O Senado Federal aprovou nesta quinta‑feira, 15 de outubro de 2024, um pacote de alterações que impacta diretamente os Microempreendedores Individuais (MEI) em todo o país. A medida amplia o limite de faturamento, permite a contratação de mais funcionários e perdoa dívidas de quem está inadimplente com a União.
Alteração do teto de faturamento
Até o momento, o MEI pode faturar no máximo R$ 80 mil por ano, valor que já se mostrava defasado desde 2018. A nova legislação eleva esse limite para R$ 110 mil a partir de 2027 e projeta um novo teto de R$ 140 mil em 2028. Essa progressão tem o objetivo de acompanhar a recuperação econômica pós‑pandemia e evitar que pequenos empresários sejam forçados a mudar de categoria antes de tempo.
Com o aumento do teto, os empreendedores poderão expandir suas operações sem enfrentar a burocracia adicional do Simples Nacional completo. A mudança também reduz a necessidade de “desenquadramento” estratégico, prática comum entre microempresários que limitam suas vendas para permanecer no regime do MEI.
Perdão de dívidas com a União
Um dos pontos mais aguardados foi a anistia dos débitos contraídos até 13 de outubro de 2026. O perdão inclui o valor principal, juros, multas e demais encargos, mesmo quando a dívida ainda está em fase de cobrança administrativa e não foi formalmente inscrita.
O Ministério da Fazenda estima que a medida possa gerar um impacto adicional de até R$ 2 bilhões, ao retirar de circulação créditos que dificilmente seriam recuperados. Contudo, o benefício está condicionado ao cumprimento de exigências específicas; o não atendimento pode levar ao cancelamento da anistia.
Além disso, a lei elimina a cobrança de honorários advocatícios relacionados à extinção das ações judiciais dos débitos anistiados, mas os valores já pagos pelos microempreendedores não serão devolvidos.
Ampliação da contratação de funcionários
Outra mudança importante permite que o MEI contrate até cinco empregados, ao contrário do limite atual de um único funcionário. Essa ampliação visa incentivar a geração de empregos formais e dar suporte ao crescimento dos pequenos negócios.
Para manter a condição de MEI, o empreendedor deve observar a nova regra de faturamento e cumprir as obrigações trabalhistas previstas na CLT. O aumento no número de trabalhadores também traz a necessidade de gestão mais estruturada, o que pode ser facilitado por programas de capacitação oferecidos pelo Ministério do Empreendedorismo.
Impactos, benefícios e próximos passos
O conjunto das medidas deve alcançar aproximadamente 17,6 milhões de microempreendedores individuais em todo o Brasil, segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. O governo ainda anunciou a possibilidade de conceder até R$ 5 mil em linhas de crédito para investimentos em pequenos negócios, embora essa proposta ainda não faça parte do projeto aprovado.
Com a aprovação na Câmara dos Deputados (461 a favor e quatro contra) e no Senado (78 a favor, nenhum contra), o PLC segue agora para sanção presidencial. Caso seja sancionado, as novas regras entrarão em vigor de forma escalonada, conforme o calendário de implementação previsto pelo Ministério da Fazenda.
Os principais benefícios esperados são:
- Maior capacidade de crescimento graças ao aumento do limite de faturamento;
- Redução da inadimplência por meio do perdão de dívidas e da eliminação de encargos;
- Geração de empregos ao permitir a contratação de até cinco funcionários;
- Acesso facilitado a crédito com a futura linha de financiamento de até R$ 5 mil.
Especialistas alertam, porém, que o sucesso da medida dependerá da efetiva comunicação das novas regras aos microempreendedores e da disponibilidade de apoio técnico para a regularização das empresas que ainda se encontram em situação irregular.
Em entrevista, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, destacou que o objetivo central é “permitir que os trabalhadores informais voltem a atuar de forma regular, ampliando as possibilidades de acesso a crédito e novas oportunidades de negócio”.
Para os profissionais que já operam dentro do regime do Simples Nacional, a proposta abre a porta para um retorno ao MEI, desde que cumpram os requisitos de faturamento e de número de empregados estabelecidos pela nova lei.
Em síntese, as alterações representam um esforço coordenado entre os poderes Legislativo e Executivo para revitalizar o segmento de microempreendedores, que enfrentou forte retração nos últimos anos. Se bem implementadas, elas podem transformar o panorama do empreendedorismo brasileiro, proporcionando maior segurança jurídica e estímulo ao crescimento econômico sustentável.








