Na manhã de 27 de outubro de 2026, eleitores israelenses foram às urnas para escolher os 120 membros do Knesset, marcando a primeira votação nacional desde os ataques do Hamas em outubro de 2023. O processo, que ocorreu em todo o país, foi acompanhado por acusações de tentativa de fraude feitas pelo primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu.
Contexto político e segurança em campanha
A disputa se dá em um cenário de forte polarização, com a segurança nacional ocupando o centro dos debates. Netanyahu, que governa há quase duas décadas ao todo, tem reforçado seu discurso de defesa contra ameaças externas, enquanto seu principal adversário, o centrista Gadi Eisenkot, promete reformas e maior transparência nas instituições.
As pesquisas de intenção de voto divulgadas nas últimas semanas apontam para um empate técnico entre as duas lideranças, deixando o futuro da coalizão incerto. Em Israel, para formar governo é necessário que um partido ou aliança alcance a maioria de 61 cadeiras, requisito que ainda não foi satisfeito por nenhum dos blocos.
Acusações de fraude e detenção de dirigentes
Durante a campanha, Netanyahu acusou três dirigentes da Lista Árabe Unida (Ra’am) de supostamente tentar “roubar as eleições”. Segundo o primeiro‑ministro, os suspeitos foram interceptados no sul do país carregando envelopes contendo dinheiro, o que, segundo ele, configuraria uma tentativa de compra de votos.
O líder do Ra’am, Mansur Abbas, rebateu as alegações, afirmando que Netanyahu está usando o medo para mobilizar eleitores de direita. O partido Yashar, liderado por Eisenkot, também denunciou a estratégia de contestar os resultados caso a vitória recaia contra o governo atual.
Incidentes nas mesas de votação
Além das acusações de fraude, a segurança nas seções eleitorais foi reforçada após a prisão de um homem armado com faca que tentou se aproximar de Yair Golan, líder da esquerda. O incidente ocorreu em Tel Aviv e gerou maior vigilância nas áreas de votação, embora as autoridades afirmem que não houve interrupção significativa do processo.
O horário de fechamento das urnas foi estabelecido para as 22h (17h em Brasília). O partido de Netanyahu solicitou a prorrogação do prazo, mas a legenda de Eisenkot se opôs, argumentando que não havia nenhum incidente excepcional que justificasse a mudança.
Participação da diáspora e sentimento dos eleitores
Dezenas de milhares de israelenses que vivem no exterior retornaram ao país exclusivamente para exercer o direito ao voto. Entre eles, Eilana Zisblit, que voltou do Canadá após quase 30 anos, descreveu a eleição como “o momento decisivo” para a sobrevivência da nação.
Outras vozes, como a da aposentada Zipporah Bennett, de 85 anos, manifestaram apoio ao atual governo, destacando a experiência de Netanyahu em tempos de crise. Já eleitores mais jovens demonstram preocupação com a escalada da extrema‑direita e do nacionalismo religioso.
Desdobramentos internacionais e consequências
A eleição ocorre em meio ao crescente isolamento internacional de Israel, causado pela campanha militar em Gaza, pela expansão de assentamentos na Cisjordânia e pelos episódios de violência de colonos. As relações com os Estados Unidos permanecem estratégicas, mas a postura de Netanyahu tem gerado críticas de aliados europeus.
Analistas apontam que, independentemente do resultado, o país enfrentará desafios significativos: a necessidade de reconstruir Gaza, a ameaça de novos ataques de grupos como Hamas, Hezbollah e Houthis, e a pressão interna por reformas institucionais.
Possíveis cenários pós‑eleição
Se Netanyahu mantiver o poder, espera‑se a continuação de uma política de segurança agressiva, com maior ênfase nas alianças militares e em operações de retaliação. Caso Eisenkot vença, ele prometeu criar uma comissão independente para investigar falhas de segurança e revisar a estratégia de defesa nacional.
Em ambos os casos, a formação de um governo estável dependerá de negociações entre partidos menores, que podem exercer papel decisivo na definição da liderança do Knesset e, consequentemente, do primeiro‑ministro.
- Maior comparecimento em mais de 50 anos.
- Acusações de fraude sem provas apresentadas.
- Risco de contestação judicial dos resultados.
- Possível mudança de rumo nas políticas de segurança.








