Minas Gerais tornou-se o foco principal das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da eleição presidencial, que se disputará em outubro de 2026. Após a primeira volta, realizada em 4 de outubro, ambos os candidatos intensificaram a presença nas principais cidades do estado. O objetivo é conquistar eleitores indecisos e consolidar alianças locais para garantir a vitória no maior colégio eleitoral fora do Rio de Janeiro e São Paulo.
O papel histórico de Minas Gerais nas eleições brasileiras
Desde a redemocratização, Minas Gerais tem sido considerado um termômetro nacional. Todos os presidentes eleitos desde 1989 venceram no estado, o que faz dele um indicativo preciso do resultado final. Por isso, partidos e candidatos dedicam recursos e visitas estratégicas ao território mineiro.
O estado também é conhecido como “pêndulo”, pois seu eleitorado tem alternado entre diferentes espectros políticos ao longo das últimas três décadas. Essa volatilidade torna a campanha ainda mais competitiva, exigindo mensagens adaptadas a diferentes perfis de eleitores.
No primeiro turno deste ciclo eleitoral, a taxa de abstenção em Minas Gerais chegou a 22%, ligeiramente acima da média nacional de 21,08%. Esse número recorde indica que a mobilização de eleitores será decisiva para o segundo turno.
A estratégia de Lula em Minas Gerais
Lula iniciou sua segunda visita ao estado na sexta‑feira, 16 de outubro, partindo de Juiz de Fora, a única das dez maiores cidades onde venceu no primeiro turno com 49,58% dos votos. A caminhada contou com a presença da prefeita Margarida Salomão (PT) e da senadora eleita Marília Campos (PT), reforçando a aliança entre o Executivo municipal e o Legislativo estadual.
Em seguida, o candidato petista deslocou‑se para Ipatinga, no Vale do Aço, onde obteve 31,47% dos votos contra 61,11% de Flávio Bolsonaro. Marília Campos acompanhou a agenda, demonstrando a importância da senadora, que recebeu quase quatro milhões de votos nas eleições.
Além das visitas, Lula tem contado com o apoio de figuras de destaque no Congresso. Entre elas, Ana Elisa (PT), a segunda parlamentar mais votada em Minas Gerais, e André Janones (Rede), criador do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que já soma mais de 4,2 milhões de seguidores. Esses nomes têm sido fundamentais para ampliar a presença nas redes sociais e nas comunidades locais.
- Ana Elisa – segunda parlamentar mais votada em MG;
- André Janones – líder digital do “Exército do Lula”;
- Marília Campos – senadora e ex‑prefeita de Contagem;
- Deputados federais progressistas – atuação ativa nas frentes de campanha.
Lula também tem investido em mensagens de unidade nacional, destacando a importância de Minas Gerais como ponte entre o Sul e o Nordeste. O discurso enfatiza projetos de infraestrutura, educação e saúde, áreas que historicamente mobilizam o eleitorado mineiro.
A estratégia de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais
Flávio Bolsonaro realizou um ato em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, na quinta‑feira, 15 de outubro, onde obteve 48,20% dos votos no primeiro turno, superando Lula, que ficou com 44,39% na cidade. O candidato esteve acompanhado pelo senador eleito Domingos Sávio (PL) e por Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado do Brasil, com 3.118.784 votos.
Nikolas Ferreira, conhecido como “Nika”, tem sido um dos principais impulsionadores da campanha nas redes sociais, mobilizando jovens e apoiadores em eventos presenciais. Sua presença nas cidades mineiras deve intensificar a divulgação das propostas de Flávio Bolsonaro nos próximos dias.
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), também é aliado próximo de Flávio. Embora tenha faltado a um evento em Capelinha devido a um mal‑estar, o governador tem publicado vídeos pedindo apoio ao candidato do PL, reforçando a aliança entre os dois líderes.
- Domingos Sávio – senador eleito, apoio institucional;
- Nikolas Ferreira – deputado federal, força nas redes sociais;
- Cleitinho Azevedo – governador eleito, apoio logístico e de comunicação;
- Deputados PL – presença em atos regionais.
Flávio tem apostado em uma mensagem de segurança pública e combate à corrupção, temas que ressoam fortemente em áreas como o Vale do Jequitinhonha, onde a percepção de abandono estatal é alta. Além disso, o candidato tem destacado a necessidade de projetos de desenvolvimento econômico local, como incentivos ao agronegócio e à mineração responsável.
Desafios e perspectivas para o segundo turno
Especialistas apontam que, apesar do apoio de políticos eleitos, a conquista de novos eleitores dependerá de fatores como a mobilização nas urnas e a capacidade de reduzir a taxa de abstenção. O professor Camilo Aggio destaca que Flávio Bolsonaro tem vantagem em termos de apoio institucional, mas ainda precisa ampliar sua base entre os eleitores urbanos.
Por outro lado, Felipe Nunes enfatiza que o apoio de figuras como Marília Campos e Ana Elisa pode fortalecer a campanha de Lula, especialmente nas regiões onde o petista já tem histórico de vitória. A presença de líderes locais nas redes sociais também será decisiva para influenciar o voto de eleitores indecisos.
Com a campanha se intensificando nas próximas duas semanas, Minas Gerais deve se tornar palco de debates, comícios e ações de rua. Ambos os candidatos prometem retornar ao estado antes do dia 25 de outubro, data limite para a conclusão da campanha eleitoral.
Em resumo, o futuro político de Minas Gerais está diretamente ligado ao desfecho da disputa presidencial. A capacidade de cada candidato de articular alianças, mobilizar eleitores e apresentar propostas concretas determinará se o estado continuará sendo o espelho fiel do Brasil nas próximas eleições.








