Na manhã da última terça‑feira (3), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou a confirmação de um novo foco da doença de Newcastle em uma propriedade avícola localizada em Nova Erechim, no oeste de Santa Catarina. O caso representa a quarta ocorrência registrada no estado desde que a emergência zoossanitária foi declarada, reforçando a necessidade de intensificar as ações de vigilância e controle.
Novas evidências em Nova Erechim
O foco foi identificado durante inspeções rotineiras realizadas dentro da zona de restrição já estabelecida após os três primeiros casos. A granja, que abriga milhares de aves de corte, está inserida no perímetro sanitário definido pelas autoridades estaduais e federais.
Segundo o Mapa, a detecção precoce foi possível graças ao monitoramento intensivo de amostras biológicas e ao trabalho conjunto entre a Cidasc e os serviços veterinários oficiais. A equipe de vigilância coletou swabs de orofaringe e cloaca, enviando‑os ao laboratório nacional para confirmação laboratorial por PCR.
Os resultados positivos foram confirmados em menos de 48 horas, permitindo que as medidas de contenção fossem acionadas imediatamente. A granja foi isolada, e os animais foram submetidos a um vazio sanitário, prática que impede a movimentação de aves, ovos e insumos até a liberação oficial.
Impactos econômicos e restrições ao comércio
Desde 18 de outubro, a doença de Newcastle tem sido a causa de restrições à exportação de produtos avícolas brasileiros, afetando especialmente os mercados da União Europeia e do Oriente Médio. As autoridades sanitárias internacionais impuseram bloqueios que podem gerar perdas de bilhões de reais ao setor.
Para os produtores catarinenses, a situação representa um duplo desafio: além da necessidade de controlar o surto dentro das granjas, eles precisam lidar com a diminuição da demanda externa e a pressão sobre os preços internos. Muitos pequenos e médios produtores dependem das exportações para equilibrar seus custos de produção.
O Mapa informou que está trabalhando em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores para negociar a retomada gradual das exportações, mediante a comprovação de controle efetivo da doença em território nacional. Enquanto isso, os órgãos de defesa agropecuária mantêm a vigilância intensiva em todas as regiões produtoras.
Medidas de controle e protocolos adotados
O Serviço Veterinário Oficial (SVO) acionou o Plano de Contingência Nacional para Doença de Newcastle, que inclui investigação epidemiológica, rastreamento de movimentos e biossegurança reforçada. As principais ações são:
- Vazio sanitário: isolamento total da granja afetada, com proibição de entrada e saída de animais, ovos, ração e equipamentos por, no mínimo, 30 dias.
- Desinfecção profunda: aplicação de produtos virucidas em todas as instalações, veículos e áreas de manejo.
- Monitoramento ativo: coleta diária de amostras de aves nas granjas vizinhas para detecção precoce.
- Comunicação transparente: divulgação imediata de resultados e orientações aos produtores por meio de boletins eletrônicos.
- Capacitação: treinamentos presenciais e virtuais para equipes de campo sobre procedimentos de biossegurança.
Além das ações de campo, o Mapa reforçou a necessidade de que todos os produtores adotem práticas de higiene rigorosas, como uso de vestimentas descartáveis, desinfecção de calçados e restrição ao acesso de visitantes não autorizados.
Os três primeiros focos – registrados em Nova Itaberaba, Coronel Freitas e outra propriedade de Nova Erechim – já foram submetidos ao mesmo protocolo, resultando na eliminação do vírus nas unidades afetadas e na liberação para a produção regular.
Desafios e perspectivas para a avicultura catarinense
O estado de Santa Catarina, responsável por cerca de 30% da produção avícola nacional, enfrenta agora o desafio de equilibrar a contenção da doença com a manutenção da competitividade no mercado internacional. A experiência adquirida nos primeiros focos tem servido de base para aprimorar as estratégias de resposta.
Especialistas apontam que a adoção de tecnologias de monitoramento em tempo real, como sensores de temperatura e sistemas de rastreamento de lotes, pode reduzir significativamente o tempo entre a infecção e a identificação do foco. Investimentos em pesquisa para vacinas mais eficazes também são recomendados.
Enquanto isso, a Cidasc tem intensificado a fiscalização nas rotas de transporte de aves e insumos, realizando blitzes em pontos críticos e verificando a documentação de origem dos lotes. Essa ação visa impedir a disseminação do vírus para outras regiões do país.
Os produtores que aderirem voluntariamente a programas de certificação de biossegurança podem contar com incentivos fiscais e acesso facilitado a linhas de crédito rural, segundo o Departamento de Agricultura de Santa Catarina.
Em resumo, a confirmação do quarto foco de doença de Newcastle reforça a importância de uma resposta coordenada entre governos, entidades de classe e a comunidade científica. O sucesso na contenção dependerá da rapidez na implementação das medidas, da colaboração dos produtores e da capacidade de adaptação às exigências do comércio internacional.
O Mapa reafirmou seu compromisso de manter a transparência e de atualizar diariamente as partes interessadas sobre a evolução do surto, garantindo que a avicultura catarinense continue a ser referência de qualidade e segurança alimentar no Brasil e no mundo.








