Em discurso realizado nesta segunda‑feira, 28 de julho, na cidade de Metz, no nordeste da França, o Papa Leão XIV fez um apelo urgente à Europa. O pontífice pediu coragem para negociar, a disposição de abrir mão de posições rígidas e alertou contra a ilusão do rearmamento. Sua mensagem destacou a necessidade de fortalecer o direito internacional e o multilateralismo em meio a conflitos e tensões crescentes.
Um chamado à negociação e à paz
Leão XIV enfatizou que a guerra voltou a assombrar o continente, referindo‑se ao conflito na Ucrânia como um “massacre inútil” que ceifa vidas civis diariamente. Ele insistiu que a solução passa por um “diálogo paciente” e por “coragem na negociação”. O Papa ressaltou que sacrificar algumas posições pode ser o preço necessário para alcançar o bem maior da paz.
Para ilustrar a urgência de um novo pacto de paz, o pontífice citou a história de Metz, cidade que já foi disputada entre França e Alemanha. O local, berço de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia, simboliza a possibilidade de reconciliação entre antigos adversários.
Contra o rearmamento e a lógica da dominação
O Papa alertou que a Europa está se tornando cada vez mais “bárbara”, com a confiança na palavra dada se esvaindo e a “mentira e o engano” predominando nas relações internacionais. Ele afirmou que o direito internacional e o multilateralismo são os melhores antídotos contra a vontade de dominação.
Em meio ao debate sobre o aumento dos gastos de defesa na Europa, Leão XIV advertiu que o rearmamento não traz segurança duradoura. Em vez disso, ele propôs:
- Fortalecer instituições multilaterais como a ONU e a UE;
- Promover acordos de desarmamento progressivo;
- Investir em diplomacia preventiva e mediação de conflitos.
Essas medidas, segundo o pontífice, podem transformar a dinâmica de competição militar em colaboração pacífica.
Acolhimento de migrantes e refugiados como dever moral
Leão XIV também dedicou parte de seu discurso à questão migratória. Ele pediu que migrantes e refugiados sejam recebidos “como membros da própria família” e integrados com dignidade. O Papa destacou que a exclusão alimenta o ressentimento e pode gerar novas fontes de instabilidade.
Para concretizar esse ideal, ele sugeriu ações práticas:
- Criação de programas de acolhimento comunitário em cidades europeias;
- Facilitação de processos de regularização e acesso ao mercado de trabalho;
- Promoção de campanhas de sensibilização que combatam o preconceito.
Essas iniciativas, segundo o pontífice, reforçam o tecido social e reduzem a vulnerabilidade de populações em situação de risco.
Repercussões políticas e o contexto francês
O discurso de Leão XIV ocorre em um momento delicado para a política francesa, a sete meses da eleição presidencial. As mensagens do Papa ecoam temas centrais do debate, como imigração e segurança. Enquanto líderes de extrema‑direita, como Marine Le Pen, defendem políticas restritivas, o pontífice advoga por uma convivência digna e pacífica.
Em contraste, o presidente Emmanuel Macron, em pronunciamento anterior, havia chamado à “coragem dos pais fundadores” da União Europeia e alertado contra o isolamento e o retorno dos nacionalismos. A mensagem papal reforça a necessidade de unidade e solidariedade entre os países membros.
Apesar do convite feito a todos os chefes de governo dos 27 países da UE, apenas representantes de Luxemburgo e da região alemã do Sarre compareceram ao evento em Metz. Essa baixa participação evidencia as dificuldades de alinhar a agenda política europeia em torno de um consenso de paz.
Conclusões e próximos passos da visita papal
A viagem de Leão XIV pela França encerra-se nesta segunda‑feira com uma missa final e uma aparição no papamóvel. Segundo o Vaticano, os eventos em Paris e Lourdes reuniram cerca de 1,3 milhão de fiéis, demonstrando o amplo alcance da mensagem do pontífice.
Ao solicitar orações por “governantes sábios e generosos”, o Papa reforçou a esperança de que líderes europeus possam enfrentar os desafios contemporâneos com responsabilidade e compaixão. Seu apelo à negociação, ao desarmamento e ao acolhimento de migrantes permanece como um convite à reflexão profunda sobre o futuro da paz na Europa.








