Em 21 de setembro de 2024, representantes dos Estados Unidos e do Paraguai anunciaram a criação de um centro de computação de alto desempenho alimentado pela energia da usina hidrelétrica de Itaipu, localizada na fronteira entre Brasil e Paraguai. O projeto, fruto de uma parceria entre empresas americanas e paraguaias, tem como objetivo atender demandas de serviços de computação em nuvem nos mercados norte‑americano e latino‑americano.
Parceria entre Crusoe e Araico
A aliança foi firmada entre a Crusoe, empresa norte‑americana especializada em infraestrutura para inteligência artificial, e a Araico, desenvolvedora paraguaia de projetos de energia e infraestrutura. Ambas as partes destacam que a escolha de Itaipu como fonte de energia garante sustentabilidade e estabilidade para as operações de data‑center.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a colaboração surge dentro de um esforço mais amplo de aprofundamento da cooperação econômica entre os dois países. A visita do vice‑secretário de Estado, Christopher Landau, ao Paraguai, entre 19 e 21 de setembro, foi o momento em que o acordo foi formalizado.
Detalhes do projeto de computação
A primeira fase da instalação está prevista para entrar em operação em meados de 2027. O centro de computação será alimentado por energia proveniente de Itaipu, cuja produção é dividida igualmente entre Brasil e Paraguai, conforme tratado de 1973.
O projeto prevê a construção de um complexo de servidores de última geração, capazes de suportar cargas intensivas de processamento para aplicações de IA, análise de big data e serviços de nuvem. A energia de Itaipu, reconhecida por sua confiabilidade, será um diferencial competitivo para atrair clientes internacionais.
- Capacidade inicial estimada em 500 megawatts de energia dedicada.
- Expansão prevista para até 1.000 megawatts nos próximos cinco anos.
- Uso de tecnologia de refrigeração líquida para otimizar o consumo energético.
Além da infraestrutura física, a Crusoe planeja integrar soluções de software avançado para gerenciamento de carga e otimização de recursos, garantindo alta disponibilidade e baixa latência para os usuários finais.
Implicações estratégicas e econômicas
O acordo faz parte de uma série de iniciativas anunciadas pelo Departamento de Estado para ampliar a presença de investimentos americanos no Paraguai. Durante a visita de Landau, foram discutidas oportunidades em setores como tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística.
Outras duas iniciativas foram reveladas: a Uranium Energy Corp. anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver uma concessão de urânio no Paraguai, e os governos assinaram um acordo de assistência para interceptação aérea, visando reforçar a segurança do espaço aéreo regional.
Essas ações refletem um interesse estratégico dos EUA em consolidar parcerias que alavanquem recursos naturais e energéticos da região, ao mesmo tempo em que fortalecem a presença de tecnologia de ponta.
Reações e próximos passos
A administração de Itaipu informou que a visita da delegação americana ocorreu sem a participação da diretoria ou do governo brasileiro, sendo organizada exclusivamente pelo Paraguai no lado paraguaio da usina. Essa autonomia operacional está prevista no tratado bilateral que rege a gestão da hidrelétrica.
Especialistas apontam que o uso da energia de Itaipu para alimentar um data‑center de alta performance pode gerar benefícios econômicos para o Paraguai, incluindo geração de empregos qualificados, transferência de tecnologia e aumento das receitas de exportação de serviços digitais.
Nos próximos meses, as partes deverão concluir os estudos de viabilidade técnica e ambiental, obter as licenças necessárias e iniciar a fase de construção civil. A expectativa é que o projeto sirva de modelo para futuras iniciativas que explorem energia renovável em conjunto com infraestrutura tecnológica.








