mais céticos em relação à polarização ou que confiam em outras lideranças.
Divisão por identificação política
A pesquisa evidencia como a identificação política ainda funciona como o principal divisor de opinião em Pernambuco. Os independentes são o grupo mais heterogêneo: 45% temem a volta dos Bolsonaro, 24% temem um novo mandato de Lula, 12% temem ambos e 8% não temem nenhum dos dois. Ainda, 11% não souberam ou não quiseram responder.
Entre os eleitores que se declararam como “esquerda não lulista”, a preocupação com a volta dos Bolsonaro atinge 93%, demonstrando que a aversão ao antigo presidente ultrapassa afinidades partidárias. Já os “direita não bolsonarista” apresentam um índice de 77% de medo ao retorno de Lula, indicando que a resistência não vem apenas de apoiadores de Bolsonaro, mas também de setores conservadores que temem mudanças de agenda.
A margem de erro da pesquisa varia entre quatro e oito pontos percentuais nos recortes por identificação política, o que reforça a robustez dos resultados, ainda que haja pequenas variações nas estimativas.
Em síntese, a pesquisa Quaest traz um retrato de Pernambuco marcado por duas grandes preocupações: o temor à volta dos Bolsonaro e o receio de um novo governo de Lula. Enquanto a maioria dos eleitores se inclina para o primeiro medo, os grupos mais alinhados à direita demonstram forte resistência ao segundo. Esse cenário sugere que as próximas eleições poderão ser decisivas para definir não apenas quem ocupará o cargo, mas também qual narrativa política prevalecerá no estado.








