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Os bastidores da estratégia de Flávio Bolsonaro: quem pode compor o governo caso vença

Flávio Bolsonaro (PL) tem articulado, nas últimas semanas, um amplo plano de nomeações para um eventual governo, caso vença as eleições de 2026. As discussões ocorrem entre membros da campanha, assessores e aliados próximos, que já apontam candidatos a cargos estratégicos. O cenário se desenha entre São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, onde se cruzam interesses partidários, familiares e do mercado financeiro.

Primeiros nomes citados para o Ministério da Justiça e o Senado

Entre os cargos mais comentados está o Ministério da Justiça, onde o nome de Guilherme Derrite aparece como favorito. Derrite, que já ocupou cargos de destaque no governo anterior, negou publicamente qualquer convite, mas continua sendo referência nas conversas internas.

Se a hipótese de Flávio Bolsonaro assumir a Presidência se confirmar, o suplente de Derrite, Vicente Santini, poderia ser indicado ao Senado. A proposta leva em conta a longa relação da família Santini com Jair Bolsonaro, além da experiência de Vicente em cargos executivos.

Possíveis lideranças no Ministério da Fazenda e na Casa Civil

O eixo econômico reúne nomes que já atuaram no Banco Central, no Ministério das Finanças e no setor privado. A lista inclui Roberto Campos Neto, ex‑presidente do Banco Central; Alexandre Betamio, executivo do mercado financeiro; Marcelo Kayath, especialista em políticas fiscais; e Adolfo Sachsida, ex‑ministro de Minas e Energia.

Para a Casa Civil, duas figuras se destacam: Wagner Rosário, ex‑ministro da Controladoria‑Geral da União, e o senador Eduardo Gomes, que liderou a bancada do governo Bolsonaro no Congresso. Ambos são citados como potenciais articuladores entre o Executivo e o Legislativo.

Articulação política e alianças no Congresso

Rogério Marinho, senador e aliado próximo da família Bolsonaro, também ganha destaque. Ele pode ser considerado para a presidência do Senado ou para a chefia da Casa Civil, dependendo da composição de forças no Congresso e dos acordos pós‑eleição.

Além desses nomes, o círculo de confiança de Flávio inclui o publicitário Marcello Lopes, conhecido como “Marcelão”. Considerado conselheiro pessoal, ele teria papel estratégico nas decisões de bastidores, facilitando a comunicação entre o senador e seus aliados.

Outros setores: Itamaraty, Caixa e a Suprema Corte

No âmbito das relações internacionais, Marcos Troyjo, ex‑presidente do Banco dos BRICS, é mencionado como possível nome para o Itamaraty. Já na esfera econômica, Daniela Marques, ex‑presidenta da Caixa Econômica Federal, pode ser apontada para liderar um futuro Ministério da Prosperidade.

Quanto ao Supremo Tribunal Federal, circulam duas indicações: Jorge Oliveira, ministro do Tribunal de Contas da União, e Maria Cláudia Bucchianeri, ex‑ministra do Tribunal Superior Eleitoral. Nenhum convite formal foi feito, mas os nomes já aparecem nas discussões preliminares.

Flávio Bolsonaro afirmou à TV Globo que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, não será nomeado ministro, mas não descartou a possibilidade de indicar o irmão a uma embaixada, possivelmente nos Estados Unidos, estratégia que seu pai tentou em 2019/2020.

Até o momento, não há convites formais nem definições oficiais sobre a distribuição dos cargos. A campanha mantém a postura de não falar de governo, focando apenas na disputa eleitoral, embora aliados já defendam publicamente alguns nomes.

  • Ministério da Justiça: Guilherme Derrite (favorecido), Vicente Santini (suplente)
  • Ministério da Fazenda: Roberto Campos Neto, Alexandre Betamio, Marcelo Kayath, Adolfo Sachsida
  • Casa Civil: Wagner Rosário, Eduardo Gomes, Rogério Marinho
  • Itamaraty: Marcos Troyjo
  • Ministério da Prosperidade: Daniela Marques
  • Supremo Tribunal Federal: Jorge Oliveira, Maria Cláudia Bucchianeri

O mapa de nomeações revela a intenção de construir não apenas um gabinete, mas uma estrutura de poder consolidada, capaz de garantir sustentação política e alinhamento com os interesses da família Bolsonaro e de seus aliados econômicos.

Essa estratégia demonstra que, antes mesmo da vitória eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro já trabalha na montagem de um tabuleiro de peças-chave, buscando equilibrar lealdades familiares, experiência governamental e apoio do mercado. O resultado final dependerá da capacidade de negociação no Congresso e da aceitação dos nomes propostos pelos diferentes setores da sociedade.

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