Em 23 de setembro de 2024, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um novo relatório que revisou para cima a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026. A entidade agora projeta uma alta de 2%, frente aos 1,6% estimados em junho, reforçando a força da demanda doméstica.
Projeções revisadas para 2026 e 2027
A atualização da OCDE eleva a taxa de crescimento do PIB brasileiro para 2026, mas indica uma leve retração nas expectativas para 2027, que passam de 2,1% para 1,9%. Essa diferença reflete a cautela da organização diante de incertezas externas e internas.
O relatório destaca ainda que, entre as economias emergentes do G20, o Brasil se mantém entre os países que conseguiram sustentar o ritmo de expansão, apesar dos choques provocados pela guerra no Oriente Médio e pelos aumentos nos preços da energia.
Fatores que sustentam a demanda interna
Segundo a OCDE, a “demanda doméstica resiliente” tem sido o motor principal do crescimento brasileiro. Consumidores mantêm o nível de gasto, e as empresas continuam investindo, mesmo diante de pressões inflacionárias.
Políticas governamentais de proteção social e de apoio ao setor produtivo ajudaram a amortecer o impacto dos preços elevados de energia sobre famílias e negócios. Medidas como subsídios temporários e ajustes tarifários reduziram a carga sobre o orçamento das famílias.
- Consumo das famílias: manutenção do poder de compra em setores essenciais.
- Investimentos empresariais: expansão de fábricas, logística e tecnologia.
- Políticas de apoio: programas de energia subsidiada e linhas de crédito acessíveis.
Esses elementos criam um círculo virtuoso que alimenta a produção, gera empregos e reforça a arrecadação tributária.
Política monetária e perspectivas de juros
Um ponto de destaque do relatório é o comportamento dos juros no Brasil. Desde março, a taxa básica (Selic) recuou mais de um ponto percentual, ao passo que várias economias do G20 aumentaram suas taxas para conter a inflação.
A OCDE projeta novas reduções da taxa de juros nos próximos meses, acompanhando a desaceleração da inflação. Essa expectativa reforça a confiança dos investidores e reduz o custo do crédito para empresas e consumidores.
Entretanto, a manutenção de um ambiente de juros baixos depende da estabilidade dos preços, especialmente dos combustíveis e da energia elétrica, que ainda apresentam volatilidade.
Desafios globais e riscos futuros
Embora a previsão para 2026 tenha sido otimista, a OCDE aponta riscos que podem comprometer o ritmo de crescimento nos próximos anos. A alta dos preços de energia continua pressionando a inflação, o que pode reduzir o poder de compra das famílias.
Além disso, a organização alerta que os investimentos em inteligência artificial (IA) ainda estão baseados em expectativas de retornos elevados. Caso esses retornos demorem a se materializar, o fluxo de capital para projetos de IA pode desacelerar.
Do ponto de vista global, a economia mundial também recebeu um ajuste positivo, subindo de 2,8% para 2,9% em 2026. A resiliência foi possível graças a estoques de petróleo mais robustos, aumento da oferta de energia fora da região do Golfo e medidas de apoio fiscal adotadas por diversos governos.
Investimentos em data centers e equipamentos de tecnologia nos Estados Unidos, Canadá e Austrália foram citados como fatores que impulsionaram o PIB no segundo trimestre. Essa tendência beneficiou ainda países como China, Japão e Coreia do Sul, grandes fornecedores de componentes tecnológicos.
Entretanto, a OCDE prevê que o crescimento mundial pode perder força ao final de 2026 e início de 2027, antes de iniciar uma recuperação gradual, caso o conflito no Oriente Médio seja resolvido.
Em resumo, o cenário brasileiro para 2026 apresenta sinais positivos de expansão, sustentados por uma demanda interna robusta e por políticas monetárias favoráveis. Contudo, a trajetória dependerá da capacidade do país de enfrentar pressões inflacionárias, garantir a segurança energética e transformar expectativas de tecnologia em resultados concretos.








