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Ministro israelense lidera invasão à mesquita de Al-Aqsa com extremistas

Na manhã de 28 de setembro, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben‑Gvir, acompanhou centenas de extremistas judeus na invasão ao complexo da mesquita de Al‑Aqsa, em Jerusalém. O ato ocorreu durante o terceiro dia do feriado judaico de Sucot, quando as tensões já estavam elevadas na Cidade Velha. A presença do alto funcionário do governo israelense intensificou o clima de confrontação entre judeus e muçulmanos na região.

Contexto da invasão

O complexo de Al‑Aqsa, também conhecido pelos judeus como Monte do Templo, é o local sagrado mais sensível de Jerusalém. O Departamento Islâmico Waqf, responsável pela administração do santuário, registrou a entrada de mais de 1.200 pessoas ao longo da manhã. Vídeos nas redes sociais mostram o grupo cantando, dançando e realizando orações, enquanto Ben‑Gvir proclamava a soberania israelense sobre o local.

Segundo o antigo acordo conhecido como “status quo”, apenas muçulmanos podem rezar no recinto, enquanto outras religiões têm restrições severas. Nos últimos anos, Ben‑Gvir tem contestado esse tratado, permitindo que visitantes judeus levem material religioso impresso e realizem orações, provocando reações de ira entre a comunidade palestina.

Em julho, mais de 3.000 extremistas judeus, também escoltados por policiais armados, ocuparam partes do complexo, agitaram a bandeira israelense e cantaram o hino nacional. Essa demonstração de poder foi vista como uma escalada deliberada das tensões, preparando o terreno para a invasão de setembro.

Reações e consequências

Autoridades palestinas relataram que as forças israelenses fecharam ruas e cruzamentos próximos ao santuário, limitando o acesso de moradores e comerciantes. O Mercado dos Mercadores de Algodão, uma via tradicional de acesso ao complexo, foi forçado a fechar, e cerca de 200 residentes receberam ordem de permanecer em casa durante as cerimônias judaicas.

A Associação de Direitos Civis em Israel denunciou que dezenas de proprietários palestinos foram obrigados a fechar lojas, cafés e restaurantes, alegando violação de direitos civis e econômicos. O porta‑voz da Autoridade Palestina, Nabil Abu Rudeineh, qualificou o episódio como “provocação perigosa para os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo” e acusou Israel de buscar uma “guerra religiosa”.

Organizações internacionais de direitos humanos também emitiram alertas, pedindo à comunidade internacional que intervenha para proteger o status quo e evitar uma escalada que poderia desencadear confrontos violentos na Cidade Velha.

Implicações políticas e religiosas

A presença de Ben‑Gvir no Monte do Templo reforça sua agenda nacional‑religiosa, que busca afirmar a identidade judaica sobre todo o território de Jerusalém. Seu discurso, ao declarar “Somos os donos do Monte do Templo”, ecoa uma política de expansão que tem gerado resistência tanto interna quanto externa.

Para os palestinos, a invasão representa uma ameaça direta à soberania religiosa e cultural, alimentando um sentimento de marginalização que pode se transformar em protestos e, potencialmente, em violência. A restrição de acesso ao mercado e o fechamento de estabelecimentos comerciais também têm impactos econômicos significativos nas comunidades locais.

Do ponto de vista internacional, a situação coloca pressão sobre Israel para respeitar acordos históricos e evitar ações que possam ser vistas como provocativas. Países aliados monitoram de perto o desenrolar dos fatos, temendo que a escalada possa comprometer processos de paz em andamento.

Em síntese, a invasão liderada por Ben‑Gvir não é um evento isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla que visa redefinir a presença judaica em locais sagrados. O futuro do status quo, a estabilidade da Cidade Velha e a convivência entre judeus e muçulmanos dependem agora de respostas diplomáticas, de pressão internacional e de um diálogo que ainda parece distante.

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