Um novo boato de morte envolvendo Kim Jong-un circulou nas redes sociais no dia 20 de outubro de 2026, alegando que o líder norte‑coreano teria sofrido uma hemorragia cerebral, sido levado a Pequim e falecido durante o tratamento. Não há evidências que corroborem a história e autoridades sul‑coreanas confirmaram a ausência de informações oficiais que a sustentem.
O boato mais recente e a resposta oficial
A agência estatal norte‑coreana KCNA divulgou, no mesmo dia, fotografias do líder em uma exposição de roupas e calçados em Pyongyang, acompanhada por sua esposa Ri Sol‑ju e a filha Kim Ju‑ae. Nas imagens, Kim observa um par de sapatos infantis cor‑derosa, indicando que está vivo e ativo.
Apesar da data exata das fotos não ter sido verificada de forma independente, a publicação serviu como contraprova ao rumor que alegava sua morte em Pequim. A KCNA ressaltou que a visita ocorreu na véspera da divulgação das imagens.
O boato teve origem em postagens de Wanjun Xie, dissidente chinês residente nos Estados Unidos, que não apresentou documentos médicos, testemunhos ou quaisquer provas concretas. Ainda assim, veículos internacionais replicaram a informação sem a devida checagem.
Histórico de rumores sobre a família Kim
Kim Jong-un não é o primeiro da dinastia a ser alvo de falsos anúncios de falecimento. A tradição de boatos remonta ao avô, Kim Il‑sung, fundador da Coreia do Norte, e ao pai, Kim Jong‑il.
Em novembro de 1986, surgiram relatos de que Kim Il‑sung teria sido assassinado, com supostas bandeiras a meio‑mastro na fronteira sul‑coreana como sinal de luto. Pouco depois, o líder reapareceu em público, vivendo até julho de 1994.
Em setembro de 2008, a ausência de Kim Jong‑il nas comemorações dos 60 anos da fundação do país gerou suspeitas de doença grave e até de morte. A imprensa internacional divulgou notícias de seu suposto falecimento, mas o dirigente permaneceu no cargo por mais três anos.
Kim Jong‑un também enfrentou períodos de invisibilidade: entre setembro e outubro de 2014, ficou ausente por cerca de 40 dias, alimentando especulações sobre problemas de perna ou articulações. Em abril de 2020, sua falta nas homenagens ao aniversário de Kim Il‑sung suscitou rumores de cirurgia cardiovascular ou estado crítico.
Mais recentemente, em maio de 2025, circulou a alegação de que Kim teria perdido a consciência durante uma inspeção em Wonsan, informação que nunca foi confirmada.
Por que a saúde dos líderes norte‑coreanos permanece um mistério
O regime de Kim mantém um rígido sigilo sobre a condição física e mental de seus dirigentes. Essa opacidade cria um terreno fértil para especulações, especialmente quando o líder desaparece da cena pública por períodos prolongados.
Além do controle da informação, a cultura de culto à personalidade reforça a ideia de que o líder é quase sobre-humano, dificultando a aceitação de vulnerabilidades físicas.
Quando surgem imagens ou vídeos oficiais, eles são cuidadosamente selecionados para transmitir força e estabilidade, mas raramente oferecem detalhes sobre a saúde real do dirigente.
Essa estratégia de comunicação seletiva alimenta a ansiedade de analistas, jornalistas e cidadãos, que buscam qualquer pista para interpretar os movimentos do regime.
Impactos políticos dos rumores
Os boatos de morte têm repercussão direta na política sul‑coreana. Parlamentares ex‑diplomatas norte‑coreanos, como Thae Yong‑ho e Ji Seong‑ho, já declararam publicamente que Kim estaria incapacitado ou até falecido, baseando‑se em fontes não verificáveis.
Essas afirmações geram debates sobre a sucessão e a estabilidade do regime, influenciando decisões de investidores, diplomatas e governos estrangeiros.
Quando a mídia estatal norte‑coreana responde rapidamente com imagens ou vídeos, costuma desfazer a onda de especulação, mas o dano à credibilidade de fontes externas já está feito.
Além disso, os rumores podem ser explorados por atores externos que buscam desestabilizar o regime, usando a incerteza como ferramenta de pressão diplomática ou econômica.
- 1986 – Boato de assassinato de Kim Il‑sung.
- 2008 – Suposta morte de Kim Jong‑il antes das comemorações de 60 anos.
- 2014 – Ausência de Kim Jong‑un por 40 dias, gerando suspeitas de doença.
- 2020 – Falta de Kim Jong‑un nas homenagens ao aniversário de Kim Il‑sung, alimentando rumores de cirurgia cardíaca.
- 2025 – Alegação de perda de consciência em inspeção a Wonsan.
Em suma, a combinação de sigilo estatal, culto à personalidade e a necessidade de informações externas cria um ciclo contínuo de boatos que atravessa três gerações da família Kim. Enquanto o regime não abrir espaço para transparência, os rumores de morte permanecerão como parte integrante da narrativa internacional sobre a Coreia do Norte.








