Nos bastidores do Rock in Rio 2026, o vocalista Dave Grohl foi flagrado mascando chiclete enquanto comandava o show do Foo Fighters. O hábito, que também aparece em artistas como Marcus Mumford, Liam Gallagher e o lendário tenor Luciano Pavarotti, desperta curiosidade entre fãs e profissionais da voz. Especialistas explicam que a prática tem bases científicas que ajudam a manter a performance vocal em alto nível.
Benefícios vocais da mastigação
A mastigação ativa grupos musculares da face que normalmente permanecem pouco solicitados durante o canto. Quando o artista mastiga, ocorre um relaxamento da musculatura mandibular, o que favorece uma postura mais aberta da laringe.
Além disso, o ato de mastigar estimula a produção de saliva, combatendo a sensação de boca seca que costuma acompanhar nervosismo, uso de medicamentos ou longas sessões de ensaio.
- Redução da tensão muscular no queixo e na mandíbula;
- Aumento da lubrificação bucal, facilitando a articulação das palavras;
- Estimulação da produção de saliva, que protege as pregas vocais;
- Auxílio na neutralização do refluxo gastroesofágico, quando o chiclete contém ingredientes anti‑ácidos.
Esses efeitos foram descritos já no final da década de 1940 pelo médico austríaco Emil Froeschels, considerado um dos pioneiros da fonoaudiologia. Ele observou que a mastigação poderia ser usada como recurso terapêutico associado à fala e à voz.
Casos famosos de cantores que mastigam
Dave Grohl admite que a prática virou quase superstição para ele, mas começou por necessidade de manter a garganta hidratada durante shows que duram mais de duas horas.
Marcus Mumford, do Mumford & Sons, costuma levar chicletes ao festival, enquanto Liam Gallagher já foi visto com goma de menta nos palcos do Oasis.
Rob Halford, da banda Judas Priest, prefere chicletes de mentol e eucalipto, alegando que o frescor ajuda a manter as vias respiratórias desobstruídas, embora o mentol possa ser problemático para alguns cantores.
John Lennon, nos primeiros dias dos Beatles, também foi fotografado com chiclete, e o tenor Luciano Pavarotti utilizava goma de açúcar para aliviar a secura da boca durante longas óperas.
- Dave Grohl (Foo Fighters)
- Marcus Mumford (Mumford & Sons)
- Liam Gallagher (Oasis)
- Rob Halford (Judas Priest)
- John Lennon (The Beatles)
- Luciano Pavarotti (Ópera)
Esses exemplos mostram que o hábito atravessa gêneros, estilos e gerações, reforçando a ideia de que a mastigação pode ser um aliado universal para cantores.
Cuidados e recomendações de especialistas
Thays Vaiano, fonoaudióloga que acompanha artistas como Ludmilla e Iza, alerta que a mastigação isolada não melhora a voz, mas pode deixar a articulação mais solta. Ela recomenda que o cantor mastigue apenas por curtos períodos, evitando a fadiga da mandíbula.
Janaína Pimenta, que trabalha com Ivete Sangalo e Luan Santana, destaca que a escolha do tipo de chiclete é crucial. Gomas sem açúcar e com propriedades alcalinas ajudam a neutralizar a acidez da saliva, reduzindo o risco de irritação das pregas vocais.
Para quem sofre de refluxo gastroesofágico, há opções de chicletes formulados com bicarbonato de sódio ou extrato de gengibre, que ajudam a proteger a garganta contra o ácido estomacal que pode subir durante o apoio diafragmático intenso.
- Use chicletes sem açúcar para evitar acúmulo de resíduos;
- Prefira formulações com bicarbonato ou extratos naturais para quem tem refluxo;
- Mastigue de forma intermitente, não durante todo o show;
- Faça pausas para descansar a mandíbula a cada 20‑30 minutos de performance;
- Combine a mastigação com exercícios de aquecimento vocal recomendados por fonoaudiólogos.
Embora os benefícios sejam reconhecidos, as especialistas reforçam que o uso excessivo pode gerar desconforto na articulação temporomandibular e prejudicar a dicção. O ideal é encontrar um equilíbrio que mantenha a voz hidratada sem comprometer a clareza das palavras.
Em resumo, o chiclete nos palcos não é apenas um truque de estilo, mas uma ferramenta respaldada por décadas de pesquisa vocal. Quando usado com critério, ele pode ser decisivo para que cantores entreguem performances poderosas e sustentáveis ao longo de turnês intensas.








