Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, nove institutos de pesquisa divulgaram seus resultados sobre a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A divulgação ocorreu no sábado, 24 de outubro, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os dados prometem atualizar o cenário eleitoral um dia antes da volta dos eleitores às urnas.
Institutos participantes e tamanho das amostras
Os registros incluem pesquisas realizadas por Datafolha, Quaest, AtlasIntel, Nexus, MDA, Palver, Veritá, Colectta e Instituto França. Cada levantamento possui uma amostra distinta, totalizando 41.845 entrevistas em todo o país. A seguir, a distribuição de entrevistas previstas:
- Datafolha: 4.050 entrevistas
- Quaest: 3.702 entrevistas
- AtlasIntel: 5.000 entrevistas
- Nexus: 2.000 entrevistas
- MDA: 2.002 entrevistas
- Palver: 5.000 entrevistas
- Veritá: 15.554 entrevistas
- Colectta: 3.000 entrevistas
- Instituto França: 1.537 entrevistas
A maior amostra pertence ao Instituto Veritá, que pretende ouvir 15.554 eleitores entre 19 e 23 de outubro. As demais pesquisas variam entre 1.500 e 5.000 entrevistas, cobrindo diferentes regiões e perfis demográficos.
Métodos de coleta e margens de erro
Os institutos adotam abordagens variadas, o que pode gerar resultados divergentes mesmo quando os períodos de coleta são próximos. As margens de erro declaradas oscilam entre um e três pontos percentuais, dependendo da técnica empregada.
Os métodos de coleta podem ser agrupados em três categorias principais:
- Entrevistas presenciais: Datafolha, Quaest, MDA e Colectta utilizam entrevistas presenciais, sendo que Datafolha trabalha em pontos de fluxo populacional, enquanto Quaest e Colectta realizam entrevistas domiciliares. O MDA combina entrevistas em domicílios e em pontos de circulação.
- Entrevistas telefônicas: Nexus e Instituto França conduzem pesquisas por telefone, com amostras controladas por características do eleitorado. O Veritá também usa telefone celular, mas com um sistema automatizado de coleta.
- Questionários online: AtlasIntel e Palver aplicam questionários via internet. A Palver recruta participantes por anúncios em redes sociais, usando amostragem não probabilística e ajuste posterior dos dados. O AtlasIntel realiza coleta aleatória online seguida de pós‑estratificação.
Financiamento dos levantamentos
Além das metodologias, a origem dos recursos financeiros também varia entre os institutos. Alguns trabalhos foram contratados por veículos de comunicação, enquanto outros foram financiados por bancos ou pelas próprias empresas de pesquisa.
Os valores investidos em cada pesquisa são os seguintes:
- Datafolha: R$ 461.462,40 (contratado pela Folha de S.Paulo e Globo)
- Quaest: R$ 570.108,00 (encomendado pela Editora Globo e Globo)
- Nexus: R$ 164.888,89 (para o banco BTG Pactual)
- MDA: R$ 222.453,00 (para a Confederação Nacional do Transporte)
- Colectta: R$ 263.458,00 (para a Editora Brazil Economy)
- AtlasIntel, Palver, Veritá e Instituto França: recursos próprios
Esses investimentos refletem a importância estratégica das pesquisas na disputa presidencial, já que os resultados podem influenciar estratégias de campanha e decisões de investidores.
Impacto esperado e considerações finais
Com a divulgação dos nove levantamentos, analistas esperam obter um panorama mais preciso da intenção de voto antes da segunda rodada. Contudo, as diferenças metodológicas e de financiamento exigem cautela ao interpretar os números. A variação nas margens de erro e nas técnicas de amostragem pode ampliar a margem de incerteza nos resultados finais.
Os registros foram oficialmente apresentados à Justiça Eleitoral em 18 de outubro, com divulgação prevista para o sábado, 24. O Datafolha foi identificado pelo número BR‑09540/2026, enquanto a Quaest recebeu o código BR‑09158/2026. Esses números garantem a transparência e a rastreabilidade dos processos de pesquisa, permitindo que órgãos de controle verifiquem a conformidade dos métodos.
Em síntese, a multiplicidade de pesquisas, combinada com a proximidade da data da eleição, oferece ao público e aos candidatos uma visão detalhada do cenário eleitoral. Ainda assim, a interpretação cuidadosa dos dados será essencial para evitar conclusões precipitadas e para compreender a real dinâmica da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.








