No domingo, 25 de outubro, a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu o horário de votação até as 19h em todo o país. Mesários de diversas seções eleitorais de São Paulo relataram falta de instruções após a prorrogação, enquanto algumas escolas permaneceram fechadas, impedindo eleitores de comparecerem.
Confusão nas escolas da capital
No Colégio Fidelino de Figueiredo, localizado na Rua Imaculada Conceição, em Santa Cecília, os mesários foram orientados a permanecer no local após o encerramento das urnas às 17h. A orientação inicial era fechar a votação naquele horário, mas a decisão judicial mudou o panorama.
Quando a equipe de mesários chegou ao ponto de recolher as urnas, a informação de que o prazo havia sido ampliado ainda não havia chegado ao cartório eleitoral da escola. Como consequência, as cabines foram desmontadas, mas os profissionais foram instruídos a aguardar novas direções.
Outra situação ocorreu na Universidade Anhembi Morumbi, na Mooca, onde a votação ainda seguia em andamento, embora uma urna já tivesse sido fechada. O mesário presente relatou que o cartório pediu que, caso algum eleitor chegasse após o encerramento, a intenção de voto fosse anotada em ata, mas sem guardar os documentos até nova ordem.
Procedimentos de contingência e lacunas na legislação
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui normas para lidar com falhas técnicas nas urnas eletrônicas, como substituição de equipamentos ou votação manual em papel. Entretanto, essas regras não contemplam cenários em que a votação é encerrada antes do horário estabelecido por decisão judicial.
Essa ausência de orientação gerou insegurança entre os mesários, que temiam que a falta de documentos ou a não reabertura das urnas pudesse comprometer a validade dos votos ainda não computados.
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo foi contatado pelo g1, mas até a última atualização da reportagem não havia retornado, deixando a população sem respostas oficiais.
Impacto nos eleitores e nas seções eleitorais
Segundo levantamento do g1 e da TV Globo, até as 18h, 1.225 seções eleitorais em todo o Brasil já tinham votos apurados para presidente. Na capital paulista, várias escolas estavam abertas, enquanto outras permaneceram fechadas, dificultando o acesso dos eleitores.
- Escolas abertas: Colégio Estadual Paulo de Frontin, Escola Municipal Prof. João da Silva, etc.
- Escolas fechadas: Colégio Fidelino de Figueiredo, Colégio Estadual José de Alencar, entre outras.
Eleitores que chegaram às seções fechadas foram orientados a registrar a intenção de voto em ata, mas a falta de clareza sobre o destino desses registros gerou dúvidas sobre a contagem final.
Contexto da decisão judicial
A prorrogação foi solicitada pela coligação do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que alegou problemas no transporte público em municípios de São Paulo. O ministro Zanin aceitou o pedido e estendeu o horário de votação por duas horas, até as 19h, horário de Brasília.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também pediu a extensão, mas apenas para cidades de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O pedido foi protocolado tanto no TSE quanto no STF, mas a decisão de Zanin acabou abrangendo todo o território nacional.
Ao determinar a prorrogação, o ministro ressaltou a urgência da medida e a necessidade de garantir que todos os eleitores tivessem a oportunidade de exercer o voto, mesmo diante das dificuldades logísticas.
Desdobramentos e perspectivas para a apuração
Com as urnas já recolhidas em algumas seções, a Justiça Eleitoral precisará seguir os protocolos de contingência para garantir a integridade dos votos. Caso seja necessário, a votação manual poderá ser adotada, embora ainda não haja indicação oficial de que isso acontecerá em São Paulo.
Os mesários continuam no local, aguardando instruções que possam viabilizar a reabertura das seções ou a validação das atas de intenção de voto. A transparência do processo será fundamental para evitar questionamentos sobre a legitimidade da eleição.
O TSE informou que continuará monitorando a situação e que quaisquer decisões serão divulgadas em seus canais oficiais. Enquanto isso, eleitores e candidatos aguardam o desfecho da votação estendida.
Em resumo, a falta de comunicação imediata entre o STF, o TSE e os cartórios eleitorais resultou em um cenário de incerteza para mesários, eleitores e autoridades. A expectativa é que as autoridades eleitorais publiquem orientações claras nas próximas horas, permitindo que a apuração siga de forma segura e transparente.








