Os eleitores norte‑americanos irão às urnas no dia 3 de novembro de 2026, uma terça‑feira, para decidir o futuro de quase todo o Congresso dos Estados Unidos. A data marca a chamada eleição de meio de mandato, ou midterms, que ocorre na metade do mandato presidencial e tem grande impacto sobre a agenda do presidente Donald Trump.
Como funciona o calendário eleitoral nos Estados Unidos
Ao contrário do Brasil, onde todo o Legislativo federal é renovado a cada quatro anos, o Congresso americano tem um ciclo de renovação parcial a cada dois anos. As eleições de meio de mandato são realizadas sempre que o mandato presidencial está em sua metade, ou seja, dois anos após a eleição presidencial.
Em 2026, além das vagas da Câmara dos Representantes, cerca de um terço das cadeiras do Senado também será disputado. As próximas eleições presidenciais estão previstas para 2028, mas o resultado das midterms pode antecipar ou limitar a capacidade do presidente de avançar seu programa.
Estrutura do Congresso e diferenças regionais
No Senado, cada um dos 50 estados possui duas cadeiras, independentemente da população. Isso garante que estados pequenos tenham o mesmo peso que os maiores, totalizando 100 senadores.
A Câmara dos Representantes conta com 435 cadeiras, distribuídas proporcionalmente à população de cada estado. Cada representante atende um distrito eleitoral específico, que pode variar significativamente em tamanho e composição demográfica.
Essas diferenças criam dinâmicas distintas nas campanhas: enquanto as disputas senaduais costumam focar em questões estaduais e nacionais, as corridas para a Câmara são mais localizadas e dependem de estratégias de contato direto com os eleitores.
Processo de votação e apuração
Desde o início de outubro, alguns estados já iniciaram a votação antecipada, permitindo que eleitores enviem suas cédulas pelo correio ou compareçam a locais de votação antecipada. Essa prática tem se tornado comum, sobretudo para facilitar a participação de eleitores que não podem comparecer no dia da eleição.
Cada estado é responsável por organizar a própria apuração, sem a existência de um órgão nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral brasileiro. Assim que os locais de votação encerram, as equipes locais começam a contar os votos, e os primeiros resultados costumam aparecer ainda na noite de 3 de novembro.
No entanto, a totalização completa pode levar dias ou até semanas, especialmente em estados que dependem fortemente da contagem de votos enviados pelo correio. Em 2022, por exemplo, a definição do controle da Câmara só foi confirmada mais de uma semana após a eleição.
- Votação antecipada em 12 estados
- Contagem de votos por correio em 35 estados
- Apuração noturna inicial em 48 estados
Impactos políticos das midterms
O resultado das midterms tem consequências diretas sobre a capacidade legislativa do presidente. Se o Partido Republicano, que atualmente controla a Casa Branca, mantiver a maioria tanto na Câmara quanto no Senado, Trump poderá avançar com seu programa econômico e de política externa sem grandes obstáculos.
Por outro lado, uma perda de cadeiras poderia abrir caminho para que democratas ou até mesmo alguns republicanos dissidentes bloqueiem projetos-chave, exigindo negociações mais intensas e possivelmente alterando o rumo da agenda governamental.
Além das disputas partidárias, as eleições de meio de mandato também servem como termômetro da popularidade do presidente e de sua administração. Historicamente, o presidente em exercício costuma enfrentar perdas nas midterms, refletindo o descontentamento dos eleitores com o governo.
Os candidatos independentes, embora menos visíveis, também podem influenciar resultados em estados competitivos, especialmente quando a margem entre os principais candidatos é estreita.
Em resumo, as midterms de 2026 são um ponto crucial para definir quem terá o poder de legislar nos próximos dois anos e como o presidente Trump poderá conduzir suas políticas até a próxima eleição presidencial.








