A Meta confirmou que os óculos inteligentes Ray‑Ban Meta gravaram conversas sem o comando de ativação “Hey Meta”, em setembro de 2023, durante uma atualização de firmware no Brasil. A falha permitiu que áudios fossem capturados e enviados ao aplicativo Meta AI, onde foram exibidas transcrições de texto. O incidente gerou amplo debate sobre privacidade e segurança dos dispositivos vestíveis.
Falha de gravação e sua correção
Segundo relatos divulgados no Reddit, a atualização recente do firmware ativou um modo de captura que não exigia o comando de voz. Usuários relataram que o LED branco do óculos acendeu, indicando que o microfone estava em funcionamento, mesmo com a opção “Respond without Hey Meta” desativada.
A Meta, em comunicado oficial, afirmou que a vulnerabilidade já foi corrigida. “Este problema foi resolvido. As pessoas podem gerenciar, revisar e excluir registros de voz de suas interações com o Meta AI por meio das configurações a qualquer momento”, declarou a empresa. O ajuste foi distribuído como patch de segurança para todos os dispositivos em circulação.
Além da correção de software, a Meta reforçou o papel do LED como sinalizador de gravação. Agora, se o LED estiver coberto, danificado ou não puder ser detectado, o sistema bloqueia automaticamente a captura de áudio.
Reações dos usuários e implicações legais
Um dos relatos mais detalhados veio de um usuário que encontrou conversas gravadas mesmo com a função de gravação contínua desativada. O consumidor descreveu que o LED branco acendeu brevemente durante as gravações não solicitadas.
O suporte da Meta orientou o usuário a desativar permissões de câmera e microfone, apagar o histórico de comandos e suspender atualizações automáticas. Essas medidas, porém, comprometem funcionalidades essenciais, como reconhecimento de gestos e chamadas de vídeo.
O usuário informou que está consultando advogados para avaliar a possibilidade de uma ação coletiva contra a Meta. No Brasil, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) já acionou o Ministério Público Federal para investigar os riscos de privacidade associados aos óculos.
Outras autoridades também se manifestaram. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) incluiu os óculos entre os itens proibidos nas cabines de votação, citando a capacidade de gravação discreta como risco potencial.
Impactos na privacidade e uso comercial
Além das gravações não intencionais, surgiram denúncias de uso indevido da câmera para produção de conteúdo nas redes sociais. Usuários aproveitaram a “discrição” do dispositivo para filmar terceiros sem consentimento, gerando controvérsias éticas.
Trabalhadores terceirizados responsáveis pela revisão de gravações produzidas pela IA relataram que a câmera capturou consumidores em situações privadas, inclusive relações sexuais. O material foi utilizado para treinar algoritmos de inteligência artificial da Meta, segundo o site TechSpot.
Esses episódios aumentaram a pressão sobre a empresa para aprimorar seus mecanismos de segurança. A Meta tem atualizado sucessivamente o LED indicador e implementado bloqueios automáticos quando o sensor detecta obstruções.
Medidas de segurança futuras
Para reforçar a confiança dos usuários, a Meta anunciou um plano de ação que inclui:
- Atualizações regulares de firmware com auditoria externa.
- Transparência total sobre logs de áudio armazenados nos servidores.
- Opções de desativação completa de microfone e câmera via hardware.
- Campanhas de conscientização sobre direitos de privacidade para consumidores.
A empresa também pretende desativar permanentemente 0,1% dos óculos vendidos que apresentarem adulterações ou falhas críticas, conforme informado ao Tecnoblog.
Os óculos Ray‑Ban Meta continuam sendo comercializados no Brasil a partir de R$ 3.699, mas a controvérsia pode influenciar a decisão de compra de usuários mais cautelosos. A expectativa é que as novas políticas de segurança reduzam incidentes semelhantes e restabeleçam a credibilidade da Meta no mercado de dispositivos vestíveis.








