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Partido dos Trabalhadores destina quase quatro milhões de reais para candidaturas de condenados em escândalos de corrupção

Em 2024, o Partido dos Trabalhadores aprovou a liberação de R$ 3,9 milhões para financiar a campanha de ex-deputados que foram condenados nos casos conhecidos como mensalão e petrolão. A decisão foi tomada nas sedes do partido em São Paulo e Brasília, e tem como objetivo garantir a volta ao Congresso de figuras que ainda contam com apoio interno.

Financiamento dos candidatos

O recurso foi distribuído entre oito nomes que mantêm forte vínculo com a militância, sindicatos e movimentos sociais. Cada quantia foi definida de acordo com a relevância política e a capacidade de mobilização de cada um. O partido justifica a medida como um esforço para fortalecer a bancada aliada ao governo.

  • José Dirceu – R$ 1,1 milhão
  • João Paulo Cunha – R$ 1,1 milhão
  • André Vargas – R$ 841 mil
  • Delúbio Soares – R$ 780 mil

Além desses, outros quatro candidatos receberam valores menores, mas que ainda são significativos para a campanha eleitoral. Todos os beneficiários foram anunciados em comunicado oficial divulgado na manhã de 12 de julho.

Principais figuras beneficiadas

O ex‑ministro da Casa Civil, que cumpriu penas que totalizam mais de 30 anos de prisão, recebeu a maior soma e pretende disputar uma vaga em São Paulo. Ele tem usado as redes sociais para demonstrar proximidade com o presidente, postando fotos ao lado do mandatário.

Seu retorno ao cenário político começou em 2022, quando foi convidado a coordenar os comitês populares de luta no Distrito Federal. Desde então, tem contado com o apoio de lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que veem nele um representante da luta agrária.

Outro nome de destaque é o ex‑deputado do Paraná, que teve o mandato cassado durante a Operação Lava‑Jato. Recebeu R$ 841 mil e tem sido tratado como interlocutor do governo em questões relacionadas ao estado, participando de encontros com ministros e ex‑ministros.

O ex‑presidente da Câmara dos Deputados, condenado a mais de nove anos de prisão, também foi contemplado com R$ 1,1 milhão. Enquanto cumpria pena, concluiu a graduação em Direito e, após a libertação, passou a atuar como advogado de sucesso, recebendo convite direto do presidente para retornar ao Parlamento.

Por fim, o ex‑tesoureiro do partido, que cumpriu penas em ambos os escândalos, recebeu R$ 780 mil para concorrer em Goiás. Ele tem contado com o apoio de grandes sindicatos e tem utilizado a imagem do presidente para reforçar sua campanha nas redes.

Repercussões políticas e críticas

A medida gerou intenso debate dentro e fora do partido. Defensores argumentam que a iniciativa fortalece a bancada aliada ao governo e garante a continuidade de projetos sociais. Críticos, por sua vez, acusam o PT de perpetuar a cultura de impunidade e de colocar recursos públicos em campanha de quem já foi condenado.

Organizações da sociedade civil e alguns partidos de oposição apresentaram requerimentos ao Tribunal Superior Eleitoral, solicitando investigação sobre a legalidade da destinação dos recursos. Eles apontam que a lei de financiamento de campanhas impõe limites e condições que podem ter sido violados.

Especialistas em direito eleitoral ressaltam que a distribuição de recursos a candidatos condenados pode ser considerada irregular, sobretudo se houver indícios de que o dinheiro foi usado para fins pessoais ou para driblar a Lei de Inelegibilidade.

Entretanto, o presidente do PT defendeu publicamente a decisão, afirmando que os valores foram liberados dentro das normas internas do partido e que os candidatos têm direito a pleitear cargos, desde que cumpram as determinações judiciais.

O cenário eleitoral brasileiro se aproxima, e a disputa por cadeiras no Congresso deve ser ainda mais acirrada. A estratégia de alocar recursos a figuras controversas pode influenciar a composição da bancada, impactando a aprovação de projetos de governo nos próximos anos.

Observadores políticos apontam que a presença de ex‑condenados no Parlamento pode gerar instabilidade nas alianças partidárias, já que alguns setores da sociedade podem pressionar por afastamento ou até mesmo por cassação de mandatos, caso novas irregularidades sejam identificadas.

Enquanto isso, a militância de base do PT tem organizado comícios e caravanas de apoio, destacando a importância da renovação política e da defesa dos direitos sociais, mesmo diante das controvérsias que cercam os candidatos beneficiados.

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