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Netanyahu aposta no apoio de Trump para manter poder e retomar pressão sobre o Irã

Na véspera da eleição parlamentar de 1º de novembro, o primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, destacou o apoio do ex‑presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e insinuou que os ataques contra o Irã podem ser reativados. O discurso foi transmitido ao vivo pela televisão israelense no domingo, 25 de outubro, e serviu como convite direto ao eleitorado para garantir sua permanência no cargo.

A aliança Netanyahu‑Trump e o apelo eleitoral

Netanyahu descreveu a relação com Trump como “uma amizade inédita entre um primeiro‑ministro israelense e um presidente americano”. Ele ressaltou que o mandatário dos EUA ainda tem dois anos de mandato e pediu que os israelenses votassem em sua continuidade para que “terminem o trabalho” iniciado em fevereiro.

Trump, por sua vez, utilizou suas redes sociais para reforçar o pedido, escrevendo: “Votem em Bibi Netanyahu para primeiro‑ministro, temos que terminar o trabalho que começamos!”. Essa troca de mensagens ocorreu pouco antes da abertura das urnas, intensificando a percepção de que a campanha israelense está sendo impulsionada por uma figura externa.

A ameaça iraniana no discurso de Bibi

Em sua fala, Netanyahu afirmou que Trump está disposto a adotar medidas para eliminar a chamada “ameaça iraniana”. Ele vinculou essa possibilidade à sua própria permanência no poder, declarando que já instruiu o Mossad e as Forças de Defesa de Israel a “derrubar esse regime”.

A menção ao Mossad e ao exército israelense serviu como sinal de que, caso seja reeleito, o governo pretende retomar as operações militares que foram suspensas após as negociações de cessar‑fogo de fevereiro.

  • Febrero: ataques conjuntos Israel‑EUA contra alvos iranianos.
  • Suspensão: cessar‑fogo negociado sem participação israelense.
  • Possível retomada: dependente da vitória de Netanyahu.

Reações internacionais e o cenário interno

A vice‑secretária de imprensa da Casa Branca, Anna Kelly, respondeu às declarações de Netanyahu afirmando que o Irã enfrenta dificuldades econômicas e militares, mas que os Estados Unidos não atacarão o país antes das eleições legislativas americanas de 3 de novembro.

Kelly também destacou que o bloqueio econômico americano continuará em vigor e que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz permanece em volumes recordes, indicando que a pressão sobre o Irã segue ativa, ainda que de forma indireta.

No interior de Israel, as pesquisas apontam que o Likud pode perder cadeiras, ameaçando a maioria da coalizão de direita, ultradireita e partidos ultraortodoxos. Mesmo assim, a oposição ainda não reúne apoio suficiente para derrubar o premiê, que ocupa o cargo há mais tempo que qualquer outro líder na história do país.

Desdobramentos eleitorais e possíveis coalções

A eleição de terça‑feira será a primeira desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza e ampliaram os confrontos em outras frentes. Os eleitores terão a oportunidade de avaliar a resposta do governo à maior falha de segurança das últimas décadas.

O principal rival de Netanyahu, Gadi Eisenkot, ex‑chefe do Estado‑Maior das Forças Armadas, também elogiou Trump, chamando‑o de “um verdadeiro amigo de Israel”. Em publicação nas redes sociais, Eisenkot afirmou confiar que o presidente americano cooperará com qualquer liderança escolhida pelos israelenses.

Se Netanyahu for reeleito, analistas preveem que a política externa israelense pode se alinhar ainda mais estreitamente com a agenda de Trump, especialmente no que tange à contenção iraniana. Caso contrário, a nova coalizão poderia buscar um caminho mais moderado, embora ainda mantenha uma postura firme contra o Irã.

Independentemente do resultado, a combinação de retórica beligerante, apoio externo e a proximidade das eleições americanas cria um cenário de alta volatilidade, no qual decisões estratégicas podem ser tomadas rapidamente, impactando tanto a região do Oriente Médio quanto a política internacional.

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